segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

FLOR DE PLÁSTICO





Francisco Miguel de Moura*







As flores compradas na florista
São um jardim em casa, um jarro
Com falta de ar, sem alegria.

Não exalam, nem suam,
Nem vivem,
Como os habitantes desta cidade,
Se não abrem as janelas
Ou não saem
E “shoppizam” e “chopisam”...

O homem sozinho é uma ferida
Com casca
De flor plastificada.

___________________
*Poeta, membro da Academia Piauiense de Letras (Teresina – PI) e da Associação Internacional de Escritores e Artistas (Toledo – EUA)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

DIA BRANCO

Letra em busca de uma canção

1


Francisco Miguel Moura*




Hoje nenhum poema me encontra.

Arreliado,
Deixo a musa por conta da música
Da vida e dos acontecimentos
Que não merecem poesia.

Porque o nada me chama
À beira do rio,
Para esvaziar o meu vazio.

E escolher, talvez, entre a natureza
E a imersão no branco que me angustia.


____________________
*Francisco Miguel de Moura, brasileiro, mora em Teresina. Poeta que canta e encanta o eu e os outros “eus” que no mundo habitam.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

ANDERSON BRAGA HORTA - POETA NACIONAL


POESIA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA

ANDERSON BRAGA HORTA

I - POEMAS

O TEMPO DO HOMEM

Quando chegar o tempo do Homem
Te cantarei os seios róseos,
Viajarei, lírico astronauta,
Às constelações de teus olhos

Quando chegar o tempo do Homem

Nas minhas mãos vinte um satélites
Trarei, sorrindo, aos nossos filhos.
No vaso a rosa, inofensiva

Quando chegar o tempo do Homem

Mortos os sóis exorbitantes,
Alto, o Sonho achará sua órbita
E então nos amaremos lúcidos

Quando chegar o tempo do Homem

Não de escasso amor conjugado
Num futuro condicionado.
Amor atual, lauta romã

Quando chegar o tempo do Homem

Amor sem susto, amor unânime,
Amor sem resíduos de estrôncio,
Amor sem filamentos de ódio

Quando chegar o tempo do Homem

Possamos tê-lo antegravado
No branco olhar dos nossos filhos,
Se forem cinza os nossos olhos

Quando chegar o tempo do Homem

Como anuncia-se o relâmpago
Que cegos-surdos o pressentem,
Assim - súbito - o saberemos

Quando chegar o tempo do Homem

Pois, quando for o tempo, rútila
Rosa na mão do Povo aberta
Nos dirá: Llegó! È evnuto!
Chegado é o tempo!
Tempo do Homem.


AÉREO

O melhor de mim
está solto no vento.
Mãos, raízes, searas
e outras nuvens que invento.

Ai, o melhor de mim
no vento é que está.
Utopias, pandorgas
que menino avento.

Entretanto maduro
para todos os ares,
os semeio, e mais colho
aurassóis: cata-vento.

E, arando brisas, onde
me lamento, aí canto.
Pois o melhor de mim
frutifica no vento.


ÓRFICA

1.

Que ser é esse de que o céu se espanta?

O corpo esquartejado
levam-no os rios, bebem-no os mares,
vai com o vento nos ares.
Faz-se terra na terra.
Torna-se nada em todos os quadrantes.

Mas a cabeça canta.

2.

Que corpo é esse arcaico
animado de um fogo
entre o sagrado e o laico?
Corpo que se destroça,
fogo que se levanta.

3.

Ai, o corpo se esfaz em limo, em lama.
As pernas, extintas, erram por seiva.
As mãos, arrancadas, crispam-se por frutos.

Mas a cabeça
canta!


TELEX

Para Rumen Stoyanov

a poesia é a fonte em que ativamos a sede.
a poesia é o alimento que impede a saciedade.
a poesia é o espinho que nos protege da flor.
mas a poesia é flor, ou promessa de flor.
a poesia é a rosa que inventamos prévia.
a poesia é o nada nos-criador que modulamos.
a poesia não é a rede, nem o mar, mas o lançar da rede ao mar.
a poesia é o plágio do não visto.
atenção:
a poesia é uma explosão controlada.


TANGENTE

No Mar Encoberto
p l á c i d o
ideiaemoção (palavra) =
a c (s)
b’ r o
cego(s) na superfície. Nas
entrepalavras verde-
(rasgada agora crespa)
-lucila a água fluidíssima.
Sobrejacente a
nave navega, nada.



