sexta-feira, 1 de outubro de 2021

 


                                    Francisco Miguel de Moura

 

POEMA

Tudo o que te veste 

me devasta.

E assim me anima.


O branco sobre preto

o róseo, o verde, o encarnado.

 


A pele de tão fina, afina

e anseia desvestir-se 

meio a meio,

– o vento já se inclina.

 


Anjo, meu, ao contrário

que subiu do inferno

para trazer-me o céu

pecado…


No teu passeio lindo

sobre a terra

de ponte pênsil

duro de medo

eu paro.


terça-feira, 14 de setembro de 2021

 


MAIS TROVAS

      Francisco Miguel de Moura*

 

Porque me olhas tantas vezes,

qual antiga namorada?

É causa dos teus revezes:

- Bonita, besta e barata?

 

Não sou rico nem sou pobre,

sei que não me vês assim.

Mas não sabes que sou nobre,

que de ti não estou a-fim?...

 

Não me importa, alguém me quer,

quem me ouve, quem me abraça,

recebo, e este é meu mister:

Abraço e beijo, com graça.

 

Branca, morena, o que vier,

e atravessamos a praça...

Já não é uma qualquer,

sem lambança e sem trapaça.

 

Feio, pra muitos, contudo

tenho muitos predicados.

Se alguém me quer, não iludo,

vem apagar meus pecados.

Vem viver em harmonia

com a beleza espiritual.

com o amor e a simpatia

que apagam tudo afinal.

-------------

 *Francisco Miguel de Moura, / um trovador sem igual, / residente em Teresina, / nossa bela Capital.

 

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

 

CANTIGAS COLORIDAS

             Chico Miguel de Moura

 

Num caderno amarelado

Encontrei estas cantigas

Que foram postas de lado

Pra não causar mais intrigas:

 

“Cada fantasma é um elo

                                                               Na Brasília do ideal:

  - Fernando Color de Melo,

por que te findaste mal?

 

Foi tua gravata louca?

Foi teu terno de vilão?

Foi tua vergonha pouca?

Ou foi tua solidão?

 

Se a nada tu renuncias,

Se de nada te defendes,

Por que tanto tuas espias,

Entre magos e duendes?

 

Se o povo te renuncia

E a história também,

Pisaste na bola um dia,

Nunca mais te darás bem".

 

terça-feira, 31 de agosto de 2021

 


A BELA E A FERA

 

 

                                 Francisco Miguel de Moura*

 

 

Minha santa d’outrora era de prata

loura, de olhos azuis, dos meus anseios,

róseos os lábios, túmidos os seios,

boca cheirando a lua e serenata.

 

E em corpo e alma, a bela, a insensata,

de olho no sexo, em danças e rodeios,

iluminava os céus com seus meneios,

festa no coração, riso em cascata.

 

Hoje, minha alegria se destrata,

o calendário se transforma em fel,

não quero mais saber daquela ingrata.

 

Meu futuro é fumaça e tem venenos...

Sem mais tempo, esvazio o meu tonel,

que um dia a mais é sempre um dia a menos.

 

 

A CADA DIA...

 

 

A cada dia a gente é um desafio

à grande noite e vai sonhando o mundo

sem tempo... A gente vai chegando ao fundo

da gente mesmo! E o cheio está vazio.

 

A cada dia a esfinge fere o fio

do medo, da avareza... E, de segundo

a segundo, o buraco é mais profundo

das coisas que passaram como um rio.

 

A cada dia a gente se amargura

com o futuro mais perto. Uma loucura!

E então desabam as tristezas de antes.

 

E a cada dia a gente é tão pequeno,

que o próprio doce é mais do que veneno

pois já morreram todos os amantes.

 

 

A INTEIRA VOZ

 

 

Ser bela e jovem pela vida em fora,

desejo ardente e tanto acalentaste,

não percebendo as horas do contraste.

como o florir da pedra que não flora.

 

Mas sei quem foste, sei quem és. Demora!

Verás, num instante, a foto que ofertaste,

Descorando, qual flor que caiu d’haste:

És teu pai de ontem, tua mãe d’agora...

 

Contra as marcas das nossas aventuras

verás, no que inda sou, tuas loucuras,

teu futuro verás no que hei de ser.

 

Tudo por si se acaba, não tem jeito,

mas tua voz calada no meu peito

há de durar comigo até morrer.

 

 

ALADO

 

 

Homem do instante  (do amanhã), sangrado

nas decisões e nos contornos,  mais

desesperando que antes do passado,

no vão lutar (sem fé, procura a paz)

 

qual se não requeresse o de direito,

mas o de tenso e turvo amor parado,

vai na ordem inserido, só desfeito

no que, pelo fastio, põe-se alado.

 

No dia aterrador, desconhecido,

dura séculos, faz-se em desamor

ou em piedade: Por pedir, perdido

 

nos olhos e nos lábios, sem a cor

do gesto a rebentar-se. E, ressequido,

o corpo a desejar o que não for...

 

 

ALMA TATUADA

 

Alma estranheza e voz do entardecer,

sem estrelas no céu, nem luz, nem gosto!

Meu olhar cinza - tanto é meu desgosto

que o sol se me apagou antes de ser.

 

Essa é minha alma, tenho-a sem saber

há quantas eras!  Que princípio deve

voar assim e parecer tão leve,

como para cair e ensurdecer?

 

Alegria?  Na vida, a desgraçada

nunca teve nem viu em rosto alheio,

por isto seu futuro é quase nada.

 

Alma inquieta que se quer parada,

finge a vida da carne mas, no seio,

– alma tão alma em dores trespassada.

__________

*Francisco Miguel de Moura, poeta brasileiro, membro da Academia de Letras da Região de Picos, da Academia Piauiense de Letras, da União Brasileira de Escritores e da Assosciação Internacional de Escritores e Artistas.

sábado, 28 de agosto de 2021

 


LIBER... (Quintilhas)

                 Francisco Miguel de Moura*

Ai, corona-vírus,

“atchins” pra lá,

vai-te, satanás!...

Suspiram os corpos

e almas também

vacinas certeiras...

A ciência trará,

pois Deus vai na guia.

Maldito,

desde manhã cedo,

são “necro” hospitais...

Não se abram portas,

eis nossa revolta...

O bem voltará...

Olhemos as árvores

verdes... Tão quietas...

Quanto é bom ser elas,

galhos, folhas, frutos,

para te enganar...

Vê-las é preciso,

enquanto, te juro,

minha lira afiar...

Vai-te Satan, vais!

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