quarta-feira, 25 de novembro de 2009

MIGUEL GUARANI, UMA BIOGRAFIA (1)



Francisco Miguel de Moura*



Biografia é a história de uma vida.


Toda biografia é também um romance, dependendo do desenvolvimento que o escritor quis dar. E os romances comportam no mínimo quatro dimensões: espaço, tempo, imaginação e fatos.

Aqui e agora começa a biografia do mestre Miguel Borges de Moura, que depois, em virtude de sua atividade de violeiro, passou a ser mais conhecido como Miguel Guarani.

Miguel Guarani nasceu no Diogo, um lugarejo da fazenda Jenipapeiro, hoje município de Francisco Santos, Piauí, no dia 18 de maio de 1910. Não se sabe se foi uma festa ou não quando nasceu o segundo filho (e o primeiro varão) do casal Feliciano Borges de Moura/ Rosa Maria da Conceição, pais de Miguel. Comumente no Nordeste o é.

Como era o Diogo de então? À margem do rio, para o lado do norte subia um planalto que chamavam de “Serra” ou “Gerais” onde fazia limite com o Ceará. Atravessado pela estrada real que vinha do povoado Jenipapeiro e corria para o sul, no rumo de Picos, passando antes por Rodeador, Bocaina, Sussuapara, era a única via de comunicação com o mundo, porém apenas para pessoas e animais. Nem mesmo por carro de boi podia ser percorrida, em virtude do areal tremendo na maioria do seu percurso. O solo sáfaro, cansado de tanto sofrer queimadas, composto de areia, lajedos, cascalhos, quase nada fornecia à agricultura que não fosse um pé de mandioca, feijão, abóbora, melancia para subsistência. Somente quando Sinhô do Diogo subiu a “Serra” e chegou aos “Gerais” foi que encontrou melhores terras e a agricultura prosperou. A renda maior era tirada da vazante do rio, onde se plantava, na estação seca. Na formação da terra do Diogo havia caldeirões que durante a estação chuvosa serviam para os bichos beberem mais perto – a fonte principal era o Rio Riachão – e os meninos tomarem banho. Miguel deve ter tomado banho nessas águas frias e gostosas do começo do inverno como todos os meninos de sua época. Porém, por pouco tempo, que a sua infância foi curta: O trabalho da roça e, agora, as letras, o absorviam.

No mais, o Diogo era só moitas de mofumbo, pequiá, catingueiras, imbuzeiros (com cujos frutos a garotada fazia a festa nas primeiras águas), juremas, marmeleiros, macambira, xiquexique e arbustos sem muito valor. No inverno enverdeciam, na estação seca secavam, tinham a cor cinza. Para se ver a cor verde era necessário olhar para os juazeiros e carnaubeiras, nos longes da beira do rio. Não havia nenhuma árvore grande no quintal nem na frente da casa grande de Feliciano (Sinhô do Diogo). Havia uma “latada” coberta de folhas de oiticica, complemento comum das habitações naquele tempo.

Os filhos do casal Feliciano/Rosa foram nascendo um atrás do outro, chegaram a dez. Uma família e tanto. Sinhô do Diogo, não podendo contratar um mestre-escola para ensinar aos filhos em casa, alfabetizou o mais velho dos varões, Miguel Guarani, que depois se tornaria o professor dos irmãos e irmãs. E assim se fez o começo do que viria ser o maior e mais conhecido mestre-escola da redondeza de Picos.

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*Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, mora em Teresina, Piauí, Brasil. E-mail:
franciscomigueldemoura@superig.com.br

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

BAÚ LITERÁRIO


Discussões entre dois sacerdotes católicos
e dois jovens na procura de Deus nos anos de 1960





Hélio Moreira*





Li, com muito prazer, os textos publicados semanalmente no Diário da Manhã, pelo meu confrade da Academia Goiana de Letras Dr. Alaor Barbosa, intitulados “Conversando com Frei Thomas Cardonnel”.


Qualquer um ficaria, logicamente me incluo neste rol, honrado de pertencer ao mesmo sodalício que este notável homem de letras, cuja produção literária ultrapassou os limites do Brasil e agora é editado em Portugal, onde acaba de ser premiado.

