
Francisco Miguel de Moura*
As flores compradas na florista
São um jardim em casa, um jarro
Com falta de ar, sem alegria.
Não exalam, nem suam,
Nem vivem,
Como os habitantes desta cidade,
Se não abrem as janelas
Ou não saem
E “shoppizam” e “chopisam”...
O homem sozinho é uma ferida
Com casca
De flor plastificada.
___________________
*Poeta, membro da Academia Piauiense de Letras (Teresina – PI) e da Associação Internacional de Escritores e Artistas (Toledo – EUA)
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
FLOR DE PLÁSTICO
Postado por FRANCISCO MIGUEL DE MOURA às 03:19 0 comentários
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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
DIA BRANCO
Letra em busca de uma canção
1
Francisco Miguel Moura*
Hoje nenhum poema me encontra.
Arreliado,
Deixo a musa por conta da música
Da vida e dos acontecimentos
Que não merecem poesia.
Porque o nada me chama
À beira do rio,
Para esvaziar o meu vazio.
E escolher, talvez, entre a natureza
E a imersão no branco que me angustia.
____________________
*Francisco Miguel de Moura, brasileiro, mora em Teresina. Poeta que canta e encanta o eu e os outros “eus” que no mundo habitam.
Postado por FRANCISCO MIGUEL DE MOURA às 18:32 0 comentários
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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
ANDERSON BRAGA HORTA - POETA NACIONAL

POESIA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA
ANDERSON BRAGA HORTA
I - POEMAS
O TEMPO DO HOMEM
Quando chegar o tempo do Homem
Te cantarei os seios róseos,
Viajarei, lírico astronauta,
Às constelações de teus olhos
Quando chegar o tempo do Homem
Nas minhas mãos vinte um satélites
Trarei, sorrindo, aos nossos filhos.
No vaso a rosa, inofensiva
Quando chegar o tempo do Homem
Mortos os sóis exorbitantes,
Alto, o Sonho achará sua órbita
E então nos amaremos lúcidos
Quando chegar o tempo do Homem
Não de escasso amor conjugado
Num futuro condicionado.
Amor atual, lauta romã
Quando chegar o tempo do Homem
Amor sem susto, amor unânime,
Amor sem resíduos de estrôncio,
Amor sem filamentos de ódio
Quando chegar o tempo do Homem
Possamos tê-lo antegravado
No branco olhar dos nossos filhos,
Se forem cinza os nossos olhos
Quando chegar o tempo do Homem
Como anuncia-se o relâmpago
Que cegos-surdos o pressentem,
Assim - súbito - o saberemos
Quando chegar o tempo do Homem
Pois, quando for o tempo, rútila
Rosa na mão do Povo aberta
Nos dirá: Llegó! È evnuto!
Chegado é o tempo!
Tempo do Homem.
AÉREO
O melhor de mim
está solto no vento.
Mãos, raízes, searas
e outras nuvens que invento.
Ai, o melhor de mim
no vento é que está.
Utopias, pandorgas
que menino avento.
Entretanto maduro
para todos os ares,
os semeio, e mais colho
aurassóis: cata-vento.
E, arando brisas, onde
me lamento, aí canto.
Pois o melhor de mim
frutifica no vento.
ÓRFICA
1.
Que ser é esse de que o céu se espanta?
O corpo esquartejado
levam-no os rios, bebem-no os mares,
vai com o vento nos ares.
Faz-se terra na terra.
Torna-se nada em todos os quadrantes.
Mas a cabeça canta.
2.
Que corpo é esse arcaico
animado de um fogo
entre o sagrado e o laico?
Corpo que se destroça,
fogo que se levanta.
3.
Ai, o corpo se esfaz em limo, em lama.
As pernas, extintas, erram por seiva.
As mãos, arrancadas, crispam-se por frutos.
Mas a cabeça
canta!
TELEX
Para Rumen Stoyanov
a poesia é a fonte em que ativamos a sede.
a poesia é o alimento que impede a saciedade.
a poesia é o espinho que nos protege da flor.
mas a poesia é flor, ou promessa de flor.
a poesia é a rosa que inventamos prévia.
a poesia é o nada nos-criador que modulamos.
a poesia não é a rede, nem o mar, mas o lançar da rede ao mar.
a poesia é o plágio do não visto.
atenção:
a poesia é uma explosão controlada.
