sábado, 30 de julho de 2016

12 PENSAMENTOS – ASCENDINO LEITE

 Ascendino Leite


1 - Meu coração não tem futuro.

2 – Quão difícil é lutar contra os simples dados da emoção.

3 – A verdade mais genuína é a que conduz à mais recôndita intimidade.

4 – Só o livro, na sua pequenês, é capaz de abranger o infinito.

5 – Jamais sentir-me-ei feliz se, em o sendo, possa tornar os outros invejosos,

6 – O tato é mais poderoso que o olhar.

7 – O despertar é o único momento normal do dia que começa.

8 – Não me importunem. Ou não me metam em alegrias excessivas.

9 – Eu sou daqueles que já nasceram suicidas.

10 – Felizes aqueles que atravessam a vida sem sequer saber o que é um julgamento.

11 – O pior tipo de fracasso: o homem que destrói a própria relação consigo mesmo.

12 -  Vivi verticalmente, sempre, e pouco dormi. Para ter a sensação de viver mais.


_________________
Escritor paraibano, jornalista, memorialista, poeta, nasceu na Paraíba e faleceu em João Pessoa, já alguns anos. Os pensamentos acima foram colhidos em seu livro "O Jogo das ilusões".

domingo, 17 de julho de 2016

IRRESISTÍVEL PUDOR FEMININO

José Maria Vasconcelos
Professor e cronista

Em meio a enigmáticos traçados de pichações, em muros e prédios, encontrei, enfim, uma frase legível e que traduzia a sexualidade contemporânea: “GAROTA QUE NÃO TRANSA É PAIA”.
Que PAIA? Nosso sertanejo, preguiçosamente, engole fonemas do termo PALHA por PAIA. O caipira paulista adota PAIA para determinar coisa imprestável, sem valor, transitório como PALHA. Tanto faz, lá e cá. PAIA entrou no vocabulário dos devaneios baratos. “Que tudo fácil, valor nunca traz”(R. Carlos)
Que me perdoem as mulheres, que andam mais preocupadas em conquistar direitos de proteção à sua sexualidade do que cobrir a sua vergonha. Vistam-se,  cubram-se de pudor e decência. O pudor feminino inflama a libido masculina. Não me me refiro a pudor de burca e saias longas. Não, mas de preservar prudência na relação com os homens.
Pudor é discrição no vestir-se, prudência no falar, no topar a cantada, ficar por ficar com a primeira paquera. Mulher pudorosa envergonha-se de mostrar o corpo, exibindo-se para despertar erotismo. Que, na primeira parada, entrega-se a calientes amassos, e chamam o “ficar” de amor à primeira vista.
Quanto mais fáceis as mulheres avançam, mais os homens partem para o “ataque”. Trata-se do natural instinto dos machos. Mulheres atacam com suas bermudas curtíssimas, seios quase à vista, cortes para a imaginação masculina delirar, tecidos transparentes, nádegas desnudadas, fios dentais, anais. Sem falar nos rebolados eletrizantes dos ritmos frenéticos. Elas querem respeito e direitos, mas preservando a astúcia das serpentes.
Paia sou eu, quadrado, antiquado, coroa, que vivi uma época em que prostitutas da Paissandu, Marocas, Casa Amarela e Brasília eram mais pudicas que as avançadinhas atuais. Uma época em que o lance de uma calcinha escondidinha ou dançar colado me deixava úmido, em pleno salão do Clube dos Diários ou do Jóquei.
Depois de uma palestra, o estudante de 16 anos procurou-me: “Professor, não sei o que está acontecendo comigo: não sinto mais tesão pela minha namorada...” Fui direto: “Ela permite a você todo tipo de amasso?” E, direto, completou: “Professor, já conheço norte, sul e centro... sem mais segredo a descobrir”. Diagnóstico: “Seu problema, amigo, é barriga cheia: você comeu demais. Sua namorada empanzinou você. Ela não se submeteu a uma dieta nem estimulou você a fazê-la”.
O corpo é expressão da alma. A educação do corpo causa manifestação adequada do espiritual. O pudor, para homens e mulheres, reflete o equilíbrio entre corpo e espírito. A devassidão sexual, além da violência, em geral, dominaram civilizações, quando se permitiam exageros de condutas liberais. Por isso, foram arrasadas.
A roupa é uma linguagem, assim como os estilos. Traduzem características de época. Estilistas criam moda para seduzir, porque a época de exacerbado erotismo domina os comportamentos.  O inventor da minissaia admitia que seu alvo “era seduzir os homens, ser subversiva a moda”.
Ah! Quão difícil conscientizar os jovens, mocinhas principalmente! Pais e educadores é que são os verdadeiros PAIAS. Eu, deles.