SONETO ANTIGO

Tanto, tanto de amor me eu tenho dado,
hei-me em tantas fogueiras consumido,
que fora de esperar no peito ardido
nada me houvera de ilusão sobrado.

Porém quanto mais sonhos hei nutrido
deste manancial inesgotado,
mais o tenho, no peito, avolumado:
que mais forte é amor, se dividido.

E se o destino tenho marinheiro,
volúvel me não chamem, ou perjuro:
que do amor sou apenas passageiro,

em porto inda o mais doce, não aturo,
e no mesmo travor do derradeiro
já prelibando estou o amor futuro.


OLHOS


De repente descubro
a lavada beleza de teus olhos.
(Entre mim e o sono
trazes um sol nos lábios
e nos seios Vênus.)
Teus olhos são como céus que choveram.



II - BIOGRAFIA

Escritor versátil, produtivo e presente

ANDERSON BRAGA HORTA nasceu em Carangola, MG, em 1934. Reside em Brasília desde 1960. Poeta, contista, ensaísta e tradutor. Seus livros, em poesia: Altiplano e Outros Poemas, Marvário, Incomunicação, Exercícios de Homem, Cronoscópio, O Cordeiro e a Nuvem, O Pássaro no Aquário (saídos entre 1971 e 1990) e outros até então inéditos foram enfeixados em Fragmentos da Paixão – Poemas Reunidos, S. Paulo, 2000 e ganhador do Prêmio Jabuti 2001. Além disso, publicou Pulso, S. Paulo, 2000, Quarteto Arcaico, Jaboatão, 2000, Antologia Pessoal, Brasília, 2001, 50 Poemas Escolhidos pelo Autor, Rio, 2003, e Soneto Antigo , Brasília, 2009.
Em prosa: A Aventura Espiritual de Álvares de Azevedo: Estudo e Antologia (2002), Sob o Signo da Poesia: Literatura em Brasília (2003), Testemunho & Participação: Ensaio e Crítica Literária (2005), Criadores de Mantras: Ensaios e Conferências (2007) e, em ficção, os contos de Pulso Instantâneo (2008).
Traduziu e publicou Traduzir Poesia (Thesaurus, 2004). Em parceria, traduziu ainda, entre outros: Poetas do Século de Ouro Espanhol / Poetas del Siglo de Oro Español, com Fernando Mendes Vianna e José Jeronymo Rivera; Estudo Introdutório de Manuel Morillo Caballero (Thesaurus / Consejería de Educación y Ciencia de la Embajada de España, 2000); Poetas Portugueses y Brasileños de los Simbolistas a los Modernistas, org. de José Augusto Seabra (Instituto Camões / Embaixada de Portugal em Buenos Aires / Thesaurus, 2002; versão para o espanhol, com Rodolfo Alonso, José Jeronymo Rivera, José Antonio Pérez, Kori Bolivia, Manuel Graña Etcheverry, Rumen Stoyanov e Ángel Crespo; notas sobre os poetas brasileiros por José Santiago Naud); Victor Hugo: Dois Séculos de Poesia, com Fernando Mendes Vianna e José Jeronymo Rivera (Thesaurus, 2002); O Sátiro e Outros Poemas de Victor Hugo, também com FMV e JJR (Galo Branco, Rio, 2002); Antologia Pessoal de Rodolfo Alonso, com José Augusto Seabra e José Jeronymo Rivera (Thesaurus, 2003); Contos de Tenetz, Antologia de Yordan Raditchkov, com Rumen Stoyanov (Thesaurus / FAC, 2004); História dos Ideais, de Eduardo Mora-Anda (Thesaurus, 2006); Antologia Poética Ibero-Americana, com Fernando Mendes Vianna e José Jeronymo Rivera, org. de Pavel Égüez (Cuiabá, 2006).

