segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

APRESENTAÇÃO DO LIVRO POESIA (IN)COMPLETA

Miguel de Moura Jr.*





Sr. Presidente da Academia Piauiense de Letras, Nelson Nery Costa, autoridades presentes, senhoras e senhores acadêmicos, meus familiares, amigos e demais convidados, minhas senhoras e meus senhores, peço a permissão, inicialmente, para dividir minha alegria, como apresentador, com todos aqui presentes, que me concedem o prazer da companhia e a honra do comparecimento a esta solenidade de lançamento do livro: Poesia (in) Completa, 2ª edição, revista e aumentada, de Francisco Miguel de Moura, da Coleção Centenário da Academia Piauiense de Letras.
Quando recebi o convite para apresentar o lançamento do livro pensei que seria fácil, pois sou seu filho e cinquenta e dois anos de convivência me daria uma certa tranquilidade. Logo percebi que a imparcialidade seria uma barreira a ser vencida. Minha fala estaria cheia de subjetividades. Afinal, meu pai é referência em tudo em nossa família. Honesto, ético, amigo, responsável, sempre cultuou bons hábitos. Como escritor, obstinado! Francisco Miguel de Moura ama o que faz e por isso faz bem feito, com maestria. Respira e transpira literatura. Na maioria das vezes, se a conversa não for sobre livros, silencia. Para não se isolar do mundo, então, transforma tudo ao seu redor em arte, num processo de lapidação das impressões do meio exterior, imprimindo-lhe os sentimentos pessoais, através do seu estilo e criação. Na verdade, briga com as próprias escolhas, entre o feijão e o sonho, busca o equilíbrio. Sobreviveu como bancário e vive como escritor.
Todo escritor enfrenta pelo menos três problemas: escrever, publicar e ser lido. Escrever não é fácil, pois muitas vezes as palavras são frutos do sofrimento, marca inevitável da personalidade do artista. Não importa, por mais que se esquive, não consegue libertar-se totalmente do seu mundo conflitual. Todo esse processo é um trabalho árduo, onde o sucesso e o fracasso andam de mãos dadas. Escrever é, primeiramente, vencer a si mesmo, sem medo, resignado e apto a transferir os conflitos pessoais às personagens.
O segundo grande problema enfrentado pelo escritor é uma missão quase impossível no Brasil, publicar um livro. Não por falta de editores, mas por falta de leitores. Os custos da publicação e distribuição de um livro são extremamente altos e apenas uma pequena parcela da população possui renda para comprá-los com regularidade e uma parcela menor ainda possui o hábito da leitura. Parte dessa falta de hábito é cultural. Muitas escolas não incentivam a leitura, obrigam os alunos a ler apenas determinados livros, quando não resumos, para que possam ser aprovados em determinados exames.
O terceiro problema que o escritor tem que enfrentar é como fazer para ser lido. Talvez o maior medo do autor, em todos os tempos, é lidar com a ausência de leitores, principalmente, se for poesia. É na criação verbal que reside a genialidade. Não pode ser hermética. Encurtar a distância é que possibilita a realização completa do escritor, pois não basta escrever, é preciso ser lido.
Francisco Miguel de Moura soube enfrentar os três problemas e sem deixar o Piauí. Venceu os três desafios e outros mais impostos ao escritor. Saiu de um ambiente inóspito, rodeado de miséria e fome. Estudou em escola pública e leu à luz do candeeiro, sem os recursos que se tem hoje. Era para dar errado, mas não deu. Nunca deixou de escrever, publicar e ser lido. Aos 83 anos de idade, com mais de trinta livros publicados e esgotados, em sua grande maioria, tem fôlego para muito mais. Incansável, divulga suas obras na internet através do blog que idealizou e criou franciscomigueldemoura.blogspot.com.br.
É fato que não podemos separar, na origem, o escritor de sua criação. Assim, apresento-lhes, de forma sintética, primeiramente, o criador. Francisco Miguel de Moura nasceu na fazenda “Curral Novo”, em Jenipapeiro, hoje Francisco Santos, que pertencia ao município de Picos, sertão do Piauí, aos 16 de junho de 1933. Técnico em Contabilidade, graduado em Letras pela Faculdade Católica de Filosofia do Piauí e pós-graduado em Crítica de Arte pela Universidade Federal da Bahia. Foi comerciário, funcionário do Banco do Brasil, escrivão de polícia, radialista, professor de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira. Aposentou-se para se dedicar, exclusivamente, à literatura. É poeta, romancista, ensaísta, cronista, contista e colabora em diversos jornais do país e do exterior. É sócio efetivo da União Brasileira dos Escritores e membro da Academia Piauiense de Letras.