domingo, 29 de maio de 2016

A COISA PÚBLICA E A PRIVADA


 Afonso Romano de Sant’Ana – Rio de Janeiro
(Tendo em vista a confissão pública da Andrade Gutierres propondo 
pagar pesada multa e disposto a uma nova relação com os governos,
 parece que esse poema publicado há quase trinta anos é ainda atual):




Entre a coisa pública
e a privada
achou-se a República
assentada.
Uns queriam privar
da coisa pública,
outros queriam provar
da privada,
conquanto,é claro,
que, na provação,
a privada, publicamente,
parecesse perfumada.
Dessa luta intestina
entre a gula pública e a privada
a República
acabou desarranjada
e já ninguém sabia
quando era a empresa pública
privada pública
ou
pública privada.
Assim ia a rês pública: avacalhada
uma rês pública: charqueada
uma rês pública , publicamente
corneada, que por mais
que lhe batessem na cangalha
mais vivia escangalhada.
Qual o jeito?
Submetê-la a um jejum,?
Ou dar um purgante à esganada
que embora a prisão de ventre
tinha a pança inflacionada?
O que fazer?
Privatizar a privada
onde estão todos
publicamente assentados?
Ou publicar, de uma penada,
que a coisa pública
se deixar de ser privada
pode ser recuperada?
-Sim,é preciso sanear
desinfetar a coisa pública.
limpar a verba malversada,
dar descarga na privada.
Enfim, acabar com a alquimia
de empresas públicas-privadas
que querem ver suas fezes
em outro alheio transformadas.

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(*)_"O lado esquerdo do meu peito:"Ed.Rocco.Rio ,1992

quarta-feira, 13 de abril de 2016

POEMA DOS 5 DEDOS

Francisco 
Miguel de Moura*


Se o dedo do poeta dói
É pelo dedo de Deus,
Possuindo o homem.

Se o mundo escurece a dor,
Se o mundo padece o amor,
Por seus próprios golpes,
Onde o dedo de Deus?

Na dor aflita do homem,
Na mão do próprio Deus,
Por que doem seus dedos?

Os dedos do poeta doem incertezas.

___________________
*Francisco Miguel de Moura, brasileiro, piauiense de nascimento, acaba de escrever a história de sua segunda aldeia (14-03-2016). A primeiro foi Genipapeiro, município de Picos, PI.


quinta-feira, 17 de março de 2016

O CORPO SECO - Poema popular (quadrinhas)

Francisco Miguel 
de Moura*



Na fábula da velha praça,
no sino, nas agonias,
há, nessa Matriz das Graças,
a história do velho Dias.

O luxo, a fama, a riqueza
e o valor das porfias
lembram senzalas, pobreza,
na casa final dos Dias.

E se um corpo à noite cai,
depois das ave-marias,
um grito, um sussurro, um ai:
evocam Simplício Dias.

Se o mar enche, se o mar seca,
se o sol esquenta ou esfria:
- Corpo Seco! - a mesma tecla
que fala em Simplício Dias.

Se tu cantas, se tu choras,
ou nas noites assobias,
irmão, é suplício de horas,
mando de Simplício Dias.

Na ampulheta marmórea,
na voz da escravaria,
cumpre punição na história,
o corpo do Velho Dias.

*********** 

*Francisco Miguel de Moura, também conhecido como Chico Miguel, é poeta, membro da Academia Piauiense de Letras  e da Academia de Letras de Região de Picos (ALERP).

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