III - DEPOIMENTE PESSOAL

Nasci na cidade mineira de Carangola, em 17 de novembro de 1934. Meu pai, o advogado Anderson de Araújo Horta, e minha mãe, Maria Braga Horta, eram professores e poetas. Assim, criado num ambiente de respeito à cultura e amor aos livros, posso dizer que recebi em casa mesmo os primeiros estímulos literários.
A família morou, sucessivamente, em Carangola, Manhumirim, Belo Horizonte, novamente em Manhumirim, depois em Resplendor, Mutum, outra vez em Carangola. Já então acrescida dos manos Arlyson, Augusto Flávio e Maria da Glória. Em 1942 fomos para Goiás, passando três anos na antiga e dois na nova capital do Estado. Em Goiás Velho nasceu o caçula, Goiano.
De volta a Minas, novo périplo em redor de Manhumirim, onde residiam meus avós maternos: Aimorés, Mantena, Lajinha, cidades que eu visitava nas férias, pois, tendo começado o ginásio em Goiânia, fiz, nesse período (de 1947 a 1953, para ser exato), as três últimas séries em Manhumirim e o clássico em Leopoldina. Já me encontrava no Rio de Janeiro, cursando Direito, quando para lá se mudou a família, em 1956.
Transferi-me para Brasília em julho de 1960, como redator da Câmara dos Deputados, a cujo serviço fora admitido em 1957 como datilógrafo. Os irmãos foram também atraídos pelo Planalto Central, a que finalmente aportaram os pais, em 15 de novembro de 1964.
Exerci ainda o jornalismo e o magistério, tanto no Rio quanto em Brasília. Meu primeiro trabalho, contudo, foi como securitário, na Velha Capital, a não ser pelos meses em que lecionei no Seminário de Leopoldina, cidade em que prestei, após o curso clássico, o serviço militar (tiro-de-guerra).
Já radicado em Brasília, casei-me no Rio, em 1962, com a capixaba (de Cachoeiro de Itapemirim) Célia Santos. No ano seguinte nasceram os gêmeos, brasilienses, Anderson e Marília.
Meus pais aqui faleceram, mamãe em 1980, papai cinco anos depois.
As primeiras impressões literárias que retenho datam da cidade de Goiás: uma página de Humberto de Campos em que o autor, na primeira pessoa, confessava um furto de menino —o que me deixou consternado—; e o “Pequenino Morto”, de Vicente de Carvalho, cujos melodiosos hendecassílabos encheram minha alma infantil de tristeza. Em Goiânia me tornei leitor voraz de histórias em quadrinhos e de todos os livros que havia em casa — Gato Preto em Campo de Neve e Clarissa, Ecce Homo e Assim Falava Zaratustra, Meu Destino É Pecar (isso mesmo, o livro proibido de Nélson Rodrigues) e o mais em que pude pôr a mão e os olhos. A impossibilidade de compreender tudo não era obstáculo ao entusiasmo do jovem devorador de letras.
Por essa época, apesar da força atrativa dos quadrinhos, que me guiou a mão numa série de rabiscos, até mesmo numa historieta de texto e desenhos típicos, o autor mais amado foi, sem dúvida, Monteiro Lobato, por sua obra infanto-juvenil, que reputo ainda hoje incomparável.
Mas quem me levou a escrever poesia, conforme tenho repetido em páginas de depoimento literário, foi mesmo Castro Alves. As primeiras tentativas, frustradas, resultantes em prosa ritmada, datam de Manhumirim, ao tempo em que freqüentava o Colégio Pio XI. As primeiras realizações, de Leopoldina, em 1950.
A outra grande influência de então foi Bilac. E, depois, tantos poetas que nem convém enumerar! Dos clássicos aos românticos, dos parnasianos aos simbolistas, desses aos modernos, que me ensinaram a quebrar o verso, sem descartar a tradição.
Penso que o poeta não pode deixar de se assenhorear das técnicas do verso, embora a técnica, obviamente, não seja tudo. Que ao escritor compete extrair do potencial de sua língua toda a cintilação que possa, dignificando-a sempre. Que escrever é atividade intelectual, sim, mas não se esgota no âmbito do intelecto; que o poeta há de comover-se e comover, sim, mas não se há de entregar, ingenuamente, à emoção desassistida da inteligência, porque a emoção, por si só, não é ainda arte, não é ainda poesia. Que a esse amálgama de pensamento, emoção, sentimento que é o poema não se deve tolher o voltar-se para a sorte do homem no espaço e no tempo, seja do ponto de vista filosófico, seja do social; pois à poesia, arte da palavra, interessa necessariamente tudo o que de humano se possa representar nela. E que, portanto, a arte do poeta há de ser mais complexa, mais completa, mais abrangente e mais profunda do que tendem a fazê-la os jogos —algumas vezes brilhantes— a que pretendem reduzi-la correntes revolucionárias.
Isso posto, confessadas, via de conseqüência, as minhas próprias limitações, passo, com a possível humildade, ao balanço de quatro décadas de produção poética —omitida, quase totalmente, a inicial —, balanço em que, de algum modo, se traduz a seleção de poemas que ofereço ao leitor.