No texto do dia 30 de setembro, Alaor faz algumas introspecções que definem a sua formação filosófica, pelo menos naquela quadra da sua existência (anos de 1960); não sei se ele permanece com o mesmo cepticismo com respeito à existência de Deus; provavelmente tenha mudado de opinião, pelo que pude perceber nas entrelinhas do rodapé do texto, onde ele faz questão de assinalar duas datas distintas (Morrinhos, julho e dezembro de 1966 e Brasília e Goiânia, outubro de 2009) assinalando, com este detalhe, dois períodos distintos da sua vida.

Chama a atenção, também, o fato de ele conjugar o verbo no passado (...minha falta de sentimento de Deus eram sérios e profundos; ...eu era filosoficamente impermeável à idéia de Deus; ...eu considerava Deus uma idéia absurda...)

Alaor e eu, ambos em plena juventude, vivemos um dos momentos mais conturbados do século XX (anos de 1950 e 1960), época em que fomos envolvidos por um torvelinho de acontecimentos sociais que dividia o mundo em duas correntes distintas: socialismo e capitalismo.

Embarcamos, eu especialmente, já que não posso falar por ele, na nau das ilusões pregadas pelos construtores de um mundo novo; achávamos que poderíamos mudar o ritmo da história, criando uma nova sociedade igualitária, espelhada no apregoado sucesso do regime Soviético.

Também eu tive um Frei com quem conversar, chamava-se Padre Gustavo Pereira, sacerdote e médico que morava na nossa Casa do Estudante Universitário do Paraná, local onde residi por seis anos (Entre o Sonho e a realidade, Brasil dos anos 60 e Rússia dos anos 90, Ed. Kelps, 2001, Goiânia).

Tive, também, minha fé abalada pelo proselitismo marxista; meu único contraponto confiável era o Padre Gustavo que me repetia o que dizia o escritor Henri Chambre no seu livro Le Marxismo en Union Soviétique, 1955: “Hoje, como ontem, o marxismo leninista desencadeia a mesma luta ativa contra Deus e tudo que possa lembrar ao homem a existência de Deus”, ou Hans Driesch no A Superação do Materialismo, 1935: “O materialismo, como ensaio de uma explicação científica do mundo, fracassou completamente”.

Posso afirmar, com absoluta convicção, insistia Padre Pereira, “não é possível conciliar o Cristianismo com o socialismo, dia virá e você ainda verá, que a máscara vai cair e então iremos repetir uma imagem criada por Nietzche: Passeia-se, sem a menor cautela, por sobre o gelo, embora já sopre o vento da primavera e a fina camada esteja prestes a quebrar”, a crença religiosa é antagônica da dialética marxista; o ateísmo, na pregação do próprio Lênin, é o ponto culminante, a pedra de toque para a procura da perfeição do provável regime dos sonhos.

É enganoso, continuava ele, discutir o marxismo como mera doutrina econômico-social, lembre-se do que dizia Karl Marx “A profunda Alemanha não pode fazer a revolução sem fazê-la pela raiz; a cabeça da emancipação do homem é a filosofia marxista” (O Ateísmo Moderno, Georg Siegmund, Ed. Loyola, 1966).

Seria o marxismo uma simples filosofia? Lembro que indaguei ao Padre Pereira, após ouvir esta citação de Marx que ele fez; não, não é, o que levou o bolchevismo à vitória na Rússia, foram as energias de uma crença messiânica do povo soviético que julgava encontrar neste movimento a realização de suas aspirações seculares, uma saída libertadora, o encontro de um reino de Deus aqui na terra, como lhes era apregoado.

Hoje, vivendo na planície da vida, penso que esta fé tão simplista para alcançar suas realizações, não levou em consideração o fato de que a “roda” da historia gira, colocando em cima o que estava em baixo e o que estava em baixo em cima.

Depois de mais de cinqüenta anos de regime materialista, pude observar, na viagem que fiz à Rússia em 1990 que a religiosidade e a fé na salvação eterna não haviam acabado, e, sobretudo, a afirmação de que a religião havia envelhecido e morrido na alma do povo russo, estava errada, apenas estava adormecida!

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*Hélio Moreira, escritor, membro da Academia Goiana de Letras.

sábado, 14 de novembro de 2009

DOIS POEMAS DE FRANCISCO MIGUEL DE MOURA

DILEMA


Francisco Miguel
de Moura*





Um sentimento estranho me desperta,
agora, que partiste pra tão longe,
e eu cá, neste mosteiro, feito um monge
que se queria um sábio e não poeta...

Mais não tive que um sonho de profeta,
mesmo assim não previ que ias mais longe,
a fingir-te de amada... E, eu, de monge,
sem conseguir sonhar com a alma aberta.

