quinta-feira, 8 de abril de 2010

ARTE, CRIANÇA E VIOLÊNCIA


A FITA BRANCA - FILME


Francisco Miguel de Moura* 

Estreou no Brasil, em fevereiro, depois de levantar as platéias da Europa e dos Estados Unidos, o filme “A Fita Branca”, do alemão Michael Reneke. Causou rebuliço no Festival de Canes, na França, quando recebeu a Palma de Ouro, e conquistou nos Estados Unidos o Globo de Ouro, tendo sido indicado para o Óscar de melhor filme estrangeiro. Admiro, tal como a comentarista Rachel Costa, da “Isto É” (10/2/2010), que assim esteja acontecendo, pois o filme, em termos de técnica, tem poucos atrativos para agradar o público: 1º) é em preto e branco: 2º) o elenco é desconhecido. É baseado num caso real que envolve crianças, e mais ainda, nele, as crianças sofrem e ao mesmo tempo praticam violência. Uma série de mortes assombra uma cidadezinha adepta de uma obscura seita evangélica. Que isto lembre, ou tenha certa extensão ao fascismo de direita ou de esquerda, não está determinando sua estranheza. E por que a necessidade de assisti-lo por boa parte da população da aldeia global? Por que há violência e esta é tolerada pela sociedade, no clima que ele envolve? Não é que a sociedade esteja insensível, mas há uma grande desordem que contradiz o seu destino, quero crer. O papel de qualquer obra artística é envolver o fruidor. E este, quanto mais envolvido, mais tentará envolver outros. Quando salienta o mal, mesmo com boas intenções, este se reproduz em cascata. Há muito tempo que ouvimos repetir-se que violência gera violência. Muito mais se há criança em jogo, em perigo, idade em que a criatura ainda não tem a consciência do que seja uma vida saudável e ética.

Uma pergunta intrigante, aqui, se faz necessária: Por que um filme de crianças, e fatalmente para crianças, não iria virar modelo de educação, visto que esta se faz pela repetição? A sociedade, por si e por seus elementos, é culpada pela maior ou menor violência que nela aconteça. Gerada por ela mesma, no seu ir e vir, crescer e decrescer, errar e acertar, não há como desculpar-se. E se a moda pega, o mundo vai ficar tão violento e cruel que não sobrará para ninguém. Aí é o fim de tudo.


Voltando a Heneke, sabe-se que é um especialista em filmes de violência. Antes, chocou com o filme “Violência Gratuita” e depois com outro onde mostra perversões sexuais, chamado “A Professora de Piano”. Por trás dele está a ganância por dinheiro e fama. Para alcançá-los fará tudo. A arte que vá para as profundas do Inferno. A arte, no meu entendimento, não se desliga da ética. A ética é social, a arte é social, o homem é um animal social. Por que separá-los? Cinema é arte, a mais nova, completa e poderosa. Reúne criação ficcional a imagens movimentadas, coloridas, dando um toque de vida verdadeira maior que as outras obras. Resta saber se esse tipo filme, como o de Heneke, rende alguma cousa em termos de cultura e educação. Ou se o homem é mau por natureza, se a crueldade é adquirida ou aprende-se pela imitação. E se a vida, em si, já é violenta como dizem alguns, porque os homens a desejam mais violenta? Violência é bom para quem? Para todos? Eis a ética da questão.

Em minha opinião e na de muitos que já viveram quanto eu, entregar filmes da natureza dos que foram apontados, de mão beijada, aos filhos, é como dizer: “Podem ir pra rua, vocês aprenderão lá tudo isto”. É querer que seu filho vire “menino de rua”. As famílias em dissolução, por causa da individualidade que corrói tudo que a civilização construiu, estão contribuindo para a violência nas ruas, intolerável para os próprios pregadores dessa “liberdade” individual desordenada, na verdade uma libertinagem. E essa violência superlota cadeias, reformatórios, hospícios, hospitais, onde, por um princípio humanitário, chegamos a dar prioridade aos violentos, os criminosos, em detrimento da população pacata, a que paga tudo aquilo para ter uma vida melhor.

Chegamos realmente ao absurdo.
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*Francisco Miguel de Moura
– Escritor braseileiro, membro da Academia Piauiense de Letras e da International Writers and Artistas Association, de Toledo, OH, Estados Unidos. E-mial: franciscomigueldemoura@superig.com.br

Um comentário:

Marta Pinto disse...

que blog lindo. amei!!!
vesite-me http://convivio-vida-nova.blogspot.com/, é um blog evangelico, venha fazer parte do convivio...graça e paz.

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