TANGENTE
No Mar Encoberto
p l á c i d o
ideiaemoção (palavra) =
a c (s)
b’ r o
cego(s) na superfície. Nas
entrepalavras verde-
(rasgada agora crespa)
-lucila a água fluidíssima.
Sobrejacente a
nave navega, nada.
SONETO ANTIGO
Tanto, tanto de amor me eu tenho dado,
hei-me em tantas fogueiras consumido,
que fora de esperar no peito ardido
nada me houvera de ilusão sobrado.
Porém quanto mais sonhos hei nutrido
deste manancial inesgotado,
mais o tenho, no peito, avolumado:
que mais forte é amor, se dividido.
E se o destino tenho marinheiro,
volúvel me não chamem, ou perjuro:
que do amor sou apenas passageiro,
em porto inda o mais doce, não aturo,
e no mesmo travor do derradeiro
já prelibando estou o amor futuro.
OLHOS
De repente descubro
a lavada beleza de teus olhos.
(Entre mim e o sono
trazes um sol nos lábios
e nos seios Vênus.)
Teus olhos são como céus que choveram.
II - BIOGRAFIA
ANDERSON BRAGA HORTA nasceu em Carangola, MG, em 1934. Reside em Brasília desde 1960. Poeta, contista, ensaísta e tradutor. Seus livros, em poesia: Altiplano e Outros Poemas, Marvário, Incomunicação, Exercícios de Homem, Cronoscópio, O Cordeiro e a Nuvem, O Pássaro no Aquário (saídos entre 1971 e 1990) e outros até então inéditos foram enfeixados em Fragmentos da Paixão – Poemas Reunidos, S. Paulo, 2000 e ganhador do Prêmio Jabuti 2001. Além disso, publicou Pulso, S. Paulo, 2000, Quarteto Arcaico, Jaboatão, 2000, Antologia Pessoal, Brasília, 2001, 50 Poemas Escolhidos pelo Autor, Rio, 2003, e Soneto Antigo , Brasília, 2009.
Em prosa: A Aventura Espiritual de Álvares de Azevedo: Estudo e Antologia (2002), Sob o Signo da Poesia: Literatura em Brasília (2003), Testemunho & Participação: Ensaio e Crítica Literária (2005), Criadores de Mantras: Ensaios e Conferências (2007) e, em ficção, os contos de Pulso Instantâneo (2008).
Traduziu e publicou Traduzir Poesia (Thesaurus, 2004). Em parceria, traduziu ainda, entre outros: Poetas do Século de Ouro Espanhol / Poetas del Siglo de Oro Español, com Fernando Mendes Vianna e José Jeronymo Rivera; Estudo Introdutório de Manuel Morillo Caballero (Thesaurus / Consejería de Educación y Ciencia de la Embajada de España, 2000); Poetas Portugueses y Brasileños de los Simbolistas a los Modernistas, org. de José Augusto Seabra (Instituto Camões / Embaixada de Portugal em Buenos Aires / Thesaurus, 2002; versão para o espanhol, com Rodolfo Alonso, José Jeronymo Rivera, José Antonio Pérez, Kori Bolivia, Manuel Graña Etcheverry, Rumen Stoyanov e Ángel Crespo; notas sobre os poetas brasileiros por José Santiago Naud); Victor Hugo: Dois Séculos de Poesia, com Fernando Mendes Vianna e José Jeronymo Rivera (Thesaurus, 2002); O Sátiro e Outros Poemas de Victor Hugo, também com FMV e JJR (Galo Branco, Rio, 2002); Antologia Pessoal de Rodolfo Alonso, com José Augusto Seabra e José Jeronymo Rivera (Thesaurus, 2003); Contos de Tenetz, Antologia de Yordan Raditchkov, com Rumen Stoyanov (Thesaurus / FAC, 2004); História dos Ideais, de Eduardo Mora-Anda (Thesaurus, 2006); Antologia Poética Ibero-Americana, com Fernando Mendes Vianna e José Jeronymo Rivera, org. de Pavel Égüez (Cuiabá, 2006).
