quinta-feira, 12 de setembro de 2019

BRINCADEIRA OU...



        Francisco Miguel de Moura

Muito pouco nada pouco...
Nem o muito é pouco,
Nem o nada é muito:


- Nadam nas águas do vento.
Ao mesmo tempo morrem...

O tudo é tudo e o nada é nada,
Se o muito sem Deus é pouco
Muito pouco,
Muito mito, muito nada,
Se é verdadeira a língua do povo,
Quem vai contestá-la
 Sobretudo, sobre nada?


domingo, 28 de julho de 2019

Poema não-de-amor

Francisco Miguel de Moura,
poeta e prosador brasileiro*

Não faço poemas de amor:
meus versos são duros.

Duram como a pedra
e não brilham como o ouro.

Não faço poema a dois,
sou triste, à toa me assassino.

Meus poemas de amor, eu os vivi
- imagino  -  
e os matei instantes depois.
_________________
Observação: Poema publicado em algum lugar que não sei onde, um momento de escárneo e de revolta. Se o publico agora é para mostrar que  não é só amor que os poetas vivem: vivem também suas amarguras.

terça-feira, 23 de julho de 2019

CHICO MIGUEL: ANIVERSÁRIO (16-06-1933)


Teresinka Pereira (inglês/português)

To send you wishes
Of happy birthday
I have special joy!
I am proud of
Your friendship in my life.
The years going by,
Wanting that time
Would be infinite
And that friends live
Forever
I wish that you bisthday
Is a happy date
And that happens again
For many, many times!

     Tradução:

Para enviar-lhe os parabéns
Tenho uma alegria especial:
Sua amizade me orgulha
Na correnteza que é vida,
Passando os anos, querendo
Que o tempo seja infinito
E que os amigos todos
Vivam, vivam para sempre!
Que o seu aniversário
Seja uma data feliz
E que assim se repita
Por muitas e muitas vezes.
___________
Teresinka Pereira é professora, poeta e crítica literária, nos Estados Unidos,onde reside. Nasceu em Minas Gerais e muito cedo migrou para USA, por causa de perseguição política, em 1964.

quinta-feira, 11 de julho de 2019

DE REPENTE, QUAL O AMOR?


Francisco Miguel de Moura*

Juro a mim, por Deus, que não me veio
À consciência o que me acontecia:
Eras tu minha aluna e eu, nesse enleio
Que da cabeça aos pés me enrubescia...

Dois corações, de frente a frente, agora
Queriam pulsações em sintonia...
Entre nós, o silêncio pôs demora
Na corrida do amor, na manhã fria.

Eis que um anjo infeliz, maldito agouro,
Juntou, ao meio, uma notícia algente,
No jogo em que perdi-me do meu foro

De um Dom Quixote que, sem ar, morria...
Amor tão santo, em fogaréu ardente,
Jamais, na vida, me aconteceria.
________________________ 
*Francisco Miguel de Moura, poeta brasileiro, com mais de 40 obras publicadas em livro e alguma na internet. Mora em Teresina, Piauí - Brasil. E seu e-mail e: franciscomigueldemoura@gmail.com

domingo, 30 de junho de 2019

NA NOITE - Poema para Teresinka Pereira

NA NOITE
Francisco Miguel de Moura*
(Resposta a Teresinka Pereira)

Eu não tenho estrela,
Tenho só pensares...
Então, quem me vela
Pelos céus, pelos ares?

Sim, tenho pesares
Por me não conter
Em meus avatares
Seja meu ser não-ser.

Me jogo para ler,
Mas não tenho livro.
Como então saber
Do que me deslivro?

Assim, sendo um tolo,
Com bastante humor,
Vou levando o bolo
De dúvida sem cor.

Vou fazer o quê?
Se só falo em versos,
Mas não sei por que
Continuo em reversos.

Sonhando por sombra,
Com o que não brilha,
Pois nada me assombra
Nem me maravilha.