Assim, fingindo amor a vida inteira,
amor que começou por brincadeira
e agora quer sumir tão de repente...

Não sei se vou ficar no meu avesso,
mentindo que te quero, no regressso,
ou se morro de dor completamente.

Teresina, Nov/2009


TEU VALOR

Francisco Miguel de Moura*


És filha de sangue azul,
rainha de norte a sul,
princesa do meu torrão.
É meigo teu ar de riso
baloiçando o puro friso
das belezas de um Éden.
Ai! me dói o coração,
ver a tua condição,
tão diferente da minha!
A tua mais se dilata,
a minha mais se definha.
Ora sinto-me aprazer
na beleza do teu ser,
ora me sindo um ninguém.
De cobiça é meu viver,
é um triste vai e vem.

Jenipapeiro, Jan/1952

NOTA:
- Este último poema foi o primeiro publicado em jornal, de autoria de Francisco Miguel de Moura.
- O primeiro poema é o mais recente, porém inédito até agora.
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*Francisco Miguel de Moura, poeta brasileiro, atualmente
residindo em Teresina - Piauí - Brasil. E-mail:franciscomigueldemoura@superig.com.br

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

DIREITOS AUTORAIS


Entrevista sobre os Direitos Autorais a ser utilizada em Monografia

Tema:
“A efetividade da lei de direitos autorais (Lei 9610/98), no que concerne à publicação de obras literárias”.


Entrevistado:
Francisco Miguel de Moura

Profissão: Aposentado (Banco do Brasil), escritor sem registro
Contato/e-mail: franciscomigueldemoura@superig.com.br

1. Qual a sua relação com o direito autoral?

2. Tenho algumas obras registradas na seção de Direito Autoral, da Biblioteca Nacional e nada mais. Já recebi direitos autorais de matérias publicadas na revista “Vozes” de Petrópolis-RJ e também do jornal “Diário Oficial” ou “Suplemento do Diário Oficial “(não me lembro bem como era o nome), de São Paulo-SP. Ah, sim, também do “Suplemento do Minas Gerais”. E nada mais. Editoras que publicaram meus livros, de algumas tenho recebido o pagamento apenas em livros.


a) Autor independente de obras publicadas:

Sim, sou também autor independente de obras publicadas por mim mesmo.


b) Autor de obra não publicada :

Sim, tenho muitas inéditas: romances, contos, poesia, crônicas e crítica.


c) Trabalha no meio literário (jornalista, editor, agente literário, etc.) :

Não.


d) Tem algum vínculo com a Literatura (professor, estudante, ator, etc.)
:

Não.


e) Autor de obra publicada por editora
:

Sim, faz muito tempo.


2. Você conhece a Lei de Direitos Autorais (Lei 9610/98)?

Sim, já li, mas no momento não possuo cópia atualizada. Gostaria de obtê-la pela internete.

3. Sabe dizer em que consiste o registro da obra e qual sua importância?:

Para, no caso de entrar na justiça com requerimento de direitos não pagos, fazer valer esses direitos. Será somente isto?


4. Já registrou algum de seus trabalhos?
a) Não, nem sei como devo proceder

– Sei, tanto é que já o procedi.


b) Sim, mas encontrei dificuldades:

- Não encontrei dificuldades.


c) Sim, mas não tive dificuldades:

- Não tive dificuldades.



4.1 - Caso sua resposta tenha sido não, alguma vez distribuiu seus trabalhos (poemas, contos, crônicas, etc.) para amigos, conhecidos, alunos, parentes ou divulgou em murais, folhetins, jornais ou Internet?

- Sim.


5. Se encontrou alguma dificuldade para realizar o registro, qual foi?

- Nenhuma


6. Você acredita que as informações presentes no site da Biblioteca Nacional são suficientes para se registrar uma obra?

- Talvez, mas não tive a curiosidade de consultar isto.


7. Em sua opinião, os novos artistas conhecem os Direitos Autorais, ou seja, acredita que a lei é difundida e existe uma conscientização no meio literário?

- Não conecem nem buscam conhecê-los, salvo uns poucos que foram ou tem esperança de serem editados por editoras com circulação nacional


8. Qual seria sua sugestão em relação à proteção do trabalho de um autor?

- Cumprir a lei existente, que acho muito difícil de ser cumprida.
Melhorá-la através do Congresso Nacional. Por exemplo, criando para os escritores um entidade de cobrança dos direitos autorais e distribuição destes como já fazem há muito tempo na música. Trabalhar pela aprovação da lei de registro de escritores como profissão, com carteira e tudo.