Estreou na poesia, em 1966, com o livro Areias. Publicou em seguida: Pedra em Sobressalto, Universo das Águas, Bar Carnaúba, Quinteto em mi(m), Sonetos da Paixão, Poemas Ou/tonais, Poemas Traduzidos, Poesia in Completa, Vir@gens, Sonetos Escolhidos, Antologia de Poemas, Tempo contra Tempo (em coautoria com Hardi Filho), Arfogo – romance da revolução e Cinquenta Sonetos.
Em prosa é autor dos romances Os Estigmas, Laços de Poder, Ternura, e D. Xicote. Dos contos: Eu e meu Amigo Charles Brown, Por que Petrônio não Ganhou o Céu e Rebelião das Almas. Na crônica, é autor de E a Vida se Fez Crônica, A graça de cada dia e O menino quase perdido. Como crítico literário escreveu Linguagem e Comunicação em O. G. Rego de Carvalho, A Poesia Social de Castro Alves, Um Depoimento Pós-Moderno, Assis Brasil, Castro Alves e a Poesia Dramática e Moura Lima: do romance ao Conto. Escreveu ainda, Piauí: Terra, História e Literatura, Literatura do Piauí e Miguel Guarani, Mestre e Violeiro.
Francisco Miguel de Moura é um dos escritores mais produtivos do Piauí. Premiado em vários concursos literários, tem sua obra recebido manifestação positiva da crítica, vinda de escritores de todo o país, como João Felício dos Santos, Olga Savary e outros. Por isso não podemos deixar, neste momento, de registrar as impressões de alguns de seus ilustres leitores e que atestaram a sua importância no desenvolvimento da literatura do seu Estado.
Fontes Ibiapina revela, ao prefaciar Areias, “Impressiona pela simplicidade do termo, emprestando, numa comunicabilidade impressionante, muito de simpatia ao leitor bem avisado. Em todo o conteúdo da obra, encontra-se uma intimidade contagiante familiarizando e irmanando, na tela da padronagem do seu pano de fundo, - o poeta, o livro, a terra. ”
H. Dobal destaca “Li seu livro e não foi surpresa encontrar a boa poesia que eu esperava. A surpresa foi realmente uma questão de grau: os poemas são ainda melhores do que previa a minha expectativa. ”
O poeta e crítico Francisco das Chagas Val, assim delineou a personalidade e o talento de Francisco Miguel de Moura “é um escritor que exerce o seu ofício com bastante competência e, em qualquer página por ele escrita, lá estão as qualidades intrínsecas que são as marcas a destacá-lo como uma legítima vocação literária inconfundível, em meio aos outros escritores de sua geração. ”
Hardi Filho, em artigo publicado no jornal O DIA, se pronuncia: “Francisco Miguel de Moura, que, por via de sua arte de padrão tecnicamente elevado, tornou-se conhecido e considerado pelas elites culturais. ”
O. G. Rego de Carvalho ao ler a poesia de Francisco Miguel de Moura se rende ao talento e sentencia: “Poeta de corpo inteiro, senhor e não servo das palavras, conhecedor profundo e sofrido de nosso interior, mais telúrico de que Fontes Ibiapina na sua prosa, piauiense no assunto e universal na transfiguração do tema, Francisco Miguel de Moura cresceu na minha admiração e hoje o posso citar como um dos três maiores poetas do Piauí, ao lado de Da Costa e Silva e H. Dobal. ”
Gostaria de encerrar esta apresentação dizendo para aqueles que não são escritores ou que queiram apenas ser leitores, não se intimidem com as impressões dos doutos, apenas inspirem-se. Façam uma leitura atenta, analise os detalhes, demorando-se em cada palavra, saboreando lentamente o poema e por fim o livro. Não precisa procurar o que está por trás do texto, basta aquilo que está nele, que faz dele o que ele é. Então, será o despertar e a essência se mostrará.
_____________________________
*Miguel de Moura Júnior, brasileiro, baiano, escritor, advogado, bancário, mora em Teresina, filho de Francisco Miguel de Moura, discurso lido na solenidade de lançamento de “Poesia in Completa”, dia 12/11/2016, na Academia Piauiense de Letras.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