Minha noite é noite,
De manhã levanto,
Por causa do açoite
Dos olhos, no prato.

O sol não me estrela
A luz não me cai
A estrela não vela:
E num risco se vai.
-------------------
*Teresina, PI, Brasil, 30 de junho de 2019.
Poeta e prosador, mem da IWA – Estados Unidos da América do Norte (USA)

quinta-feira, 6 de junho de 2019

A RUA, DE MANHÃ - Francisco Miguel de Moura


Francisco Miguel de Moura*

a rua parada espreguiça
na fofura da manhã

a moça varre a calçada...
um homem passa
e pisca
de lá de dentro da casa
(atravessa o jardim
flores resvalam)
um cheiro de café preto
vem apressar o passo dos
                    que passam
                           devagar

devagar a moça varre a calçada
e o tempo que não passa.
_____________
            *Francisco Miguel de Moura é poeta e prosador brasileiro,  que luta pelo reconhecimento, pois  já publicou 42 obras, incluindo os pequenos livros (de menos de 48 páginas), e aluguma das quais já em 2ª e 3ª edição; é membro da Academia Piauiense de Letras, de outras Academias, da União Brasileira de Escritores (UBE-SP) e da International Writers and Artists Association (IW), com sede nos Estados Unidos da América do Norte (USA).
            Este poema foi incluído numa antologia de poetas cearenses e piauienses, publicada em Fortaleza (CE)






quarta-feira, 3 de abril de 2019

POEMA SEM TÍTULO (homenagem aos 200 anos Chopin)

Carmen Sílvia Presotto*
(Porto Alegre - RS)

Há mortos que nunca morrem,
voz
imagem 
acordes

eles ressurgem feito marés
ou límpidos cristais a esculpir
as lágrimas que a curva do olho não apaga.

Há mortos que nunca se apagam,
nos revivem em fotos, momentos, palavras e músicas...

Há mortos vivos
transplantes d'alma
pontes do tempo
no viver, empréstimos de humanidade.

Há mortos que nunca morrem,
Chopin,
feito brazeiros, rios caudalosos tuas notas
e passos seguem a refletir em nós
vivas memórias...
_________________
* Carmen Sílvia Presotto, uma poeta enorme do Rio Grande do Sul, em 17 de março de 2011, ofereceu  a Francisco Miguel de Moura, um poema que ela construiu homenageando os 200 anos de Chopin.