9. Aponte a maior dificuldade que você identifica no mercado editorial.

Os editores são medrosos, não investem nem ousam nada, querem o prato feito. Os distribuidores são cartéis, beneficiam uma região em detrimento dos autorese -residentes na s regiões mais pobres como o Nordeste. Isto é discriminação punível pela Constituição Federall.


10. O que a sociedade poderia fazer para incentivar a cultura?

- Muito. Comprando mais livros de autores brasileiros em vez de best-sellers estrangeiros, que não ajudam em nada nossa cultura; visitando as bibliotecas constantemente. E neste capítulo “Bibliotecas”, creio que seria bom o governo federal exigir que cada município tivesse a sua biblioteca pública, alimentando-a com as novas publicações brasileiras e portuguesas, isto é, na nossa língua, de preferência.


• Autoriza a publicação de sua entrevista por quaisquer meios, sejam eles impressos ou virtuais?

- SIM.

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Entrevista envida por e-mail de Francisco Miguel de Moura para a interessada, jornalista Bruna

sábado, 31 de outubro de 2009

O TEMPO

REFLEXÕES SOBRE O TEMPO


Mário Quintana*


A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

Mário Quintana


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*Mário de Miranda Quintana foi um poeta, tradutor e jornalista brasileiro. Nasceu em Alegrete na noite de 30 de julho de 1906 e faleceu em Porto Alegre, em 5 de maio de 1994. Matéria copiada por Francisco Miguel de Moura da web: http://pretextos.blogs.sapo./pt




segunda-feira, 19 de outubro de 2009

PENA E PALAVRA





Francisco Miguel
de Moura*







A pena vale a palavra
lavada, lavrada
com música e sentido,
suor, doce harmonia.

Estranho som não soa
na escala da palavra:
A poesia sabe onde a sílaba,
o acento e a cor do ouvido,
de dentro para fora,
para o branco do papel a(o)lado.

Tudo que vem do íntimo
corpo dispensa a boca e o nariz,
não precisa de dentes,
língua seca ou molhada.

A fábrica de poemas é onde fica
o silêncio que se ar(risca).
E quando explode
lança as lavas da alma.
Soa mil e quinhentos milhas,
quinhentas vezes mil
em códice p(l)urificado.

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Crédito da imagem acima: web - google: http://letrasconfusas.blogspot.com
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*Francisco Miguel de Moura, poeta brasileiro, mora em Teresina, Piauí.
E-mail: franciscomigueldemoura@superig.com.br

terça-feira, 13 de outubro de 2009

A COMÉDIA DAS COMISSÕES DE INQUÉRITO NA ASSEMBLEIA


Sábado, Julho 11, 2009

A Assembleia da República Portuguesa quando rebentam alguns escândalos, resolve fazer comissões de inquérito. Normalmente, os resultados são zeros absolutos para efeitos práticos. Desta vez, a propósito da roubalheira verificada no sistema bancário e em especial no BPN (Banco Português de Negócios) organizou mais uma que chegou a um grau elevado de mediatização, sobretudo pela transmissão em directo de muitos dos seus episódios. Aliás, um dos principais "arguidos" e anterior presidente da instituição Dr Oliveira e Costa chegou até a gozar com a comissão. O governador do Banco de Portugal, seguindo-lhe as pisadas não apresentou elementos e tratou a comissão com um certo desprezo, atendendo a que tinha as costas bem protegidas pelo partido de maioria absoluta e actual governo da quinta. Alguns deputados distinguiram-se na oratória e na investigação e assim vieram disso dar conta nos telejornais. Em suma, uma encenação bem feita para acreditarmos nesta "democracia". Elogiaram-se uns aos outros, tiraram proveito mediático da coisa mas os resultados finais, traduzidos no relatório aprovado, mais uma vez, pela maioria única, nem de longe nem de perto se traduziram em alguma coisa que se assemelhasse a apuro da verdade e sobretudo condenasse a ineficiência do Governador Vítor Constâncio, um exemplo prático do intelectual bajulador do poder. Diga-se que, paralelamente, a justiça anda a dar voltas com o assunto para ficar como sempre na gaveta dos esquecidos e dos presumíveis e sempre inocentes. A quadrilha estava bem organizada e agora os grandes senhores nem se lembram de terem decidido o que quer que fosse!