A QUEDA DAS FOLHAS



Francisco Miguel de Moura
          Poeta brasileiro 




As folhas caem, ai! Verão.

Ninguém lhes ouve a queda,
A dor de coisas semimortas,
Quando o vento carregador

Vem e as leva pela várzea
E ali se enterram no chão.


Algumas doidas se soltam 
Salvam-se, saem dançando

Com o vento, sobem o outeiro

Onde um poeta há tempo dorme.
O dorminhoco, aos acordes
Dos sons, saracoteios surdos
Das infelizes contra a porta,
Ainda ressona.

...

Será tarde, bem tarde
Para um carinho… Oh! Não!

Eis que o poeta transtornado sonha:
E quebra a eternidade do instante
Com um poema na mão.

domingo, 11 de dezembro de 2016

PROSOPAGNOSIA: ENTREVISTA

THAIS DE LUNA a FRANCISCO MIGUEL DE MOURA,
para o Correio Braziliense


28 de setembro de 2009

1- Como e quando você descobriu que tinha prosopagnosia?
R - O nome prosopagnosia é recente, embora já existisse a deficiência da memória localizada que dificulta a retenção de rostos na memória do paciente. Ninguém por aqui sabia nada – até que as revistas VEJA e ÉPOCA, antes o Jornal do Brasil, começaram a publicar matérias sobre o assunto. Foi aí que comecei a interessar-me pelo assunto. Minha mãe (já falecida) me dizia que não decorava o rosto das pessoas, tinha dificuldade de reconhecê-las. Eu, me observando, vi que acontecia o mesmo comigo.

2- Você já passou por alguma situação constrangedora por causa desse distúrbio? Pode contar alguma(s) delas?

R - Constrangedora, não. Algumas vezes, pessoas que foram de minhas relações e, durante l, 2, 3 ou mais, não tivemos nenhum encontro, me dizem: Você é orgulhoso, passa por mim e não fala. Que é que houve? Esta é uma maneira de não ser pego de surpresa, indagado: Não está me reconhecendo? Quem sou eu? E a gente ficar com cara de bobo diante delas. Então é melhor bancar o importante ou o distraído. Evitar. Recentemente eu estava vendo um programa de tevê, na casa de um amigo, e disse mostrando um artista: Ele é filho de meu primo, é fulano de tal, não é? E meu amigo disse: Não este aí é Fulano de Tal. Como é que pode ser seu primo, ou filho de seu primo?

3- Mais alguém da sua família tem isso?

R - Sim, poucas, além de minha mãe. Mas me reservo o direito de não dizer quem, entende?
4- Você chegou a ir a um médico para ser diagnosticado com o distúrbio ou descobriu por conta própria o que tinha? R - Não, mesmo porque não existe nenhum especialista no assunto. Nem remédio. A medo que a gente tem é de a prosopagnosia ter alguma relação com o Mal de Alzheim, temida por todos.

5- Quais mecanismos você desenvolveu para reconhecer mais facilmente as pessoas?
R – Ouvi-las, em mim a voz é essencial. Também a roupa, o cabelo, os olhos, o nariz, a boca, a cor, etc. O que o prosopagnósico não consegue é guarda o conjunto, o que chamamos de feições. Mas as partes, sim.

6- Você consegue reconhecer uma pessoa imediatamente quando a encontra ou demora algum tempo (nem que sejam alguns segundos)?
R – Demoro, sim. A “memória de conjunto”, se assim podemos chamar, no prosopagnósico, é muito fraca e depois de algum tempo apaga-se. Esse conjunto também se estende a objetos: marcas de carro, por exemplo, só sei quando olho o nome da empresa industrial: Ford, Chevrolet. Mesmo o meu próprio, desconheço, a não ser pela cor, pela placa, por outro sinal particular.