Brasília, 31 de maio de 1999.
web: plataforma.para a poesia.nom.br
jornal de poesia
antônio miranda




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*Francisco Miguel de Moura, poeta, residente em Teresina, Piauí, coligiu os presentes dados em vários sítios e blogues da web, entre os quais web: plataforma.para a poesia.nom.br
jornal de poesia
antônio miranda
acresentando mais alguns outros elementos, com o único propósito de divulgar a poesia daquele que considera, hoje, um dos três ou quatro melhores poetas vivos do Brasil.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Livro Denuncia Rapto de Crianças





"Sei que não vamos parar os raptos, mas se conseguirmos fazer com que eles diminuam estaremos salvando vidas" (Léo Montenegro) Lhe convido a fazer parte dessa causa.

Amados irmãos, apresentamos aqui uma entrevista realizada com Leo Montenegro, autor do livro Crimes Satânicos. O livro, além de denunciar o rapto organizado de pessoas com objetivo serem sacrificadas em rituais de magia negra dentro e fora do Brasil, apresenta casos que vêm acontecendo em todo o mundo. Acompanhe as revelações do autor, que no momento já prepara mais um volume sobre o tema. A entrevista foi realizada pela irmã Wilma Rejane para a UBE. Ao final do post, saiba como participar da promoção e concorrer a exemplares do livro.

1 - De que forma surgiu a idéia do livro Crimes Satânicos?

Na verdade foi através de uma noticia sobre um desses crimes onde uma mãe sacrificou seu próprio filho de menos de 3 anos em um ritual de magia negra. Essa noticia trazia fotos da cena do crime e confesso que isso me abalou e me fez perguntar de onde vinha maldade tal a ponto de uma mãe matar e esquartejar o corpo do próprio filho.

Então comecei a pesquisar sobre o assunto e descobri que mesmo a mídia não divulgando, esses crimes acontecem a todo o momento e em todo o lugar. Comecei a encontrar muita coisa, tive acesso a cenas de crimes, fotos e tudo o mais, sempre com apoio de pessoas do mundo todo, incluindo policia, perícia, investigadores, familiares de vítimas, etc.


É terrível saber que em alguns cultos satânicos há mães que geram filhos para que, logo ao nascer, sejam sacrificados nos altares satânicos, e isso passa despercebido, pois essas “mães” não dão a luz em hospitais. No inicio não tinha idéia de escrever um livro, mas conforme fui descobrindo muitas coisas resolvi compartilhar com as pessoas e aí sim surgiu a idéia do livro. Na verdade o Crimes Satânicos terá pelo menos mais um livro, que será um segundo volume.

2- De onde veio o apoio para a realização do trabalho?

Conforme pesquisava e colhia depoimentos, muitas pessoas se mostravam interessadas em ajudar com matérias, contatos, traduções (inclusive em russo), e citavam casos.Tentei contatar parentes de crianças desaparecidas ou vitimas de rituais satânicos, mas foi muito difícil, pois essas pessoas vivem com medo e não sabem em quem confiar devido ao descaso com que foram tratadas pela sociedade e até mesmo autoridades, pois no Brasil a luta por justiça é muitas vezes uma luta silenciosa.

É muito triste a forma com que a causa dos desaparecidos é tratada nesse país. Como uma pessoa só é declarada desaparecida depois de 48 horas, se é sabido que as crianças raptadas e desaparecidas são mortas muitas vezes em até 24 horas.

Isso poderia mudar se os nossos políticos votassem leis que favorecessem uma pronta resposta das autoridades em caso de desaparecimento, porém sabemos que esses mesmos políticos estão mais preocupados em votar o aumento de seus próprios salários.

3 - Você enfrentou algum tipo de pressão durante o andamento dos trabalhos?

Creio que a maior pressão foi espiritual e o pior momento foi a descoberta de um Vídeo Snuff (que são vídeos de assassinatos reais filmados com o objetivo de comercialização, e descobriu-se a conexão desses vídeos com cultos satânicos e redes de pedofilia).

Esse momento foi o mais difícil, pois tive que assistir dezenas de vídeos com esse tipo de conteúdo inclusive vídeos de rituais de magia negra, e infelizmente a internet está cheia desse tipo de conteúdo. Passei por tudo isso, pois minha intenção era encontrar um Vídeo Snuff real, algo que até aquele momento era considerado “Lenda”. As cenas que eu vi e ouvi são de extrema maldade e posso dizer sim, que o mundo jaz no maligno.