Dias Loureiro demitiu-se, a muito custo, do Conselho de Estado mas certamente os seus proveitos esperam-no em qualquer lugar paradisíaco da Terra. Uma verdadeira vergonha que se pretende fazer passar como alavanca democrática. Só que não conseguimos ver como!
Na verdade, a Assembleia da República não passa de uma caixa de ressonância do Governo e do PS, onde outros protagonistas fazem figura de figurantes.

Já nos esquecíamos de dizer que nas listas de votantes figura um compatriota com 136 anos que ninguém sabe quem é. Maravilhas deste Portugal à beira-mar plantado.
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Crônica política publicada por Pedro... Sábado, Julho 11,2009 web:http://tribulandia.blogspot.com/

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

BORBOLETA

MINI-CONTO

Wilson Gorj

A letra ele (não a maiúscula: a minúscula) estava cansada de rastejar feito uma lagarta. Situação que a levou a ter uma excelente ideia: tratou de pegar emprestadas duas letras bês (maiúsculas!) e deu um jeito de juntá-las às próprias costas. Graças a esse recurso, saiu voando por entre as folhas do livro e as flores da imaginação.

Por vezes, perdia-se nas entrelinhas. Encontrava-se em novos parágrafos, percorrendo frases e períodos completos, até que, exausta, pousava nas margens.

Numa dessas, terminou capturada.

E espetada numa página em banco.

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Copiado por Francisco Miguel de Moura, da web: http://omuroeoutraspgs.blogspot.com/2009/10/borboletra.html

terça-feira, 29 de setembro de 2009

A BORBOLETA


Francisco Miguel de Moura
Poeta brasileiro, mora em Teresina, PI

Desejos fulminantes despertam,
na hora em que o jardim se põe.
Borboletear a sina,
beijar, sugando amáveis bordas
belas – não há feias quando é fim.

Aqui estais... Aqui o prazo
de duas vidas contínuas:
- Último vôo entre espinho
e flor!

Dormir, não acordar,
antegozando a dor da noite funda.

Mais uma vez morre a esperança.

sábado, 26 de setembro de 2009

ALMA DE ESCRAVO

Heráclito Ney Suiter

"Ao invés de incentivar o cidadão a buscar a independência, responsabilidade e o esforço intelectual, a educação dos dias atuais lisonjeia sua ignorância transformando a incapacidade em regra geral"





Heráclito Ney Suiter (Foto: Divulgação)




O filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.) ao afirmar que algumas pessoas têm “alma de escravo” deixou alguns estudiosos escandalizados. Ao contrário do que pensa os mal instruídos, quando o pensador grego chegou a esse raciocínio não queria de forma alguma legitimar o sistema escravista.

Na realidade, o filósofo queria expressar é que existem pessoas que tem tendência a se oferecer como instrumento à autoridade de outra pessoa, ou ainda, aqueles que preferem ficar em um eterno estado de dependência do Estado ou do sistema político vigente. Essa tendência não nasce com as pessoas, ela vai se formando aos poucos, quer seja por fatores externos ou internos, através principalmente por uma educação capenga ou com um estado de despreocupação com sua própria existência. É o que denomino de carência de razão, que acaba por culminar em uma incapacidade de deliberação sobre a própria vida segundo um objetivo que não seja apenas o da sobrevivência.

Mister lembrar que o homem livre não vive simplesmente, mas deve viver por algum propósito , deve estar em sintonia e organizar suas ações tendo em vista o que delimitou para a sua vida. Ele é responsável por seus atos, sabendo tomar as decisões por si mesmo, além de buscar o reconhecimento do certo e do errado de suas decisões, das decisões que mais se aproximam de sua “razão vital” ou se afastam dela (do seu propósito). E é essa mesma responsabilidade que vai permitir-lhe responder, diante de sua própria consciência, se calculou de forma acertada os efeitos de seus atos.

Uma vez que a consciência individual esteja deprimida, o ser passará a não mais se sentir responsável por si mesmo e os resultados de seus atos. Neste caso ele precisa que alguém cuide dele, precisa de um bedel. Quando isso ocorre o individuo acaba apelando para o Estado, ele pede, implora que o Estado lhe dê essa segurança, que o regule quanto o que fazer e como o que não fazer. O Estado acaba por fim oferecendo uma solução tida com vital que hora inexiste.