III - DEPOIMENTE PESSOAL
Nasci na cidade mineira de Carangola, em 17 de novembro de 1934. Meu pai, o advogado Anderson de Araújo Horta, e minha mãe, Maria Braga Horta, eram professores e poetas. Assim, criado num ambiente de respeito à cultura e amor aos livros, posso dizer que recebi em casa mesmo os primeiros estímulos literários.
A família morou, sucessivamente, em Carangola, Manhumirim, Belo Horizonte, novamente em Manhumirim, depois em Resplendor, Mutum, outra vez em Carangola. Já então acrescida dos manos Arlyson, Augusto Flávio e Maria da Glória. Em 1942 fomos para Goiás, passando três anos na antiga e dois na nova capital do Estado. Em Goiás Velho nasceu o caçula, Goiano.
De volta a Minas, novo périplo em redor de Manhumirim, onde residiam meus avós maternos: Aimorés, Mantena, Lajinha, cidades que eu visitava nas férias, pois, tendo começado o ginásio em Goiânia, fiz, nesse período (de 1947 a 1953, para ser exato), as três últimas séries em Manhumirim e o clássico em Leopoldina. Já me encontrava no Rio de Janeiro, cursando Direito, quando para lá se mudou a família, em 1956.
Transferi-me para Brasília em julho de 1960, como redator da Câmara dos Deputados, a cujo serviço fora admitido em 1957 como datilógrafo. Os irmãos foram também atraídos pelo Planalto Central, a que finalmente aportaram os pais, em 15 de novembro de 1964.
Exerci ainda o jornalismo e o magistério, tanto no Rio quanto em Brasília. Meu primeiro trabalho, contudo, foi como securitário, na Velha Capital, a não ser pelos meses em que lecionei no Seminário de Leopoldina, cidade em que prestei, após o curso clássico, o serviço militar (tiro-de-guerra).
Já radicado em Brasília, casei-me no Rio, em 1962, com a capixaba (de Cachoeiro de Itapemirim) Célia Santos. No ano seguinte nasceram os gêmeos, brasilienses, Anderson e Marília.
Meus pais aqui faleceram, mamãe em 1980, papai cinco anos depois.
As primeiras impressões literárias que retenho datam da cidade de Goiás: uma página de Humberto de Campos em que o autor, na primeira pessoa, confessava um furto de menino —o que me deixou consternado—; e o “Pequenino Morto”, de Vicente de Carvalho, cujos melodiosos hendecassílabos encheram minha alma infantil de tristeza. Em Goiânia me tornei leitor voraz de histórias em quadrinhos e de todos os livros que havia em casa — Gato Preto em Campo de Neve e Clarissa, Ecce Homo e Assim Falava Zaratustra, Meu Destino É Pecar (isso mesmo, o livro proibido de Nélson Rodrigues) e o mais em que pude pôr a mão e os olhos. A impossibilidade de compreender tudo não era obstáculo ao entusiasmo do jovem devorador de letras.
Por essa época, apesar da força atrativa dos quadrinhos, que me guiou a mão numa série de rabiscos, até mesmo numa historieta de texto e desenhos típicos, o autor mais amado foi, sem dúvida, Monteiro Lobato, por sua obra infanto-juvenil, que reputo ainda hoje incomparável.
Mas quem me levou a escrever poesia, conforme tenho repetido em páginas de depoimento literário, foi mesmo Castro Alves. As primeiras tentativas, frustradas, resultantes em prosa ritmada, datam de Manhumirim, ao tempo em que freqüentava o Colégio Pio XI. As primeiras realizações, de Leopoldina, em 1950.
A outra grande influência de então foi Bilac. E, depois, tantos poetas que nem convém enumerar! Dos clássicos aos românticos, dos parnasianos aos simbolistas, desses aos modernos, que me ensinaram a quebrar o verso, sem descartar a tradição.
Penso que o poeta não pode deixar de se assenhorear das técnicas do verso, embora a técnica, obviamente, não seja tudo. Que ao escritor compete extrair do potencial de sua língua toda a cintilação que possa, dignificando-a sempre. Que escrever é atividade intelectual, sim, mas não se esgota no âmbito do intelecto; que o poeta há de comover-se e comover, sim, mas não se há de entregar, ingenuamente, à emoção desassistida da inteligência, porque a emoção, por si só, não é ainda arte, não é ainda poesia. Que a esse amálgama de pensamento, emoção, sentimento que é o poema não se deve tolher o voltar-se para a sorte do homem no espaço e no tempo, seja do ponto de vista filosófico, seja do social; pois à poesia, arte da palavra, interessa necessariamente tudo o que de humano se possa representar nela. E que, portanto, a arte do poeta há de ser mais complexa, mais completa, mais abrangente e mais profunda do que tendem a fazê-la os jogos —algumas vezes brilhantes— a que pretendem reduzi-la correntes revolucionárias.