quinta-feira, 14 de março de 2019

AS FILÓSOFAS DO INTERIOR -


Luiz Felipe
Pondé*

          Se sua mulher mandar você pular do telhado, reze pra ele não ser muito alto
          Conversando com umas amigas de uma importante cidade do interior paulista nos últimos dias, ouvi uma máxima que, segundo elas era repetida pelos pais. Essa máxima é a seguinte: “Se sua mulher pedir pra você pular do telhado, reze para que ele não seja alto”. O que quer dizer essa máxima filosófica?
          Primeiro, o óbvio, mas que, às vezes, parece não muito óbvio. A máxima exemplifica uma sabedoria muito antiga: nos casamentos que funcionam, as mulheres mandam no cotidiano, e esse cotidiano vai ao encontro do velho adagio “a mão que balança o berço é a mão que manda no mundo”. Ao contrário do que berra a turma contra o “patriarcalismo”, as mulheres bem casadas mandam.
          Casamentos que duram são matriarcais em grande medida porque as mulheres mandam em casa e no cotidiano. E, contra os que rezam na cartilha do “Segundo Sexo”, livro da filósofa Simone de Beauvoir (1908-1986), as mulheres são também o primeiro sexo.
          Quando os homens não aceitam mais serem mandados pelas mulheres, vão embora em busca de “novas senhoras”. O homem sempre quer uma mulher que mande nele, sem ela, ele se sente perdido, mal amado, mal cuidado e, portanto, ele devolve na mesma moeda.
          É claro que existem homens ruins que batem em mulheres e as violentam (e que devem ser punidos). Mas a maioria dos homens não faz isso, e essa imensa maioria cansou de se ver representada, da política à arte, das ciências sociais às escolas das crianças, como os vilões do mundo.
          Trabalhando de sol a sol, esses homens se encheram de ver suas vidas narradas de forma falsa e enviesada. E, para a tristeza de muitas odiadoras de homens, as mulheres que amam os homens bons e cuidadores resolveram se juntar no grito contra a mentira travestida de “verdade sociológica”.
          Críticas americanas do feminismo já haviam apontado o risco de que muitas das críticas da família tradicional são mulheres que nunca conseguiram achar um homem em que mandar no dia a dia.
          Essa incapacidade de encontrar um homem que as amassem o bastante para “obedecer” a elas teria levado essas mulheres sem homens para mandar no ódio ao casamento tradicional. Em suma, grande parte do feminismo raivoso (porque existe sim um feminismo consistente contra abusos, menores salários e espancamentos) deita raízes na incompetência de muitas mulheres em achar um homem em que elas mandem, com carinho, humor, doçura e perenidade.
          A ideia por detrás da máxima das minhas amigas filósofas do interior é que, se sua esposa mandar você pular do telhado, você deve apenas obedecer e rezar para que o telhado não seja tão alto, porque, se você não obedecê-la e não pular, a reação dela será muito pior do que a queda do telhado em si.

          Qual homem bem casado quer entrar em conflito com a mulher? Não apenas o resultado será que ela “fechará as pernas pra ele”, como o dia a dia virará um combate contínuo ao redor de coisas pequenas. E, por consequência, ele não conseguirá trabalhar em paz.
          A máxima soa ingênua, mas é a pura verdade, se não quisermos mentir pura e simplesmente. E a mentira, com o tempo, enche o saco de quem é capaz de enxergar a realidade para além do mimimi que caracteriza muito do debate ao redor do tema homem e mulher no mundo “especializado”, cheio de mulheres que não conseguem ter homens felizes em obedecê-las.
          O que uma conversa singela como essa nos ensina acerca do Brasil que emerge das eleições que estamos atravessando? O que é essa “guinada conservadora” que parece varrer o país?
          Muita gente no Brasil está cansada, por exemplo, de ser levada a pensar que debates ao redor do fenômeno “trans” sejam a pauta mais importante em termos de direitos humanos.
          Antes de tudo, a gente comum (que normalmente é casada e a mulher manda em casa, a fim de que a janta seja servida todos os dias) cansou de sentir que sua percepção de mundo é absurda, errada, reacionária, monstruosa, idiota ou cheia de ódio.
          Pelo contrário, muitas dessas pessoas querem apenas que seus filhos voltem vivos da escola e não que gastemos tempo e dinheiro com criminosos ou tristes vítimas de um passado ligado à ditadura. Tudo isso é muito distante delas.
          Os boletos que pagam todo dia parecem mais fundamentais do que muitas das discussões que os inteligentinhos levam a cabo na mídia, nas escolas, nas universidades ou na “arte”.
          As redes sociais “libertaram” a ira do Brasil profundo que paga boletos diariamente e que conhece homens que pulam felizes dos telhados há séculos.
_________________
*Escritor e ensaísta, autor de “Dez Mandamentos” e “Marketing Existencial”. É doutor em filosofia pela USP.

sábado, 2 de fevereiro de 2019

CANÇÃO SEM PERNA NEM AR - Poema modernoso


 Francisco Miguel de Moura*


Que canção merece o mundo escuro?
Ninguém quer ouvir nada de ão...ão..
Nem saber do peito íntimo de alguém
senão para um sexo extra (ordinário).

E assim não há canção nem poema,
é uma extra-vasação do mesmo tema,
que não sei do seio de quem vem.

