quinta-feira, 7 de setembro de 2017

PREFÁCIO AO NOVO LIVRO DE JOSÉ SOLON DE SOUSA

Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, membro da ALERP e da APL - Academias de Letras de Picos e de Teresina.

O novo livro do poeta Solon de Sousa tem nome esquisito: “Carissimidades/ Poesia Cem”. Somente os poetas entendem os poetas e, como prefaciador, não devo explicar nada à maioria dos leitores. Prefaciador não devo explicar nada a ninguém, nem mesmo ao autor. O que o poeta diz ou escreve tem sua linguagem cifrada em poesia e poesia não se explica. Lemos, interpretamos como queremos ou podemos. Assim, ninguém perguntaria ao poeta: - O que é que você quer com isto? Essa pergunta seria uma ofensa a qualquer autor. E o prefácio significa uma apresentação do livro, do seu autor, e tal como o prefaciador entendeu ser necessário e bom para os leitores. Numa apresentação não se faz críticas. Tece-se elogio ou não se faz. Como poderia recursar uma apreciação à poesia de Solon, se já fiz o mesmo no primeiro livro, que achei muito bom como estreia?
        Feito este exórdio, passemos ao que interessa. Já li o amigo José Solon de Sousa em seu primeiro livro como disse. Depois li outro livro de sua autoria, em prosa, denominado “Você é meu orgulho”. É um cidadão de caráter, probo e competente médico, natural de Jaicós-PI. Mas hoje tem também endereço em Picos. Excelente amigo, não tem apego a dinheiro, gosta muito de música e compõe composições populares, estilo atualmente em vigor na mídia brasileira. Como médico, conhece profundamente sua profissão. Na literatura, o que ele deseja expressar é sua alma, por dispor de tempo e por motivos vários de sua vida, o que não fez antes por falta de espaço e tempo somente ocupados nos estudos e no trabalho. Literatura serve também para isto. E isto ele o faz muito bem. Seus ritmos são singulares, letras com rimas comuns, mas algumas vezes aparecem metáforas não usuais. Assim, não somente o nome do livro é esquisito: assim parece o autor e sua poesia. E qual o poeta que não é esquisito?
          É necessário que o leiamos com cuidado, carinho e amor. O poeta merece.
         Entretanto, eu recomendaria aos leitores sobretudo os poemas curtos sobre problemas humanos e científicas que, muitas vezes parecem descritivos, mas se assim o são é por necessidade de um vocabulário que nem todo leitor comum tem. Nem mesmo os poetas como este prefaciador, que nada sabe de ciências. Outro tipo de poemas que vejo com muito bons olhos são aqueles que tratam do campo, da roça, das árvores, das lagoas e riachos e dos passarinhos, quando, com alegria, o rancho de sua propriedade animam. Citarei o título de alguns: “Histórias Viva”, “Andropausa”, “Amor amor”, “Ainda bem”, “Voltarás” e “Viveiro, ”entre outros. Uns biográficos, outros científicos (misturados com poesia em contradições e metáforas) e os políticos. Não gosto de política em poesia, porque a política da poesia é a forma, o ritmo, linguagem figurada (que fica bem distante da linguagem comum). Mas daí vem a contradição ao poeta: Como ser popular, sem o vocabulário do povo? Por que falar tanto no livro e no poeta e não mostrá-lo?
         Eis aqui um dos seus poemas que apresenta a maior originalidade, um modo comum de os poetas começarem suas obras, dizendo a que vêm e como são:
        “Quem vai querer? / Uma casa onde tem poesia /tem luxo. / Não que seja uma casa cara / É uma casa caríssima. //Caríssimos poetas / Caríssima é a poesia! / Carríssimas virtudes / Caríssimos colegas.// Uma casa onde impera outras casas caras /Não tem luxo / Tem ostentação. / É uma casa cara. //Sem carissimidades…/ / Poesia Cem É a minha cara! / Quem vai querer? // Sem forma / Sem estrutura / Sem endereço // Sem id /Ou revide.// Sem pé/ Nem cabeça. /Sem Nada. // Contudo // Isso // Ilhéu imaginário. //Em número // Ilhéu imaginário // Em número de cem // Original / Estilo: // Solon Reis Jacob”.
        É seu estilo no livro todo, o qual explica sua poética, seu modo de fazer. Observemos que já o grande poeta Fernando Pessoa inventou vários poetas (heterônimos famosos) em si mesmo para poder expressar bem o que era e o que podia não ser. O grande dramaturgo inglês Shakespeare escreveu: “Eu não sou quem eu pareço ser”. Por essas palavras, sabe-se que a vida só não basta, precisa-se da literatura, do teatro ou de outra arte que nos expresse. Quem seriamos nós sem a palavra? Nos dias de hoje, nós, poetas, nos sentimos frustrados porque não somos considerados gente, porém animais estranhos do tempo dos dinossauros, que foram resistindo, com resiliência, alguns escapando pelo fio da música ou do teatro. Mas nos conformamos em saber que a poesia vem primeiro, vem sempre e chega sempre.
     Voltando um pouco à poética de Solon de Sousa, ninguém se espante porque ele repete as palavras, brinca com elas. A repetição é um bom recurso da poesia. Veja a música, repete-se e desrepete-se. O mesmo truque da rima vem junto, completa. Não importa o descritivo para a música ou para a poesia: o importante é que contenha mistério (ou mistérios), pois somente nas almas eles são captáveis. Poesia é alma, é espírito feito carne em palavras. Digo sem querer repetir algo da Bíblia, todos somos a semelhança do espírito de Deus. Solon, poeta, Deus o abençoe. Os poetas são deuses.
          Parabéns, Solon! Parabéns, Jaicós! Parabéns, Picos!
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Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, membro da ALERP e da APL, Academias de Letras de Picos e do Piauí, esta sediada em Teresina - PI