Isso posto, confessadas, via de conseqüência, as minhas próprias limitações, passo, com a possível humildade, ao balanço de quatro décadas de produção poética —omitida, quase totalmente, a inicial —, balanço em que, de algum modo, se traduz a seleção de poemas que ofereço ao leitor.
Brasília, 31 de maio de 1999.
web: plataforma.para a poesia.nom.br
jornal de poesia
antônio miranda
_________________
*Francisco Miguel de Moura, poeta, residente em Teresina, Piauí, coligiu os presentes dados em vários sítios e blogues da web, entre os quais web: plataforma.para a poesia.nom.br
jornal de poesia
antônio miranda
acresentando mais alguns outros elementos, com o único propósito de divulgar a poesia daquele que considera, hoje, um dos três ou quatro melhores poetas vivos do Brasil.
Postado por FRANCISCO MIGUEL DE MOURA às 15:49 0 comentários
Marcadores: poesia clássica
domingo, 17 de janeiro de 2010
Livro Denuncia Rapto de Crianças

"Sei que não vamos parar os raptos, mas se conseguirmos fazer com que eles diminuam estaremos salvando vidas" (Léo Montenegro) Lhe convido a fazer parte dessa causa.
1 - De que forma surgiu a idéia do livro Crimes Satânicos?
Na verdade foi através de uma noticia sobre um desses crimes onde uma mãe sacrificou seu próprio filho de menos de 3 anos em um ritual de magia negra. Essa noticia trazia fotos da cena do crime e confesso que isso me abalou e me fez perguntar de onde vinha maldade tal a ponto de uma mãe matar e esquartejar o corpo do próprio filho.
2- De onde veio o apoio para a realização do trabalho?
3 - Você enfrentou algum tipo de pressão durante o andamento dos trabalhos?
6 - Léo, o que você acha que deveria ser feito para tornar as buscas a pessoas desaparecidas mais eficazes?
7 - Tem algo, que você descobriu que não foi publicado? Por quê?
8 - Que mensagem, você deixaria para as pessoas que estão lendo esta entrevista e que já leram ou pretendem ler o livro?
Obrigado à todos que me escrevem e compartilham suas experiências.
Deus abençoe a todos nós.
OBS: Para contatos com Léo Montenegro escreva para : leomontenegro09@gmail.com
9 – O livro está disponível nas livrarias evangélicas?
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Sammis Reachers e
Wilma Rejane- via UBE
Postado por Wilma Rejane às 07:19 0 comentários
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sábado, 16 de janeiro de 2010

GEMINIANO
Francisco Miguel de Moura*
Quando nasci, alguém me fez um susto:
Que eu fosse ver o céu, contar estrelas,
Pra saber se eram verdes, amarelas...
Minha mãe se espantou, como era justo.
E, levando-me aos braços, fez carinhos...
Recebi-os, por ter nascido um homem,
Sem beicinho, e falava: “Não me domem,
Não precisam mostrar os seus caminhos".
Teimei... Chorava e ria, não alheio
Ao que disse a parteira: "Não é feio
nem bonito... Mas tem olhos azuis".
Um dito justo aos seres geminianos
Na condição dos dúbios mais humanos,
Pois sabem a poeta... E fazem jus.
______________
Postado por FRANCISCO MIGUEL DE MOURA às 16:25 0 comentários
Marcadores: poesia clássica
sábado, 9 de janeiro de 2010
REVIGORANDO...

FRANCISCO MIGUEL
DE MOURA*
Amo-te ainda como antigamente,
Minha antiga mente se renova.
A flor não se murchou ao sol
Nem na sombra da falta
Do teu rosto de outrora.
Meu sorriso não terminou,
Esmoreceu de tantas primaveras,
Veras sem rimas primorosas,
Nem alguma prima.