Palavras!... Soltar bolinhas de sabão,
ao vento, um vento tão opresso,
e reunir verso e reverso, sem uni-verso.
Oh! íntimo desprazer solto, aranhento!

No chão fundido, confundido, há mais,
muito menos pra ser visto, ouvido...
Por que as bandas tocam e dançam
e todos “dançam” nada atrás de nada?

Nenhuma canção vale a pena e o pinho,
durante a noite inteira esbandalhada.

_____________________
*Francisco Miguel de Moura, poeta desencantado com as músicas de hoje, com os poemas e canções da “mundernidade”. Vejam também os blogues de responsabilidade deste autor, na internet: franciscomiguelmoura.blogspot.com, revistacirandinha.blogsport.com e abodegadocamelo.blospot.com.                              


sexta-feira, 16 de novembro de 2018

NOVA FÁBULA - Crônica de Francisco Miguel de Moura


   Francisco Miguel de Moura*

                                                        
             Há alguns anos, um dirigente que se julgava um Semideus, pois representante da mais poderosa nação da Terra – se fosse ontem poderíamos dizer que se tratava de Roma    não contente como a maioria dos reis de apenas dirigir seu povo, quis ser um sábio também. E, quem sabe, Deus. E anotou em seus papéis e mandou escrever nos livros que se deu como autor e nas home pages que mandava seus auxiliares editar na INTERNET, e conscientemente dizia que descobrira a sede da inteligência humana; a sede das sensações (tato) ; a sede do gosto; a sede da visão; a sede da audição; a sede do olfato. Faltava quem lhe descobrisse o órgão dos sentimentos, o órgão da intuição, o órgão da vontade,  pois ele, que já era escritor, agora queria tornar-se poeta.
      Convocou os sábios, cientistas, professores, mestres, políticos, jornalistas, empresários, e nenhum soube dizer-lhe. Teve que, finalmente, apelar para os poetas. Constatou, desalentado, que não havia nenhum no seu reino. É que os antigos haviam morrido de fome.  Já os novos, seduzidos pelo dinheiro, pelas ações da bolsa, por tudo que o mundo capitalista aprova, haviam desistido de poetar, ou mudado de país. O resultado foi que aquele dirigente poderoso teve de importar um poeta de uma de suas semi-colônias.  E a primeira pergunta que dirigiu ao bardo do país subdesenvolvido foi a seguinte:
            - Que devo fazer para ser poeta?
          - Sentir e ter coragem de expressar os sentimentos, em sua própria língua, se não tiver capacidade de fundar outra; deixar que a imaginação trabalhe em lugar do que é simplesmente racional e prático; afundar-se no que sente, como os músicos, em seus instrumentos – disse o poeta.
        - Mas eu não sei onde fica, no corpo humano, a sede dos sentimentos, meu coração é um vácuo.
          - É no seu corpo inteiro, sua alma é sua vontade. A inspiração não é piração, mas conjuga todos os sentidos, mais a fé, a esperança e o amor (caridade), acompanhados de uma insatisfação, uma angústia de se saber finito, tão finito quanto o menor dos seres da terra, quanto o menor grão de areia, e dentro dessa finitude procurar a própria salvação e a salvação da humanidade    eis que lhe responde o poeta Tecermundo.
          - Acha, então, que posso ser poeta?
          - Não, pelo menos agora. Precisaria renascer e para renascer é preciso renunciar.  “De que vale teres o mundo inteiro, se tua alma anda perdida?”
          Claro que o Semideus desistiu de ser poeta, mas compensatoriamente tornou-se amante de todas as empregadinhas de sua casa, da rua e do palácio. Amante sem amar, amante sem dizer, amante de “mentirinha” como é todo amor no seu reino entre moedas e mercadorias.  Quanto ao poetinha, dizem que desapareceu, perdendo a oportunidade de tornar-se célebre por um dia,  aparecendo na televisão e na INTERNET, por  ter transformado o Semi em Deus. Renunciou aos bens e à importância momentânea para ficar com a sua consciência de homem e poeta. Sem as luzes do poder, poetando independente de quem estivesse de cima na bolsa e nos oligopólios. Na posse de todos os seus sentimentos e tentando distribuí-los entre seus irmãos. Ninguém sabe é se conseguiu ficar vivo.  
         Se esta fábula se parece com alguma situação dos nossos dias é pura coincidência. Ela foi pensada e sentida para comemorar o “Dia da Poesia”, 14 de Março (dia do nascimento de Castro Alves, no interior da Bahia, em 1847), e assim homenagear os poetas e a musa  Érato – entidade consagrada pelos gregos – que presidia à poesia lírica e à anacreôntica, aquela mais apaixonada, quando o poeta recebe as luzes do céu e o fogo do inferno, e com isto é capaz de derreter a terra para realizar sua vontade, sua alma. Érato é filha de Júpiter e de Mnemósine (a memória), tendo por irmã outras seis musas que patrocinam as  artes. Portanto, uma grande família.
_____________
*Francisco Miguel de Moura, poeta e prosador brasileiro, nasceu em Francisco Santos (PI), aos 16 de junho de 1933 (quando ainda era povoado Jenipapeiro-Picos). Já publicou mais de 40 livros e anda em busca de um editor para publicar os que lhe faltam: cerca de 10 (dez) entre poemas, contos, crônicas, crítica literária e romance. E-mail: franciscomigueldemoura@gmail.com
                                                                      