Nesse momento muitas pessoas estavam orando por mim e isso foi essencial para concretizar o trabalho, pois pensei muitas vezes em desistir e até mesmo tive que parar o processo de pesquisa e investigação do livro, pois estava cansado, tendo crises de choro e não conseguia dormir à noite, pois ao fechar os olhos lá estavam as cenas em minha mente.

Minha esposa foi uma verdadeira mulher de Deus e peça importante para a concretização do trabalho, pois tinha momentos que eu não tinha forças nem para orar, talvez muitas pessoas possam ver isso como uma fraqueza, mas realmente tudo isso foi uma grande luta espiritual e com minhas próprias forças eu não teria chegado ao final. Então sei que foi Deus que me capacitou. Eu não escolhi escrever esse livro, mas era necessário que essa denúncia viesse à tona.

4 - O que mudou em sua vida após o trabalho de investigação e publicação do livro Crimes Satânicos?

Até o livro ser publicado foi uma grande luta como já falei, porém depois com o apoio da editora Naós e de muita gente que tem apoiado o trabalho eu me senti mais seguro, pois vi que realmente eu não estava sozinho em tudo isso, pude ver que muitas pessoas estão se mobilizando e se perguntando:“O que está acontecendo? Por que tantas crianças somem no país? O que eu posso fazer para ajudar a causa dos desaparecidos?

Muitas pessoas dizem que sou corajoso em fazer isso, mas a verdade é que Leo Montenegro é uma voz solitária na multidão e apenas um jovem acreditando no que diz 1 João 2-14.

Como Cristão acredito que temos que atender ao chamado de Deus para nossas vidas, e o “Eis-me aqui” é algo nobre nos dias de hoje e eu creio que todos podem ajudar na causa dos Desaparecidos, se você tem um blog, site, Orkut ou qualquer meio você pode se mobilizar divulgando textos, fotos, notícias - e com isso podemos sim salvar vidas e evitar que outras crianças sejam raptadas.

5 - Como você vê as noticias veiculadas recentemente na mídia envolvendo crianças em rituais com agulhas?

Esse caso foi uma exceção, pois a mídia nacional acabou divulgando o caso com toda a atenção. Desde o Caso Evandro de Guaratuba no ano de 1992 que eu não via a mídia dar tanta atenção a um caso envolvendo ritual de magia negra. Creio que esse caso fez muitas pessoas notarem que essa é uma prática comum e trouxe o assunto à pauta, tanto que quase todos os dias você pode ver novos casos sendo noticiados em toda a mídia.

Esses crimes acontecem com muita freqüência, para você ter idéia em Fortaleza uma série de crimes envolvendo rituais de magia negra estão acontecendo e isso não está sendo divulgado em lugar algum, a verdade é que os crimes continuam e ninguém foi preso até o momento ( Janeiro de 2010).

Na Tanzânia , Borundi e outros paises da África centenas de Albinos estão sendo mortos, esquartejados e seus pedaços estão sendo vendidos para serem usados em rituais de feitiçaria pois existe uma superstição entre os nativos de que feitiços feitos com pedaços de Albinos trazem poderes mágicos. Como podemos ver isso está acontecendo em todo o mundo, porem pouco se noticia sobre esses casos.


6 - Léo, o que você acha que deveria ser feito para tornar as buscas a pessoas desaparecidas mais eficazes?
O Cadastro Nacional de Desaparecidos seria muito eficaz na busca e catalogação dos desaparecidos no Brasil. Creio que campanhas do governo seriam de grande valia e até mesmo empresas poderiam colocar em seus rótulos de produtos fotos de crianças desaparecidas como muitas já fazem ou fizeram, parece que esse assunto para a sociedade é coisa do passado, mas os desaparecimentos continuam. A maior união e integração das policias brasileiras também seria muito bem-vinda. Mas eu ainda acredito que o maior passo pode ser dado por cada um de nós divulgando e ajudando essa causa, como falei há pouco.

7 - Tem algo, que você descobriu que não foi publicado? Por quê?
Existe muito conteúdo não publicado ainda e teremos um novo livro logo.Tenho recebido muito apoio de varias pessoas que me escrevem relatando casos, experiências e denunciando crimes.Tenho pesquisado essas denúncias e posso dizer que tenho em minhas mãos muito conteúdo.O que posso dizer é que no mínimo eu sei demais e isso é perigoso pois faz de mim um alvo fácil. Essa é a parte difícil de ser Leo Montenegro rsrs

8 - Que mensagem, você deixaria para as pessoas que estão lendo esta entrevista e que já leram ou pretendem ler o livro?

