segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

A QUEDA DAS FOLHAS



Francisco Miguel de Moura- Poeta brasileiro


         



As folhas caem pelo Verão.

Ninguém lhes ouve a queda,
A dor de coisas semimortas,
Quando o vento carregador

Vem e as leva pela várzea
E ali se enterram no chão.


Algumas doidas se soltam 
Salvam-se, saem dançando

Com o vento, sobem o outeiro

Onde um poeta há tempo dorme.
O dorminhoco, aos acordes
Dos sons, saracoteios surdos
Das infelizes contra a porta,
Ainda ressona.

...


"Será tarde, bem tarde"
- Murmurarão
Para um carinho!… Oh! Não!

Eis que o poeta transtornado sonha:
E quebra a eternidade do instante
Com um poema na mão.

2 comentários:

Rejane Machado disse...

Como nenhum comentário? Cascata! Olha o meu aqui. Para apreciar a criação poética de Chico Miguel de Moura, o melhor e maior poeta que eu conheço.
O poeta observa o ciclo mutável da Natureza. Que significa o cair das folhas? O fim das nossas ilusões, com certeza, O fim dos sonhos, o coração em repouso finalmente, diante deste derradeiro sofrimento,Já não há decepções. Em breve o vento espalhará essas últimas folhas e tudo se tornará silêncio. O vento levará para longe todo este resíduo de vida...mas , para quem se habituou a sonhar, a criar um mundo ideal, não haverá esperanças?
Que surpresa! uma pequenina pontinha verde aparece no caule despojado. E cresce. E outras aparecem, daqui a pouco a árvore se veste de folhagem verde, Que é isto? É algo que não morrerá jamais- um coração de poeta resiste aos ventos, renova-se, reverdece! Novas poesias brotarão como flores.A poesia é o alimento do seu criador. Continua, Chicão! Parabéns pela bela metáfora da queda das folhas. O meu abraço e a minha alegria por ver que a poesia continua!

CHIICO MIGUEL disse...

Rejane, amiga:
Obrigado pelos elogios.Você merece um livro do que foi lançado agora: "Poesia in Completa", 2a.edição, bastante aumentada, com uma seleção dos livros mais novos, escritos e publicados a partir do ano 2000, com 512 pg. além de um prefácio maravilhoso da escritora e professora Rosidelma Fraga, de Mato Grosso (MT). Quando o fez, trabalhava em Goiânia; agora reside em Rio Branco, Capital: Boa Vista, onde é professora e estudiosa dos indígenas (das tribos de lá). É uma lutadora desbragada.
Confirme seu endereço por favor, e aguarde. O exemplar já está autografado.
Francisco Miguel de Moura

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