sábado, 26 de agosto de 2017

EPIGRAMA DO TEMPO


Francisco Miguel de Moura

Partir sem tempo
de chegar
A vida sem tempo
de morrer
Deus sem tempo
de parar.


Ação, não esperar
o tempo, o tento, atento
ao que não terá fim:
tempo pra fazer.


Mover-se é in/finito.

domingo, 13 de agosto de 2017

Poema sem adjetivos - Quando?

Francisco Miguel de Moura 

Amar é quando eu digo:
- “Amo!”
sem saber a quem?

Ou quando abraço e beijo
e tomo o seu sobejo?

Todos perseguimos
a pureza do amor...
E ele nos resiste.

O amor consiste
nessa ilusão do uno
que partiu-se.

Os adjetivos atrapalham
a vida e o amor.

O amor se despetala
é quando eu digo:
- “Amei!...”

***
Francisco Miguel de Moura - poeta e prosador

domingo, 23 de julho de 2017

MEU JARDIM

F. M. M.*
(autor)



Manhã, agrada-me sentir
de leve o cheiro,
misto de mulher e natureza,
e as ondas de vento em arrepios
sutis, diversos, feiticeiros.
Ouço insetos invisíveis,
Inaudíveis, como sempre
tecendo o fundo em sonata
para a glória das aves de bico.
Borboletas vaidosas e trêmulas,
me fazem serelepe.
Danço, as pernas já não doem,
a vista descansou, o nariz pressentiu
beijos do passado, luzes de festas.

À noite reina a lua. Ela e minha amada
e doce companheira, mãe e irmã das flores,
me acompanham.

No aniversário não quero presente,
este jardim de rosas e estrelas vale
um reino onde sou príncipe.
Reino que nunca poderei chamar de
meu sozinho, meu.
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                       *Francisco Miguel de Moura – Poema novíssimo                            

quinta-feira, 8 de junho de 2017

A PESSOA, A COISA

Francisco Miguel de  Moura*



A pessoa fala – a coisa se mostra
a pessoa cala – a coisa não gosta
a pessoa é livre – a coisa é composta.

Aposto na pessoa - a coisa eu quebro
emendo, remendo, requebro
(a poesia em si chora)
mas coisa não manda, explora
seu lugar é mostrar-se
o que foi e o que nunca será.

A pessoa manda, esquece, padece
a coisa não manda – endoidece.

A coisa o que é? Não existe
A pessoa é, foi e persiste
A pessoa semelha um deus
é um pedaço que cai do céu.

A imagem – que o diabo a esfregue
em cacos, trapos, salamaleques.

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*Francisco Miguel de Moura, poeta brasileiro, mora no Piauí.
The. 08/06/2017
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