O cheiro vem de longe
E, diferente,
É o mesmo:
–Tem as marcas do tempo
E as manchas no rosto
Pelo suor seco e sem máscaras
Do temporal que passou.
_________
Postado por FRANCISCO MIGUEL DE MOURA às 10:59 0 comentários
Marcadores: poesia clássica
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
O BEM E O MAL EXISTEM?
Os atos violentos que causem prejuízo a alguém são condenados e, quando habitualmente praticados por uma criatura, essa criatura é a representação do mal. Quem mata o semelhante – o maior mal praticado contra alguém – pode até iludir-se que é bom para si, mas não é. Males menores, quando não afetam concretamente nenhuma pessoa, podem até ser perdoados pela sociedade. Afinal de contas, se aceita um mal menor na esperança de que não aconteça o pior.
Mas a bondade tem limites. Por isto o último prefeito de New York e candidato a presidência dos Estados Unidos, cujo nome não me vem à memória, acabou a violência da cidade, então uma das mais violentas do planeta, simplesmente punindo todos os desvios legais, desde a pichação aos roubos e assassinatos, crente que, com o crime, não deve haver condescendência. E ele tem razão.
Quem não sabe que uma agressão é maléfica? E é maléfica também ao próprio agressor. Os violentos têm menos saúde, menos paz, vivem pouco e com péssima qualidade de vida. A mania do agressor é dizer que foi agredido primeiro, o que não justifica, mesmo sendo verdade. Afinal, quer-se é não-violência, o bem – aquilo que com o mal jamais se alcançará. Tolerar a inconsciência? Nunca. Trabalho neles, escola neles, catecismo neles. E se esses corretivos não forem suficientes, que venha a punição que mereça.
O romancista Dostoiévski, em “Crime e castigo”, narra o personagem Rascólnikov expiando a culpa, mas crente de que matou a velha agiota para fazer o bem a si, a ela e à sociedade. Ora, matar não é solução pra nada. Por isto, não sou a favor da pena de morte: – O criminoso deve expiar sua culpa aqui, sim, perante a sociedade a quem feriu. Nunca deixar isto para o outro mundo. Pode ser que esse outro mundo não exista. A punição não deve ser como vingança, mas como justiça. A pena de morte, ao contrário, dá o direito de vingança e ninguém tem direito sobre a vida do outro, muito menos o estado, reconhecidamente um opressor. Também, qualquer tentativa de dominação que não seja legal é violência, maldade, seja física, moral, intelectual, espiritual. É o direito à liberdade de pensamento e expressão.
Até aqui vimos o que o Prof. Marcos Sidnei Pagotto, da UMESP chama de “grandes narrativas”: Deus, a razão, a consciência individual. E se refere também às “pequenas narrativas” – as contemporâneas: tribos, extremismo religioso, sucesso pessoal, em virtude de vivermos a globalização do planeta, o capitalismo avançado, o individualismo exacerbado e o oportunismo, onde tudo é objeto e o que conta é a felicidade pessoal por cima de tudo e de todos.
Assim, quer o ator tenha ou não consciência de crime e justiça, quer acredite em Deus ou não, quer pense como o personagem de Dostoévski, para o qual “se Deus não existe tudo é permitido”, deve ter julgamento e punição, pelos meios mais democráticos da sociedade, para que não formemos um futuro mundo de criminosos, o que seria a negação de tudo, toda a ética, moral, justiça, leis, amor e preceitos religiosos, a negação da nossa humanidade.
Apenas a punição interior é individual e cabe a cada um. Dela, certamente, nenhum criminoso poderá livrar-se até morrer. Mas a punição externa cabe à sociedade e nós também como sujeitos da cultura e da civilização que o próprio homem construiu, em milênios.
Enfim, fechemos com o que foi enunciado no início: O bem e o mal existem. Não é pergunta; é resposta. Mas o problema maior é saber como evitar o mal e incentivar o bem. A humanidade tem de lutar pelo seu alcance, pelos melhores caminhos, se quiser subsistir. Devemos perdoar os autores, o sujeito, mas o mal, nunca. Isto quer dizer que não se deve desistir da punição, tendo o cuidado, porém, de considerar o criminoso uma pessoa capaz de recuperação, mesmo que poucos queiram (ou consigam).