7- O que você enxerga quando olha para um rosto?
R - Penso que vejo as partes de cada vez, sem o entrelaçamento.

8- No seu caso, você tem prosopagnosia desde sempre ou algo desenvolveu o distúrbio (como uma pancada na cabeça, um derrame etc.)?
R Acredito que desde sempre. Não lembro muito de quando criança. Mas posso lembrar das pessoas mais queridas que morreram e não há meio de visualizar seus rostos. Com o avançar da idade, vinha ficando pior, mas depois tomei tento e passei a usar a memória neste sentido, por exemplo, vendo novelas, filmes, e tento gravar pelo menos enquanto passa o capítulo ou aquele filme. Depois, tento, vendo o artista – ou a artista – noutro programa, tento decifrar quem é, lembrar-me do nome e o que é que ela faz no primeiro programa, etc.


9- Você já sofreu preconceito ou foi considerado antipático por causa da prosopagnosia?
R – “Orgulhoso, não fala mais com ninguém!”, dizem – talvez pelo fato de ser escritor, localmente (Municípios e Estado do Piauí) já famoso e muita gente me conhecer, inclusive no jornal e da tevê.

10- A prosopagnosia te impede ou dificulta fazer algo, como assistir a filmes?
R - Às vezes sim, quando se trata de um filme que versa assunto da minha antipatia: guerra, droga, violência, etc. Gosto de filmes de amor, romances, dramas, comédias, etc. Divirto-me muito, embora nem sempre acerte o nome do personagem que está atuando.

11- Você também tem dificuldades em reconhecer certos objetos ou só rostos mesmo? Se tiver, quais seriam?
R – Já falei acima em marcas de carro, mas tenho realmente dificuldade de reconhecer formas com que não esteja bem familiarizado. Esqueço muito das corres. Já errei no nome da cor da frente de minha casa.
Uma observação a mais: Não sei se acontece com outros prosopagnósicos, mas comigo sim: Se fecho os olhos, não consigo visualizar rosto de ninguém. Já experimentei, tentando lembrar. Lembro do corpo, do caminhado, do chapéu, do cabelo, até do riso e da voz principalmente. Mas..
Tenho dito sempre, entre outras coisas, que na minha vida de escritor, somente nas sessões de autógrafos, me sentia um pouco sem jeito. Mas depois passei a perguntar descaradamente: - Qual é seu nome completo? E completo com uma desculpa: - Na hora que estou autografando me dá um branco... Nem do nome de meu pai eu me lembraria, se vivo fosse e viesse a essa fila.
12 - Preciso ainda saber como o senhor quer que seu nome apareça no jornal, além de saber qual a sua idade e profissão.

R - Meu nome, quer civil, quer literário é FRANCISCO MIGUEL DE MOURA. Familiarmente sou tratado por Chico Miguel. Já lancei 30 livros, entre poesia, crítica, romance, conto e crônicas. Tenho 76 anos – nascido que fui a 16 de junho de 1933. Meu “livro lançado recentemente, em 2008, se chama ‘FORTUNA CRÍTICA DE FRANCISCO MIGUEL DE MOURA”, contendo uma biografia escrita por José Maria de Aguiar Ramos. E de minha autoria, apenas: - uma longa entrevista e um depoimento mais ou menos longo, poemas e cartas. Dos outros: crítica de diversos escritores de todo o Brasil a respeito de minha obra. O primeiro livro lançado se chama “AREIAS”, poemas, 1966, numa Editora de Timon – MA. Tenho obras lançadas no Rio e São Paulo, que participaram de bienais. Fui premiado em todos os gêneros que pratico. Sou membro da Academia Piauiense de Letras e da IWA – International Writers and Artists Association, Toledo, OH, Estados Unidos.