Esperar que o Estado faça aquilo que já não se sente capaz de fazer por si próprio é justamente a condição de escravidão citada por Aristóteles. E é nesse momento que começam a surgir os chamados estatutos, códigos de leis das mais diversas, como a legislação contra o cigarro, código de trânsito, dentre vários conjuntos legais, ou ainda aquelas leis que no meu entender são aberrações legais, como os estatutos para garantir direitos a crianças, idosos, mulheres, etc. Não é que acho absurdo em essência, mas sim a necessidade de expressão literal (escrita, redigida), a imposição de leis para se tratar com mais cortesia os idosos e as crianças, ou ainda tratar com igualdade as mulheres. Isso não é necessário estar escrito e além do mais, nos artigos primeiros de nossa Constituição, como cláusulas pétreas, já há a previsão de que todos, sem exceção, devem ser iguais perante a lei...
O pior de tudo é a caipirice de quem vê todo esse emaranhado de leis e códigos como grandes exemplos de civilidade e racionalidade – como exemplo podemos dizer que é ridículo ter uma lei que obrigue um pai a colocar o filho na escola, pois isso é para o próprio bem da família, do filho, do Estado, e deveria partir de uma consciência própria e não de um ato coercitivo legal provindo de uma lei escrita.

Esse infantilismo e essa total submissão ao “grandioso poder tutelar”, já fora citado pelo cientista político francês Tocqueville (1805-1859), quando descreveu a emergente sociedade estadunidense com uma sociedade de massa sob o risco de se transformar em um Estado autoritário-despótico – o que de fato ocorreu.
O Estado, ao invadir os meandros da esfera pessoal de seus cidadãos, tira-lhes a possibilidade de decidirem por si mesmo os rumos de sua própria vida, o que vem sendo aplaudido por aqueles que perderam sua liberdade – a tal alma de escravo está muito mais difundida do que se possa imaginar.

Podemos estar diante do maior quadro de depressão da consciência, já vivenciada na história do homem, é a evolução histórica nítida de um fenômeno ainda pouco notado; é a escravidão consentida. O pior é que não temos como negar responsabilidades aos nossos intelectuais, pois eles têm uma parcela significativa de culpa pelo quadro societal a que demos referência. Uma boa parte do pensamento contemporâneo nega à razão humana a capacidade de deliberação. É uma consciência individual que trabalha meio que ao léu do absurdo, incapaz de aprender o que quer que seja, incapaz de se auto-responsabilizar pelas suas ações e pensamentos.

Segundo o velho filósofo grego, aquilo que seria capaz de impedir esse tipo de escravidão, a educação, acabou tendo um efeito contrário. A educação criada por Aristóteles era referente ao verdadeiro conhecimento, não a isso que andam 'vendendo' como educação.
Caímos assim em um elogio da irresponsabilidade e da inconsequência, o que culmina em um elogio da “alma de escravo”, é a educação deixando de lado o seu papel de libertadora para assumir um papel de escravizadora.

Essa negação da consciência individual leva-nos a um “clima cultural” que finda no sentimento de incapacidade e acaba se tornando realidade. Ao invés de incentivar o cidadão a buscar a independência, responsabilidade e o esforço intelectual, a educação dos dias atuais lisonjeia sua ignorância transformando a incapacidade em regra geral.

É o relativismo e o ceticismo contemporâneos revelando seu sinistro pacto com a escravidão das almas pelo Estado. Pensadores como Hegel, Gramsci, Gamader, Mond e Habermans, entre outros, criam doutrinas que se esforçam para provar o quanto nossas vidas não fazem sentido, que estamos em um mundo caótico em que nossa miserável razão não consegue enxergar um palmo diante do nariz e deve ser colocada nas mãos de alguma entidade coletiva.

Liberdade é, antes de qualquer coisa, uma conquista individual, não pode ser “dada”. Todo Estado que promete dar liberdade por vias legais está contando uma “estória da carochinha” para na realidade, encobrir o aumento da própria tirania. A bíblia tem uma passagem que ilustra como se deve conquistar a liberdade:
“...buscai e achareis; batei e vos será aberto;... o que busca acha e ao que bate se lhe abrirá...” - NT, Mt. VII, 7.
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Artigo transcrito do Jornal Online ATITUDE, edição de 25/09/2009 – Tocantins – Brasil. Copiado por Francisco Miguel de Moura, Teresina, Piauí, Brasil.

 
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