________________
Postado por FRANCISCO MIGUEL DE MOURA às 02:35 1 comentários
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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
MILAGRE DA DIVISÃO

Francisco Miguel de Moura*
A burguesia é tonta de ganância;
somando, multiplica bens de terra.
Dá, egoisticamente, em abundância,
à traça. e tudo em podridão se encerra.
Por isto eu lembro o tempo do Messias...
E a multidão faminta por justiça,
vendo Jesus trazer melhores dias,
vergastando o orgulho, a vã cobiça.
E hoje arrenego quem, pelo egoísmo,
lança o mundo em miséria e confusão
e espezinha de Cristo o catecismo.
O bom Jesus deu mesa à multidão
com sete pães. Bendito qualquer “ismo”
que multiplique e faça a divisão.
_________
*Francisco Miguel de Moura, poeta brasileiro, membro da IWA - International Writers and Artists Association, Toledo, OH, Estados Unidos.
Postado por FRANCISCO MIGUEL DE MOURA às 14:00 0 comentários
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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
ESCOLHA
o caolho menino
fotografa o mundo
o tempo e a rua.
Tudo longe e perto.
Do nada que lhe sobra
soçobra uma réstia
de restos.
Só o rosto flutua.
_______________
*Francisco Miguel de Moura, poeta brasileiro, participa em revistas e jornais do exterior: Diário dos Açores, de Portugal: Clarín, da Espanha: Jalons, na França: Poemazia, na Itália, entre outros.
Postado por FRANCISCO MIGUEL DE MOURA às 04:34 0 comentários
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sábado, 26 de dezembro de 2009
Crianças Desaparecidas: Links úteis

A causa das pessoas desaparecidas obteve no último dia 18 deste mês uma grande vitória. Foi aprovada a Lei 12.127, que cria o Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Desaparecidos. Segundo a Lei, o cadastro deverá especificar os dados pessoais e as características físicas das crianças e adolescentes desaparecidos. O objetivo é integrar, em tempo real, as informações entre o Ministério da Justiça e as Secretarias de Segurança de todo o país, além de órgãos internacionais e a sociedade civil em geral. A nova Lei já está em vigor, mas ainda falta a definição sobre a forma de acesso às informações do cadastro, e a forma de atualização das mesmas.
Sobre o tema, elaboramos ainda uma lista de links, para você se informar, interagir e colaborar de todas as formas possíveis:
Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas - http://www.cnpd.org.br
Bureau Internacional de busca a crianças, adolescentes e
adultos
desaparecidos - http://www.interbureau.org
Divulgando Desaparecidos -
http://www.divulgandodesaparecidos.org/home.html
Serviço Integrado de Atenção a Crianças e Adolescentes
Desaparecidos
(DF) - http://www.missingkids..com.br
Desaparecidos Minas Gerais - http://www.desaparecidos.mg.gov.br/
Desapareceu.org (cadastro de brasileiros desaparecidos no
mundo) -
http://www.desapareceu.org
Mães do Brasil - http://blogdasmaesdobrasil.blogspot.com/
Projeto Caminho de Volta - http://www.caminhodevolta.fm.usp.br
CPI das Crianças e Adolescentes Desaparecidos -
http://www.cpicriancasdesaparecidas.com.br/
Portal Kids - http://www.portalkids.org.br/
Mães da Sé - http://www.maesdase.org.br/
Fundação da Infância e Adolescência (FIA –RJ) - http://www.fia.rj.gov.br/
Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas
(Paraná) -
http://www.sicride.pr.gov.br/
Desaparecidos Site - http://www.desaparecidos.com.br/
Movimento Catarinense de Busca da Criança Desaparecida -
http://www.criancadesaparecida.org/
Pessoas Desaparecidas (RS) - http://www.desaparecidos.rs.gov.br/
Procurados .org - http://procurados.org/
National Center for Missing & Exploited Children (EUA)
http://www.missingkids.com
Fondation pour la Recherche d’Enfants Disparus,
International (Suíça)
- http://www.fredi.org/
Parents and Abducted Children Together (Inglaterra)
http://www.pact-online.org/
Abuelas de Plaza de Mayo (Argentina) - http://www.abuelas.org.ar/
Fonte: Cidadania Evangélica
Postado por Wilma Rejane às 11:27 0 comentários
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