terça-feira, 12 de novembro de 2019

PERMANÊNCIA - Poema de Pachoal Motta

Paschoal Motta 
(poeta mineiro)
O vento da espera
mina meus olhos de luz:
a tua mão joga no espelho
semeaduras da tarde.

não era o que deveria ser este afogamento
nessa fria água de silêncio

não era para bater essa música de vento
nesse longo beiral de solidão

não era para voltar este pensamento
nessa sua dura esfinge de tristeza

não era para ficar esta permanência
deste lembrar noturno e tão ferido
(de Estações da Ausência)

                               Esta edição festeja a Poeta YEDA PRATES BERNIS.

PERMANÊNCIA, Poema de Paschoal Motta

Paschal Motta*

O vento da espera

mina meus olhos de luz:

a tua mão joga no espelho

semeaduras da tarde.


não era o que deveria ser este afogamento

nessa fria água de silêncio


não era para bater essa música de vento

nesse longo beiral de solidão


não era para voltar este pensamento

nessa sua dura esfinge de tristeza


não era para ficar esta permanência

deste lembrar noturno e tão ferido

(do livro "Estações da Ausência")

_____________________
*Paschoal Motta, poeta mineiro, festejando a poeta Yeda Prates Bernis, oferecido através de seu e-mail, aos demais amigos (com autorização para passar à frente, inclusive publicar neste e-mail.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

SE A GENTE NÃO SENTISSE...


Francisco Miguel de Moura*

Se a gente não sentisse o tempo
(os ratos correndo, sentem),
Se a gente não sofresse o tempo
(como a hiena ri sofrendo),
Se a gente não comesse o tempo
(como os vermes do calendário)
de modo mais cruel, em cada níver)...

Nenhuma dúvida nem angústia
faria o peito parir e suar frio,
e os frutos da alegria se abrirem
quando alguém nos abraçasse.

Como inventar palavras e ganchos,
simbolizar a vida e seu futuro,
amar os que nos amam com apuro,
e aturar os males do feitiço?
Como pintar cabelos brancos
e fazer unhas, esses extremismos?

Como ganhar os caminhos que se perderam,
em lembranças e saudades provisórias?

Se a gente não sentisse o tempo,
seriamos pedra ou bicho mais miúdo,
ninguém era ou seria realmente
este nada, esta flor, este enfeite, este estrume...

______________________
*Francisco Miguel de Moura, poeta e prosador brasileiro, com mais de 40 obras publicadas, em diversas editoras, do Rio, a São Paulo, a Minas Gerais. Este poema faz parte do livro "Novos Poemas ", inédito.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

NIRVANA, de Francisco Miguel de Moura

Adicionar legenda

Francisco Miguel de Moura*

Penso na noite sem lua nem sois:
- Tristeza em vão!

Penso na glória sem fama,
na história sem paixão.

Penso em mim, sem fim, sem meio
na multidão dos grandes mortos;
sem um nome, nem mesmo o sobre
nome, que sem dúvida sobrará.

Pego as dores perdidas no ar,
                    sem ar,
sem alívio ou sequer compaixão
de compreender o ser eterno.

Já estou quase sem pão, sem dono...
A cruel felicidade será o inferno?

Não penso no nihilismo do nirvana
meu - que seja o fim da alma humana.

Não sei se consigo! Morreu meu anjo torto,
o que me detestou, o que inda me engana.
____________
*francisco miguel de moura, poeta e prosador brasileiro, mora em teresina, pi, a capital do estado, também denominada de "Cidade Verde", pelo escritor maranhense coelho neto.

domingo, 22 de setembro de 2019

DAS PERGUNTAS - Poema de Paschoal Motta


Paschoal Motta*

Que é que eu planto neste chão revolto

se a água da discórdia nunca houvera solto



Que é que eu durmo nesta noite treda

se a estrela desta guia nunca dá luz leda



Que é que eu colho nesta roça imensa

se o corpo do espantalho nunca fala e pensa



Que é que eu caço nesta mata incauta

se a ave da demência nunca entoa em pauta



Que é que eu lambo nesta cuia turva

se o osso desta fome nunca a faz mais curva



Que é que eu transo nesta ponte em frente

se o rio desta incúria nunca afoga gente



Que é que eu cravo nesta cruz malina

se o sangue deste incesto nunca lava a sina



Que é que amo neste corpo e alma

se o leito deste tédio nunca é flor ou palma



Que é que eu berro desta boca afora

se o pranto preste gado nunca aboia embora



Que é que eu choro nestes olhos hirtos

se a farsa desta glória nunca aceita mirtos



Que é que eu traço nesta paisagem

se o barco deste remo nunca aporta a margem



Que é que eu queimo nesta coivara

se o ramo deste lume nunca aclara a cara



Que é que eu danço nesta festa opima

se o verso deste inverso nunca tange e rima



Que é que eu rezo pra coser a íngua

se a faca desta fala nem me afia a língua


_____________________________________________________ 
(Im Antologia Poética – 2, esgotado, Interlivros de Minas Gerais).
 Edição em homenagem à memória do Poeta Jorge Tufic. A  edição neste
blog foi autorizada pelo Autor

*PASCHOAL MOTTA,  de São Pedro dos Ferros, MG, Brasil. Professor de Lit. Brasileira e Portuguesa, Linguística Geral, Teoria da Literatura, Didática de Língua Portuguesa, Língua Latina. // Editor do Supl. Literário do MG. // PRÊMIOS Literários no Brasil e Exterior. // Prêmios em festivais de MPB // POEMAS traduzidos e publicados no Exterior.  // PUBLICAÇÕES principais: VER DE BOI, poemas. //NOVA 1, Magazine de Poesia e Desenho, Portugal. // ANTOLOGIA POÉTICA 2 (parceria) InterLivros de MG.  CANTIGA DE ADORMECER TAMANDUÁ, poemas, Casa de Cultura de SPF / IO, MG. // ESTAÇÕES DA AUSÊNCIA, poemas. Sec. Cultura MG / IO. // EU, TIRADENTES,  Ed. Lê, BH. // ANTOLOGIA COMENTADA DE LITERATURA BRASILEIRA, org. Zina Belodi et aliae /  Vozes, Petrópolis, RJ. POETAS DOS ANOS 30, org. Joanyr de Oliveira, Thesaurus, Brasília, DF, e ANE/Associação Nacional dos Escritores, SP. Tem originais inéditos de poemas e ficção

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