quinta-feira, 4 de outubro de 2018

DOIS POEMAS DE CASSIANO RICARDO - Pesquisa de Francisco Miguel de Moura

 2 POEMAS DE CASSIANO RICARDO*

LUA CHEIA

Boião de leite
que a Noite leva
com mãos de treva
pra não sei quem beber.

E que, embora levado
muito devagarzinho,
vai derramando pingos brancos
pelo caminho...

RELÓGIO

Diante de coisa tão doída
conservemo-nos serenos.

Cada minuto de vida
nunca é mais, é sempre menos.

Ser é apenas uma face
do não ser, e não do ser.

Desde o instante em que se nasce
já se começa a morrer.

      
_______________________
*Pesquisa do poeta Francisco Miguel de Moura, Cassiano Ricardo foi um dos mais importantes do Modernismo, no Brasil.

domingo, 30 de setembro de 2018

PENSAMENTOS DIVERSOS - CITAÇÕES SOBRE O AMOR

       O amor não é um sentimento exclusivo aos seres humanos. Os animais também têm a capacidade de expressar seu amor uns pelos outros. E embora possam expressá-lo de maneiras diferentes, a aparência do amor é perceptível à primeira vista. Aqui estão 15 pensamentos lindamente captados pelo fotógrafo Goran Anastasovski, que demonstram que, mesmo as criaturas mais inescrutáveis, têm a capacidade de mostrar seu vínculo amoroso. Esperamos que você goste desta série de 15 citações maravilhosas sobre o amor!

 1 - O amor não se vê com os olhos, mas com o coração - William Shakespeare.
2 - A medida do amor é amar sem medida - Santo Agostinho.
3 - O amor é a força mais sutil do mundo – Gandhi.
4 - Nascemos para amar. O amor é o princípio da existência e o seu único fim - Benjamin Disraeli.
5 - Quando se ama não é preciso entender o que se passa lá fora, pois tudo passa a acontecer dentro de nós - Paulo Coelho.
6 - O amor é um flor; você precisa deixá-lo crescer - John Lennon.
7 - Os que amam profundamente jamais envelhecem; podem morrer de velhice, mas morrem jovens - Martinho Lutero.
8 - Queria ter dois corações. Um para amar, o outro também. - Sérgio Vaz.
9 - Duas almas com um mesmo pensamento. Dois corações que batem como um só - Friedrich Nietzsche.
10 - Quando dois corações se querem entender, ainda que falem hebraico, descobrem-se logo um ao outro - Machado de Assis.
11 - Um coração feliz é o resultado inevitável de um coração ardente de amor - Madre Teresa.
12 - As paixões cegam, mas o verdadeiro amor nos torna lúcidos – Desconhecido.
13 - Aqueles que se amam e são separados podem viver sua dor, mas isso não é desespero: eles sabem que o amor existe - Albert Camus.  14 - A primeira tarefa do amor é ouvir - Paul Tillich.  
15 - O amor não tem idade, não tem limite e nunca morre - John Galsworthy.