Atenciosamente,
Thais de Luna.




domingo, 25 de setembro de 2016

A PRIMEIRA (Como se fosse a segunda)






Francisco Miguel de Moura*


Não sei se ela me veio por primeiro
Afeto de menina que se quer.
Está tão longe o tempo e seu mister...
O pensamento é um grande viajeiro.

Sei que era linda e tinha gosto e cheiro
Diferentes das outras. Nem sequer
Nos beijamos. Porém de longe o ser
Encontra o outro ser quando é inteiro

Em juventude, em luz, em força e mais,
Naquela idade em que se não tem paz
E quando a tem não tem impunemente.

Se foi amor,  não sei. Sexo não foi.
Foi diferente. Ai como a vida dói
Por amor quando vem tão inocente.

______________________
*Francisco Miguel de Moura, poeta brasileiro. E-mail:franciscomigueldemoura@gmail.com

sábado, 3 de setembro de 2016

OLHO OS JORNAIS E ESTREMEÇO

José Maria Vasconcelos
Cronista

         Acabara de ministrar a última aula de um curso de Redação, solicitado por escola privada. Uma estudante acompanhou-me até o portão: “Professor, você nos incentivou a ler e acompanhar os acontecimentos atuais para uma boa redação. Devo lhe dizer que só rola desgraça... Olho os jornais e estremeço:  expõem, exaustivamente, a degradação da família, consumo e tráfico de drogas, estupros de crianças e adolescentes e morte e desgraças!”
         Uma frase da estudante bateu-me forte: “Olho os jornais e estremeço”. Adolescente de 15 anos pronunciar uma frase tão condensada de sentimento humano, exaustivamente cantada há 30 anos, 1986, portanto o dobro de sua idade?! “Querida, onde você encontrou essa frase?” Referia-se a uma linda canção de Roberto Carlos, APOCALIPSE”, advertindo o mundo para o caos social. A estudante ouvira a música em encontro de jovens de sua igreja: “Perto do fim do mundo / Como negar o fato / Como pedir socorro / Como saber exato / O pouco tempo / Que resta / Só vai sobrar / O que presta. /... OLHO O JORNAL E ESTREMEÇO / Todo final tem seu começo / Taças amargas derramadas / Profecias confirmadas alertam / Que é o fim da estrada / Tempo de dor / Falta de amor /... / Drogas num mar sem porto / A violência, o crime / Na aprovação do aborto / Por tudo isso / Se a terra treme / Só quem não deve / Não teme / Pra quem seguir Seus passos / E o Seu amor profundo, / Ele virá trazendo / A luz de um novo mundo”.
         A estudante tinha suas razões para censurar a temática abusiva da imprensa que transforma o noticiário em liturgia da tragédia humana. Só caos moral, só tragédia e busca de audiência. Um tema oportuno para redação nos concursos.
         Meios de comunicação, especialmente a televisão, costumam festejar tragédias, em vez de denunciá-las. Oferecem pouquíssimo espaço à divulgação de valores morais; exemplos de famílias construídas em princípios sadios; jovens libertos dos vícios; adolescências castas e prudentes nas relações amorosas; recuperação de bandidos; amantes da biodiversidade; ações comunitárias, sem espera dos governantes.
         Os elétrons saltam de uma órbita para outra do átomo e formam partículas, que se transformam em blocos, planetas e estrelas. Um mundo maravilhosamente harmonizado pela física quântica. A unidade na pluralidade. Florestas, animais, rios, oceanos, desertos e prados convivem sob a batuta do equilíbrio ecológico. Todavia, a razão humana tenta harmonizar a vida nos seus paradigmas do quanto mais escandaloso mais divertido, assistido e lucrativo.
          A imprensa evita abordar suicídios para não induzir pessoas a irracional ato. Por que não agir com outros níveis de notícias, como estupros coletivos, que, em vez da denúncia e informação, induzem marginais a praticá-los? Uma adolescente, ainda lhe ardendo a seiva dos puros sonhos, pode se educar nos paradigmas da TV e meios de comunicação? Ou irão deixá-la desencantada, estremecida com o pão ordinário da informação? 30 anos se foram, e só pioraram as coisas. A geração atual precisa ouvir a canção e refleti-la. Por que o apocalipse depende de nós, e não do castigo de Deus.


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