quinta-feira, 10 de junho de 2010

ARVERS - O SONETO MAIS FAMOSO DO MUNDO


SONNET
Este é o soneto famoso
de Felix Arvers*


Mon ame a son secret, ma vie a son mystére,
Un amour eternel en un moment conçu;
Le mal est sans espoir, aussi j'ai dù le taire,
et celle qui l'a fait n'en a jamais rien su.

Hélas! j'aurai passé près d'elle inaperçu
Toujours à ses côtes et toujours solitaire;
et j'aurai jusqu'au bout fait mon temps sur la terre
n'osant rien demander, et n'ayant rien reçu.

Pour elle, quoique Dieu l'ait faite bonne et tendre,
Elle ira son chemin, distraite, et sans entendre
Ce murmure d'amour elevé sur ses pas;

À l'austère devoir pleusement fidèle,
Elle dira, lisant ces vers tout remplis d'elle,
"Quelle est done cette femme?" et ne comprendra pas.

Há milhares de traduções deste soneto, no mundo inteiro,
em quase todas as línguas

SONETO

Olegário Mariano*
(tradução)

Tenho um mistério na alma e um segredo na vida:
Eterno amor que, num momento, apareceu.
Mal sem remédio, é dor que conservo escondida
E aquela que o inspirou nem sabe quem sou eu.

A seu lado serei sempre a sombra esquecida
De um pobre homem de quem ninguém se apercebeu.
E hei de esse amor levar ao fim da humana lida,
Certo de que dei tudo e ele nada me deu.

E ela que Deus formou terna, pura e distante,
Passa sem perceber o murmúrio constante
Do amor que, a acompanhar-lhe os passos, seguirá.

Fiel ao dever que a fez tão fria quanto bela,
Perguntará, lendo estes versos cheios dela:
"Que mulher será esta?" E não compreenderá.


__________


*Biografia de Arvers:

Biografia

Arvers inicialmente trabalhou como escrevente em um tabelionato, mas abandonou sua carreira de notário para dedicar-se ao meio literário.
Ficou mais conhecido, porém, graças a um único poema, que mereceu destaque na época, inclusive inspirando peças de teatro que usaram tal soneto como tema. Escrevera-o sem título, em um álbum de Marie Mennessier-Nodier, filha do escritor Charles Nodier, causando grande polêmica na época, ultrapassando fronteiras, com repercussões através de todo o mundo literário, motivando extrema curiosidade sobre a musa que o teria inspirado.
Posteriormente, aquele que ficaria conhecido mundialmente como o "Soneto de Arvers" foi incluído em seu livro de poesias "Minhas Horas Perdidas" (Mes heures perdues), lançado em 1833.
Apesar de nem sempre a crítica estar em concordância com a celebridade do aclamado soneto, ele permaneceu muito tempo entre os preferidos do público. Em enquete realizada em 1955, na rádio e TV francesas, entre 4200 respostas de preferência popular, o Soneto de Arvers recebeu 1686 votos.[1]
O Soneto de Arvers foi traduzido inúmeras vezes, para os mais diversos idiomas, destacando-se a tradução de Henry Wadsworth Longfellow, para o inglês, e até traduções para o esperanto.
No Brasil, Humberto Mello Nóbrega[2] tornou-se especialista no assunto, com o livro "O Soneto de Arvers", onde expõe várias traduções para a língua portuguesa, inclusive destacando sátiras acerca do poema, como a de Bastos Tigre, passando por traduções de Guilherme de Almeida, Olegário Mariano, Osvaldo Orico, Edmundo Muniz, José Oiticica, J. G. de Araújo Jorge, Gondim da Fonseca, José Lino Grünewald, até Pedro A. Bettencourt Raposo, que fez 12 versões em seu livro "Sonetos", em Lisboa, no ano de 1916.
Arvers escreveu diversas peças teatrais, mas nenhuma permaneceu. Após sua morte, foi relançado seu livro "Minhas Horas Perdidas", acrescido de poesias inéditas, em 1900.


*Biografia de Olegário Mariano:
Olegário Mariano era filho de José Mariano Carneiro da Cunha e de sua esposa, Olegária da Costa Gama, ambos heróis pernambucanos da Abolição e da República.
Foi inspetor do ensino secundário e censor de teatro. Em 1918, ele se tornou representante do Brasil na Missão Melo Franco, como secretário de embaixada na Bolívia. Foi deputado à Assembleia Constituinte de 1934. Em 1937, ocupou uma cadeira na Câmara dos Deputados, depois foi ministro plenipotenciário nos Centenários de Portugal, em 1940; delegado da Academia Brasileira de Letras na Conferência Interacadêmica de Lisboa para o Acordo Ortográfico de 1945; embaixador do Brasil em Portugal entre 1953 e 1954. Exerceu o cargo de oficial do 4.° Ofício de Registro de Imóveis, no Rio de Janeiro, tendo sido antes tabelião de notas.
Em 1938, em concurso promovido pela revista Fon-Fon, foi eleito Príncipe dos Poetas Brasileiros, em substituição a Alberto de Oliveira, detentor do título depois da morte de Olavo Bilac, o primeiro a obtê-lo. Nas revistas Careta e Para Todos, escrevia sob o pseudônimo de João da Avenida, uma seção de crônicas mundanas em versos humorísticos. Ficou conhecido como "o poeta das cigarras", por causa de um de seus temas prediletos.

Obras:

  • Angelus (1911)
  • Sonetos (1921)
  • Evangelho da sombra e do silêncio (1913)
  • Água corrente, com uma carta prefácio de Olavo Bilac (1917)
  • Últimas Cigarras (1920)
  • Castelos na areia (1922)
  • Cidade maravilhosa (1923)
  • Bataclan, crônicas em verso (1927)
  • Canto da minha terra (1931)
  • Destino (1931)
  • Poemas de amor e de saudade (1932)
  • Teatro (1932)
  • Antologia de tradutores (1932)
  • Poesias escolhidas (1932)
  • O amor na poesia brasileira (1933)
  • Vida Caixa de brinquedos, crônicas em verso (1933)
  • O enamorado da vida, com prefácio de Júlio Dantas (1937)
  • Abolição da escravatura e os homens do norte, conferência (1939)
  • Em louvor da língua portuguesa (1940)
  • A vida que já vivi, memórias (1945)
  • Quando vem baixando o crepúsculo (1945)
  • Cantigas de encurtar caminho (1949)
  • Tangará conta histórias, poesia infantil (1953)
  • Toda uma vida de poesia, 2 vols. (1957)


(Texto do soneto (inclusive tradução) publicado em Letras e Artes, suplemento de A manhã, Rio de Janeiro, 10-6-51 e no Jornal do comércio, edição de 23-12-51.)

Um comentário:

renata disse...

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