terça-feira, 28 de agosto de 2018

VIDA, LITERATURA E OBRAS - FRANCISCO MIGUEL DE MOURA


Francisco Miguel de Moura, 
Membro da Academia Piauiense de Letras.



            Em algum lugar, li ou ouvi de um acadêmico que seria simpático se todos os discursos acadêmicos começassem citando o patrono e ocupantes da sua cadeira. Concordando com a assertiva digo: o patrono da cadeira nº 8 é J. Coriolano (José Coriolano de Sousa Lima), de quem pretendo escrever uma biografia, se me houver tempo e saúde. Os ocupantes anteriores foram Antônio Chaves, Breno Pinheiro, Celso Pinheiro Filho e Francisco da Cunha e Silva. Dito isto, afirmo que minha vida literária começou com um poema que escrevi em papel embrulho, na loja de tecidos onde eu trabalhava, lá pelo começo dos anos 50, do século XX, no povoado Jenipapeiro. Mostrando-o a meu amigo Sebastião Nobre Guimarães, ele disse: “Se você consentir, vou levar seu poema para publicar no jornal “Flâmula”, dos estudantes do “Ginásio Marcos Parente”. O poema nominado de “Teu Valor” foi, de fato, publicado no jornal, e foi esse ocorrido que ocasionou minha mudança para Picos.
            O poema: “És filha de sangue azul, /Rainha de norte a sul / Princesa do meu torrão? É meigo o teu ar de riso, / Baloiçando o puro friso / Das belezas de um Éden. / Ai! me dói o coração / Ver a tua condição / Tão diferente da minha: / A tua mais se dilata,  A minha mais se definha! Ora sinto-me aprazer, /Na beleza do seu ser / Ora me sinto um ninguém. / De cobiça é meu viver, / É um triste vai-e-vem.
            Outros poemas seriam publicados no jornal dos estudantes e em outro de nome “A Gazeta”, editado pelo Odonel Castro Gonçalves, que estava concluindo o ginásio, que depois, segundo soube, foi embora para Fortaleza, onde continuaria seus estudos superiores. No Ginásio, tornei-me o primeiro aluno da turma e por isto não pagava a mensalidade. O “Ginásio Marcos Parente”, apesar de ser estadual, não era de graça: Os alunos tinham que entrar com sua contrapartida para poder sustentá-lo.
           Assim, com Ginásio de graças, com roupas e livros emprestados por meu parente e amigo Milton Portela Costa (que já ia para o segundo ano do curso), tive tempo para estudar e ler bastante, os poetas Manoel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, J. G. de Araújo Jorge e Fernando Pessoa entre tantos outros da modernidade, porque os antigos eu já havia lido na escola de meu pai (onde fiz o primário) e na casa de meu avô, que tinha os principais românticos: Castro Alves, Gonçalves Dias, Casimiro de Abreu e Álvares de Azevedo, além do Príncipe dos Poetas Brasileiros, Olavo Bilac, o qual eu já lera nos livros da coleção “Coração de Criança”, adotados por meu pai, professor  na escola primária. Li também muita prosa de ficção: Humberto de Campos, Euclides da Cunha, Machado de Assis, José de Alencar, Visconde de Taunay (“Inocência”), livro que inicialmente me inspirou a escrever romances). Minhas leituras atravessavam o Atlântico e foram até Eça de Queirós, em Portugal, e aos romancistas franceses, que foram tantos.  Poesia, continuava fazendo, muitas foram para o cesto, algumas escaparam até publicar o primeiro livro “Areias”, em 1966, já morando e laborando em Teresina, vindo do interior da Bahia, cidade de Itambé, onde fui exercer o cargo de Chefe da Carteira Agrícola e Industrial do Banco do Brasil. Lá também li muito. Minha biblioteca era grande, sobretudo de poesia e de história do Brasil e história geral.