Leonardo da Vinci disse certa vez: “Aquele que não pune o mal, ordena que ele seja feito”. E eu acredito que até hoje essas crianças tem desaparecido com tanta freqüência no Brasil e no mundo pelo descaso com que esses crimes sempre foram tratados, então devemos denunciar esses crimes para que esses raptores se sintam acuados e assim possam agir com menos liberdade e freqüência.

Sei que não vamos parar os raptos, mas se conseguirmos fazer com que eles diminuam estaremos salvando vidas.

Sobre o livro, eu peço que leiam, mas depois de ler não deixem o livro parado na estante, emprestem para seus amigos da igreja, família, e seus pastores e líderes. Entendo que o livro é “pesado” e até não aconselho para que algumas pessoas o leiam, mas a mensagem dele não pode ser ignorada e nem ficar parada numa estante.

Obrigado à todos que me escrevem e compartilham suas experiências.

Deus abençoe a todos nós.

OBS: Para contatos com Léo Montenegro escreva para : leomontenegro09@gmail.com

9 – O livro está disponível nas livrarias evangélicas?

Sim. Os interessados podem também contatar a Editora Naós: www.editoranaos.com.br. E está disponível também em grandes lojas online, como Submarino, Americanas ou 100 % Cristão.

_____________________________

Caros irmãos: A União de Blogueiros Evangélicos, em parceria com a Editora Naós, vai sortear para os blogueiros 5 (cinco) exemplares do livro Crimes Satânicos. Para participar da promoção basta republicar em seu blog o texto acima, da entrevista realizada com o autor. Em seguida, insira um comentário no artigo na UBE, informando de sua participação, não se esquecendo de deixar o link de seu blog para podermos conferir. A promoção será válida do dia 15 até o dia 30 de Janeiro, e os livros serão enviados pelo próprio autor.


Sammis Reachers e
Wilma Rejane- via UBE

sábado, 16 de janeiro de 2010



GEMINIANO






Francisco Miguel de Moura*




Quando nasci, alguém me fez um susto:
Que eu fosse ver o céu, contar estrelas,
Pra saber se eram verdes, amarelas...
Minha mãe se espantou, como era justo.

E, levando-me aos braços, fez carinhos...
Recebi-os, por ter nascido um homem,
Sem beicinho, e falava: “Não me domem,
Não precisam mostrar os seus caminhos".

Teimei... Chorava e ria, não alheio
Ao que disse a parteira: "Não é feio
nem bonito... Mas tem olhos azuis".

Um dito justo aos
seres geminianos
Na condição dos dúbios mais humanos,
Pois sabem a poeta... E fazem jus.

______________

*Francisco Miguel de Moura nasceu em Francisco Santos, Piauí (Jenipapeiro, naquele tempo, e povoado do município de Picos), aos 16 de junho de 1933. Portanto, do signo de gêmeos. Poeta desde os 12 a l4 anos, quando leu Casimiro de Abreu, Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo, Castro Alves e outros românticos, na casa de seu avô paterno, Feliciano Borges de Moura (Sinhô do Diogo).

sábado, 9 de janeiro de 2010

REVIGORANDO...




FRANCISCO MIGUEL
DE MOURA*





Amo-te ainda como antigamente,
Minha antiga mente se renova.

A flor não se murchou ao sol
Nem na sombra da falta
Do teu rosto de outrora.

Meu sorriso não terminou,
Esmoreceu de tantas primaveras,
Veras sem rimas primorosas,
Nem alguma prima.

O cheiro vem de longe
E, diferente,
É o mesmo:
–Tem as marcas do tempo
E as manchas no rosto
Pelo suor seco e sem máscaras
Do temporal que passou.

_________

* Poeta brasileiro, já publicou cerca de 20 livros de poemas, tem 5 inéditos, mas como prosador tem 4 romances publicados, 3 livros de contos, l de crônicas, artigos de crítica em vários jornais do Brasil e Portugal, além da matéria que sai na internet. Meus blogs: http://revistacirandinhapiaui.blogspot.com franciscomigueldemoura.blogspot.com e abodegadocamelo.blogspot.com

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O BEM E O MAL EXISTEM?


