quarta-feira, 19 de outubro de 2011

NO PAÍS DE ALICE

Ronaldo Cagiano
escritor, crítico literário, reside em São Paulo

A escritora Alice Spíndola vem, de longa data, produzindo uma literatura do mais alto nível. Na poesia e na prosa, a autora demonstra a força da linguagem e a sutileza de uma carga metafórica que explora todas as possibilidades da palavra.

Embora nosso contato mais efetivo seja por via postal ou eletrônica, há alguns anos venho acompanhando seu percurso criativo e penetrando no delicado diálogo que realiza com o mundo por meio de seus versos e, agora, da ficção. Em sua escritura, a sintaxe do verbo fecunda uma visão lírica do universo e expõe todo um potencial imagético, recurso que agora transplanta para os nove contos que emolduram seu novo livro, Sob a cromática luz da música, obra que tem a chancela da Bolsa de Publicações Hugo de Carvalho Ramos, vencedora da edição 2009, em sua categoria.

Mineira, de Nova Ponte, profundamente enraizada em Goiânia, Alice Spíndola é uma voz que ecoa do planalto central a partir de sua bibliografia, que tem merecido a melhor acolhida de importantes nomes da vida literária nacional e estrangeira, entre as quais Stella Leonardos, Jean-Paul Mestas, Joaquim Montezuma de Carvalho, Caio Porfírio Carneiro, Bariani Ortêncio e outros.

Além de integrar diversas antologias e catalogar diversos prêmios no Brasil e no exterior, Alice vem promovendo uma ponte entre a vasta literatura goiana com diversas regiões do País. A cristalinidade de sua poesia transferiu-se com a mesma pulsação, ritmo, intensidade e harmonia para a sua narrativa. Seus contos transitam na esfera do onírico, penetrando o espaço da transcendência, onde se percebe uma atmosfera mística.  Há, em suas histórias,  o predomínio de acontecimentos e ocorrências em que a tensão e a psicologia nascem da constatação de uma supra-realidade, do fantástico, do inusitado, visitando geografias insondáveis e territórios sombrios do ser e do mundo.

Seus personagens caminham no limbo, na tênue fronteira entre o real e o invisível, num plano que revela um salto no abismo de nossas fendas psicológicas, protagonistas penetrando os insondáveis e misteriosos labirintos da mente e da vida, com um viés de realismo mágico. Esssa percepção de mundos inauditos, num contínuo e pendular movimento entre o sagrado e o profano, entre o paraíso e o inferno, explora, com inegável sutileza estilística e elegância vocabular, o intricando labirinto de contradições e dilemas, culminando numa metáfora do incontido vazio existencial.

Alice Spíndola faz literatura com musicalidade, sem perder aquela perspectiva crítica fundamental a todo artista, cujo olhar não deve prescindir do que o perturba e desafia a transformar a realidade em ficção e, nesta, escandir os enigmas do nosso tempo e dos nossos territórios. Assim é a pátria poética e ficcional de Alice, instância em que ela mergulha para compreender nosso destino, assim como Jorge Luís Borges, para quem “A consciência de que nunca acabamos de decifrar o mistério estético não se opõe ao exame dos fatos que o tornam possível”.

Um poema de Alice Spíndola bem que merece ser mostrado, depois dessa crônica de Cagiano:

ALQUIMIA

O poema flui
como água corrente,
tal um rio calcário,
submerge e torna a ser.

Da alquimia
do meu coração
deságua grande amor.

Desligo-me das neuroses,
procuro minha alegria
(minha marca registrada)
e acho
meu caminho de volta
tecendo poemas.

Alice Spíndola
                                     

                                      Carta  de Olga Savary
                                     a Francisco Miguel de Moura
Rio, 16/8/2011
Francisco, querido, com tanto trabalho que me ocupa 18h/dia, no Rio e mais viagens (p/fazer conferências sobre minha obra, convidada, profissionalmente, tudo pago e mais bom cachê, pelo menos p/um congresso de poesia ou literatura por mês, quando não dois ou três/mês, fui duas vezes a Salvador – BA, irei a MG, RJ, SP, AL, RN e E. do Rio. Muita coisa. Vivo de escrever, de literatura, desde sempre, desde a adolescência. Nunca fiz outra coisa na vida.  E ainda arranjo tempo de ajudar os amigos, literariamente falando,  considerada por poetas e ficcionistas mais jovens como “sua mãe literária”. Já dei maior visibilidade a colegas poetas, por exemplo,  em três antologias que realizei: Carne Viva – 1ª Antologia de Poesia Erótica, editada em 1984, onde incluí 77 poetas de todos os estados brasileiros; outra, de poesia social,  onde incluí 334 poetas brasileiros, editada em 1992;  e Poesia do Grão-Pará (que deveria chamar-se Poesia da Amazônia, minha região), onde incluí 117 poetas de vários estados em torno, em mais de 200 anos de poesia amazônida, editada pela Prefeitura de Belém do Pará, em 2001.  Como vê, tudo em excesso.Às vezes tenho a impressão de ter vivido de três a cinco vidas p/construir e realizar tanto, que vai de A a Z.
  Abraço fraterno.
   Olga Savary
________________
P. S. Ah, e não esquecendo de notar o belo ensaio sobre sua obra., de autoria de Deolinda Marques.
Gostaria de ter o endereço de Deolinda, endereço postal (não tenho e-mail), com CEP e tudo para mandar-lhe livro.
Olga. Savary

Links:http://franciscomigueldemoura.blogspot.com
            http://cirandinhapiaui.blogspot.com


P. S. Agora o PS é meu: coloquei a carta de Olga Savary porque juluguei que seu desejo era que fosse divulgada a matéria de Alice Spíndola,  uma vez que vinha escrita no verso do artigo de Cagiano. 
francisco miguel de moura

3 comentários:

Gisa disse...

Adorei conhecer Alice e sua poesia.
Sempre bom passar por aqui querido amigo. Sempre bom compartilhar contigo teus pensamentos.
Um grande bj no teu coração

CHIICO MIGUEL disse...

Gisa, bom dia!

Sempre gom também é amanhecer contigo no meu blog. Se você gostou, é boa a poesiade Alice, que recebi de outra poetisa famosa, brasileira, Olga Savary. Breve estarei publicando coisas dela.
Sim, quando receber o livro, me comunique, tá. Desejo muito ter uma leitura de pessoa inteligente e sensível como voce.
Abraço no coração

Chico Miguel de Moura

BLOG DE POESIAS DO PROFEX disse...

Lindo poema da Alice. Tudo de bom!
Abraços!

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