            A partir do terceiro ano do Ginásio, em Picos, em já havia entrado para o Banco do Brasil, no cargo de Auxiliar de Escriturário. Aí, então, não precisava ficar na casa do meu parente, Abraão Corado da Costa, pai do Milton Portela Costa: Fui para um hotel até casar-me com Maria Mécia Morais Araújo, que passou a acrescentar Moura ao nome, como de costume, e com quem tivemos 5 filhos: 2 em Picos, 2 na Bahia e 2 em Teresina: Franklin, Laudemiro, Miguel Jr., Fritz e Mecinha. Para acertar a conta, em Itambé-(BA) faleceu meu segundo filho, de nome Leônidas Fulton, motivo de um dos meus poemas daquele tempo, o qual, como o já citado, permanece inédito em livro que jamais publicarei. 
          Vamos ao poema: "Nascido em berço de flores, / sorveste em vida perfumes... / E aqui, na morte, amargores!... // Vida, vida passageira!... / Morte, morte traiçoeira! Teus golpes há quem descreva? // Lembro a dor que padeceste, / neste mundo, meu amor, / tua morte, tua dor. // Com suspiros, comoveste / quantos te ouviram, meu bem. / Cedo voaste pra  o Além. // És um anjo de Jesus: /- Na terra apagaste a treva, / No céu acendeste a luz".                      
            Trabalhando no Banco do Brasil, em Teresina, fiz a Faculdade de Filosofia e Letras, à noite, e ao mesmo tempo escrevia e publicava nos jornais. Assim, criei minha maior obra de crítica literária, “Linguagem e Comunicação em O. G. Rego de Carvalho”, editada no Rio de Janeiro (RJ) e distribuída, criticada e elogiada em todo o Brasil, inclusive passando a figurar no livro “História da Crítica no Brasil” do Prof. Wilson Martins – o grande crítico literário do Brasil.  De pois de “Areias”, minha estreia em 1966, com prefácio belíssimo de Fontes Ibiapina, fui publicando obras que, ao todo, são mais de 42 livros, se contarmos com as segundas edições de “Literatura do Piauí” e “Poesia (In)Completa”, respectivamente pela Universidade Federal e pela Academia Piauiense de Letras e mais ainda a recente “Minha História de Picos”, também edição da Universidade Federal do Piauí, que foi lançada na ALERP-Picos,  no Centro Cultural “Alaíde Marques”, em Jaicós (PI), e está sendo lançada, oficialmente, aqui. “Pedra em Sobressalto”, altamente elogiando pela escritora carioca Rejane Machado, entre outros críticos de igual valor e “Universo das Águas”, aprovado pelo grande poeta Carlos Drummond de Andrade, são os mais destacados de minha obra.
            Tudo isto e muito mais está em “Minha História de Picos”, onde conto, em forma de crônica. Acredito que faço uma renovação das narrativas portugueses da época trovadoresca, os quais se movimentavam em torno dos reis e das famosas obras apelidadas de “cavalaria” - em cujo ramo, até hoje, ninguém superou Miguel Cervantes, com o seu “Dom Quixote”, inaugurando o romance ocidental.  Mas chamo a atenção dos ouvintes, leitores e confrades, para a quantidade de nomes e sobrenomes de pessoas que cito, sem ser uma obra tipicamente genealógica. Calculado em cerca de 5.000 nomes de pessoas e famílias, material que me fez construir a obra, sem falar na emoção e no carinho com que dedico a essas pessoas.
 __________________         
Discurso impronunciado no dia do lançamento do livro MINHA HISTÓRIA DE PICOS, na Academia Piauiense de Letras, em 25-8-2018. Francisco Miguel de Moura, poeta, critico literário, contista e romancista, mora em Teresina - Piauí.              