Francisco Miguel de Moura*


Todo mundo que tem juízo sabe o que é o bem e o mal. E sabe que existem concretamente como o dia e a noite, a saúde e a doença, a liberdade e a prisão, a vida e a morte. E que a maioria da sociedade condena o assassinato, o roubo, a tortura, o estupro e os demais atos violentos que hoje são tão comuns, infelizmente.

Os atos violentos que causem prejuízo a alguém são condenados e, quando habitualmente praticados por uma criatura, essa criatura é a representação do mal. Quem mata o semelhante – o maior mal praticado contra alguém – pode até iludir-se que é bom para si, mas não é. Males menores, quando não afetam concretamente nenhuma pessoa, podem até ser perdoados pela sociedade. Afinal de contas, se aceita um mal menor na esperança de que não aconteça o pior.

Mas a bondade tem limites. Por isto o último prefeito de New York e candidato a presidência dos Estados Unidos, cujo nome não me vem à memória, acabou a violência da cidade, então uma das mais violentas do planeta, simplesmente punindo todos os desvios legais, desde a pichação aos roubos e assassinatos, crente que, com o crime, não deve haver condescendência. E ele tem razão.

Quem não sabe que uma agressão é maléfica? E é maléfica também ao próprio agressor. Os violentos têm menos saúde, menos paz, vivem pouco e com péssima qualidade de vida. A mania do agressor é dizer que foi agredido primeiro, o que não justifica, mesmo sendo verdade. Afinal, quer-se é não-violência, o bem – aquilo que com o mal jamais se alcançará. Tolerar a inconsciência? Nunca. Trabalho neles, escola neles, catecismo neles. E se esses corretivos não forem suficientes, que venha a punição que mereça.

O romancista Dostoiévski, em “Crime e castigo”, narra o personagem Rascólnikov expiando a culpa, mas crente de que matou a velha agiota para fazer o bem a si, a ela e à sociedade. Ora, matar não é solução pra nada. Por isto, não sou a favor da pena de morte: – O criminoso deve expiar sua culpa aqui, sim, perante a sociedade a quem feriu. Nunca deixar isto para o outro mundo. Pode ser que esse outro mundo não exista. A punição não deve ser como vingança, mas como justiça. A pena de morte, ao contrário, dá o direito de vingança e ninguém tem direito sobre a vida do outro, muito menos o estado, reconhecidamente um opressor. Também, qualquer tentativa de dominação que não seja legal é violência, maldade, seja física, moral, intelectual, espiritual. É o direito à liberdade de pensamento e expressão.

Até aqui vimos o que o Prof. Marcos Sidnei Pagotto, da UMESP chama de “grandes narrativas”: Deus, a razão, a consciência individual. E se refere também às “pequenas narrativas” – as contemporâneas: tribos, extremismo religioso, sucesso pessoal, em virtude de vivermos a globalização do planeta, o capitalismo avançado, o individualismo exacerbado e o oportunismo, onde tudo é objeto e o que conta é a felicidade pessoal por cima de tudo e de todos.

Assim, quer o ator tenha ou não consciência de crime e justiça, quer acredite em Deus ou não, quer pense como o personagem de Dostoévski, para o qual “se Deus não existe tudo é permitido”, deve ter julgamento e punição, pelos meios mais democráticos da sociedade, para que não formemos um futuro mundo de criminosos, o que seria a negação de tudo, toda a ética, moral, justiça, leis, amor e preceitos religiosos, a negação da nossa humanidade.

Apenas a punição interior é individual e cabe a cada um. Dela, certamente, nenhum criminoso poderá livrar-se até morrer. Mas a punição externa cabe à sociedade e nós também como sujeitos da cultura e da civilização que o próprio homem construiu, em milênios.

Enfim, fechemos com o que foi enunciado no início: O bem e o mal existem. Não é pergunta; é resposta. Mas o problema maior é saber como evitar o mal e incentivar o bem. A humanidade tem de lutar pelo seu alcance, pelos melhores caminhos, se quiser subsistir. Devemos perdoar os autores, o sujeito, mas o mal, nunca. Isto quer dizer que não se deve desistir da punição, tendo o cuidado, porém, de considerar o criminoso uma pessoa capaz de recuperação, mesmo que poucos queiram (ou consigam).


