segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O BEM E O MAL EXISTEM?


Francisco Miguel de Moura*


Todo mundo que tem juízo sabe o que é o bem e o mal. E sabe que existem concretamente como o dia e a noite, a saúde e a doença, a liberdade e a prisão, a vida e a morte. E que a maioria da sociedade condena o assassinato, o roubo, a tortura, o estupro e os demais atos violentos que hoje são tão comuns, infelizmente.

Os atos violentos que causem prejuízo a alguém são condenados e, quando habitualmente praticados por uma criatura, essa criatura é a representação do mal. Quem mata o semelhante – o maior mal praticado contra alguém – pode até iludir-se que é bom para si, mas não é. Males menores, quando não afetam concretamente nenhuma pessoa, podem até ser perdoados pela sociedade. Afinal de contas, se aceita um mal menor na esperança de que não aconteça o pior.

Mas a bondade tem limites. Por isto o último prefeito de New York e candidato a presidência dos Estados Unidos, cujo nome não me vem à memória, acabou a violência da cidade, então uma das mais violentas do planeta, simplesmente punindo todos os desvios legais, desde a pichação aos roubos e assassinatos, crente que, com o crime, não deve haver condescendência. E ele tem razão.

Quem não sabe que uma agressão é maléfica? E é maléfica também ao próprio agressor. Os violentos têm menos saúde, menos paz, vivem pouco e com péssima qualidade de vida. A mania do agressor é dizer que foi agredido primeiro, o que não justifica, mesmo sendo verdade. Afinal, quer-se é não-violência, o bem – aquilo que com o mal jamais se alcançará. Tolerar a inconsciência? Nunca. Trabalho neles, escola neles, catecismo neles. E se esses corretivos não forem suficientes, que venha a punição que mereça.

O romancista Dostoiévski, em “Crime e castigo”, narra o personagem Rascólnikov expiando a culpa, mas crente de que matou a velha agiota para fazer o bem a si, a ela e à sociedade. Ora, matar não é solução pra nada. Por isto, não sou a favor da pena de morte: – O criminoso deve expiar sua culpa aqui, sim, perante a sociedade a quem feriu. Nunca deixar isto para o outro mundo. Pode ser que esse outro mundo não exista. A punição não deve ser como vingança, mas como justiça. A pena de morte, ao contrário, dá o direito de vingança e ninguém tem direito sobre a vida do outro, muito menos o estado, reconhecidamente um opressor. Também, qualquer tentativa de dominação que não seja legal é violência, maldade, seja física, moral, intelectual, espiritual. É o direito à liberdade de pensamento e expressão.

Até aqui vimos o que o Prof. Marcos Sidnei Pagotto, da UMESP chama de “grandes narrativas”: Deus, a razão, a consciência individual. E se refere também às “pequenas narrativas” – as contemporâneas: tribos, extremismo religioso, sucesso pessoal, em virtude de vivermos a globalização do planeta, o capitalismo avançado, o individualismo exacerbado e o oportunismo, onde tudo é objeto e o que conta é a felicidade pessoal por cima de tudo e de todos.

Assim, quer o ator tenha ou não consciência de crime e justiça, quer acredite em Deus ou não, quer pense como o personagem de Dostoévski, para o qual “se Deus não existe tudo é permitido”, deve ter julgamento e punição, pelos meios mais democráticos da sociedade, para que não formemos um futuro mundo de criminosos, o que seria a negação de tudo, toda a ética, moral, justiça, leis, amor e preceitos religiosos, a negação da nossa humanidade.

Apenas a punição interior é individual e cabe a cada um. Dela, certamente, nenhum criminoso poderá livrar-se até morrer. Mas a punição externa cabe à sociedade e nós também como sujeitos da cultura e da civilização que o próprio homem construiu, em milênios.

Enfim, fechemos com o que foi enunciado no início: O bem e o mal existem. Não é pergunta; é resposta. Mas o problema maior é saber como evitar o mal e incentivar o bem. A humanidade tem de lutar pelo seu alcance, pelos melhores caminhos, se quiser subsistir. Devemos perdoar os autores, o sujeito, mas o mal, nunca. Isto quer dizer que não se deve desistir da punição, tendo o cuidado, porém, de considerar o criminoso uma pessoa capaz de recuperação, mesmo que poucos queiram (ou consigam).


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*Francisco Miguel de Moura – Escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras, Teresina, PI, Brasil, e da International Writers and Artists Association (IWA). Toledo, OH, Estados Unidos da América

Um comentário:

cristal de uma mulher disse...

O BEM E O MAL É QUESTÃO DE CARACTER
PESOAL DE CADA INDIVIDUO.MESMO PORQUE É OPÇÃO DE NATUREZA.
SABEMOS QUE O MAL NUNCA VENCE O BEM PORQUE NÃO SE ENCONTRA A PAZ.
BOM TEXTO DE UMA VISSÃO EXELENTE.
MUITO OBRIGADA POR ESTÁ ME ACOMPANHANDO É MUITO IMPORTANTE PARA MIM.
ABRAÇOS

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