sábado, 11 de agosto de 2018

INTERLAGOS - TROVAS PARA SOLON



                                JOSÉ SOLON REIS (foto)


Francisco Miguel de Moura*
      (Autor das Trovas)







Solon tem uma fazenda
Onde estivemos um dia,
Depois do café, a agenda,
E ele próprio de guia.

Eu e ele (e a Mécia ia):
Um passeio de encomenda,
Em tão calma companhia,
Aos dois lagos e à fazenda.

Nunca vi tanta beleza!
Juntos a gente descia
A trilha, que por surpresa,
Ninguém cair não caía.

Água fresca para o banho:
Como a gente se extasia!
Oh! tempo bom sem tamanho,
Sol nascente, um belo dia!

Se houvesse tempo pro banho,
Oh! A gente banharia!
Assim mesmo, quanto ganho
Vendo a água que escorria.


Em dois, o lago se abria
E os peixes...Quase eu apanho
Com a mão, que já tremia
Ao vento fresco tamanho!

Água limpa, sem arranho...
O morro ao longe extasia
E o cheiro da mata, o ganho
Que a fazenda oferecia.

Descrevendo seu amanho,
Perguntei por sapo e jia,
Das que saltam e, em rebanho,
Cantam de noite e de dia:

- “Só na noite sem tamanho...
E os pássaros vêm de dia,
Eles cantam com assanho,
Na madrugada mais fria.”

“Mais tarde vem o rebanho,
Todos cheios de alegria,
Buscando rações e amanho,
Trazendo cantos de orgia”. 

“Dias alegres... Que ganho!
Tão logo que rompe o dia!
Quando é noite já me apanho
Em Jaicós, minha guia”.

Agora mudo de rima,
Pra mostrar o passadiço
Que a gente salta por cima:
Facas cruzadas ou feitiço?

Não!... Era a paz que anima
A criatura...  E por isso,
Saltamos os três por cima,
Sem milagre, lembro disso.

Serviçal também havia
Pra fazer todo o serviço.
E uma porca que grunhia
E ao longe um cão bem roliço.

Na casa, cobra não ia
Por causa do passadiço
E da cerca que o seguia,
Pra não se furar no enguiço.

Bastante perigo eu via,
Mas enfrentei, dei sumiço.
Vencendo o perigo eu ia
Pisando o chão movediço...

De areia e pedra, era isso
Que no outro lado havia.
Na volta, não fico omisso,
O mesmo salta eu fazia.

No salto pra dentro atiço
O olhar na casa que havia,
Casa limpa por serviço
Do serviçal que o servia.

Agora, pra terminar,
Deixo a rima por enfado...
Sua viola foi tocar,
E nós ouvindo ao seu lado.

Tomamos cerveja e vinho,
Ouvindo o tom-poesia...
Sem precisar de adivinho
Pra predizer a alegria.

Maior alegria, a nossa,
Por tão doce melodia.
E, alegre, sem fazer mossa,
Parou...Voltar, quem queria!

O dia estava em metade,
Voltamos naquele dia
Para o almoço de verdade
Que ele mandava e servia.

Solon tem tão alta estima
Por fazer tudo o que faz...
Muito obrigado não rima,
Mas é o que a gente traz.

Parabéns, grande Solon,
Com estes versos na mão,
Por tudo o que faz de bom,
Por seu grande coração!...
                            
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*FRANCISCO MIGUEL DE MOURA, POETA BRASILEIRO, MORA EM TERESINA, PIAUÍ, BRASIL. SOU AMIGO INCONDICIONAL DE SOLON REIS DE SOUSA - POETA.






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