________________
*Francisco Miguel de Moura – Escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras, Teresina, PI, Brasil, e da International Writers and Artists Association (IWA). Toledo, OH, Estados Unidos da América

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

MILAGRE DA DIVISÃO


Francisco Miguel de Moura*


A burguesia é tonta de ganância;
somando, multiplica bens de terra.
Dá, egoisticamente, em abundância,
à traça. e tudo em podridão se encerra.

Por isto eu lembro o tempo do Messias...
E a multidão faminta por justiça,
vendo Jesus trazer melhores dias,
vergastando o orgulho, a vã cobiça.

E hoje arrenego quem, pelo egoísmo,
lança o mundo em miséria e confusão
e espezinha de Cristo o catecismo.

O bom Jesus deu mesa à multidão
com sete pães. Bendito qualquer “ismo”
que multiplique e faça a divisão.

_________
*Francisco Miguel de Moura, poeta brasileiro, membro da IWA - International Writers and Artists Association, Toledo, OH, Estados Unidos.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

ESCOLHA


Francisco Miguel de Moura


Do útero desperto
o caolho menino
fotografa o mundo
o tempo e a rua.

Tudo longe e perto.

Do nada que lhe sobra
soçobra uma réstia
de restos.

Só o rosto flutua.

_______________
*Francisco Miguel de Moura, poeta brasileiro, participa em revistas e jornais do exterior: Diário dos Açores, de Portugal: Clarín, da Espanha: Jalons, na França: Poemazia, na Itália, entre outros.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Crianças Desaparecidas: Links úteis



A causa das pessoas desaparecidas obteve no último dia 18 deste mês uma grande vitória. Foi aprovada a Lei 12.127, que cria o Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Desaparecidos. Segundo a Lei, o cadastro deverá especificar os dados pessoais e as características físicas das crianças e adolescentes desaparecidos. O objetivo é integrar, em tempo real, as informações entre o Ministério da Justiça e as Secretarias de Segurança de todo o país, além de órgãos internacionais e a sociedade civil em geral. A nova Lei já está em vigor, mas ainda falta a definição sobre a forma de acesso às informações do cadastro, e a forma de atualização das mesmas.

Mas ainda muito pode e precisa ser feito. Outras iniciativas podem ser implementadas. Assista ao vídeo abaixo, sobre o chamado Alerta AMBER. Uma excelente iniciativa norte-americana que pode ser implantada também no Brasil.




Sobre o tema, elaboramos ainda uma lista de links, para você se informar, interagir e colaborar de todas as formas possíveis:

SITES SOBRE PESSOAS DESAPARECIDAS:

Desaparecidos Brasil - http://www.desaparecidos.mj.gov.br/Desaparecidos/
Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas - http://www.cnpd.org.br
Bureau Internacional de busca a crianças, adolescentes e
adultos
desaparecidos - http://www.interbureau.org
Divulgando Desaparecidos -
http://www.divulgandodesaparecidos.org/home.html
Serviço Integrado de Atenção a Crianças e Adolescentes
Desaparecidos
(DF) - http://www.missingkids..com.br
Desaparecidos Minas Gerais - http://www.desaparecidos.mg.gov.br/
Desapareceu.org (cadastro de brasileiros desaparecidos no
mundo) -
http://www.desapareceu.org
Mães do Brasil - http://blogdasmaesdobrasil.blogspot.com/
Projeto Caminho de Volta - http://www.caminhodevolta.fm.usp.br
CPI das Crianças e Adolescentes Desaparecidos -
http://www.cpicriancasdesaparecidas.com.br/
Portal Kids - http://www.portalkids.org.br/
Mães da Sé - http://www.maesdase.org.br/
Fundação da Infância e Adolescência (FIA –RJ) - http://www.fia.rj.gov.br/
Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas
(Paraná) -
http://www.sicride.pr.gov.br/
Desaparecidos Site - http://www.desaparecidos.com.br/
Movimento Catarinense de Busca da Criança Desaparecida -
http://www.criancadesaparecida.org/
Pessoas Desaparecidas (RS) - http://www.desaparecidos.rs.gov.br/
Procurados .org - http://procurados.org/
National Center for Missing & Exploited Children (EUA)
http://www.missingkids.com
Fondation pour la Recherche d’Enfants Disparus,
International (Suíça)
- http://www.fredi.org/
Parents and Abducted Children Together (Inglaterra)
http://www.pact-online.org/
Abuelas de Plaza de Mayo (Argentina) - http://www.abuelas.org.ar/

Fonte: Cidadania Evangélica

 
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