quinta-feira, 16 de maio de 2013

O QUARTO ESCURO DA VERDADE

Gemária Sampaio*
    Na verdade ninguém esconde nada de ninguém, muitas vezes muitos acham que estão passando uma grande imagem colocando uma mentirosa capa protetora, sem perceber que os seus bumbuns estão de fora. Por incrível que pareça,atendo pessoas que não sabem exatamente quem elas são,mentiram por muito tempo,esconderam de todos o que são de verdade. Mesmo assim se casaram,tiveram filhos,e convivem com os outros sem nunca terem se mostrado de verdade. Vivem isolados na ilha mental.

    Quem se preocupa com a opinião social ou não aceita a sua verdade particular, cria histórias fantasiosas sobre sua pessoa. A falta de aceitação é um veneno para formação do caráter. Conheço algumas pessoas que literalmente enlouqueceram por negar a sua verdadeira condição de vida. Muitos criam um mundinho só seu para se tornarem "apresentáveis" diante da sociedade. Sem saber, estão ferindo gravemente o seu EU.

    No filme, "O meu nome não é Johnny" a juíza chamou o réu "João Guilherme" para interroga-lo,quando ouviu o som do seu verdadeiro nome ele se assustou, naquele momento ele se deu conta que tinha passado grande parte de sua vida sendo chamado por um nome que não era seu. Penalizada pelo espanto do rapaz, a juíza enviou-lhe um cartão que dizia:

  “O verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que lançamos pela primeira vez um olhar inteligente sobre nós mesmos”

    Viver as consequências do roteiro de nossas vidas faz parte da saúde mental, parte da história não pode ser negada e nem reprimida. A vida não é um roteiro de filme onde as partes ruins podem ser editadas e deletadas.

  Eu advogo a idéia de que os pais,familiares ou responsáveis devem ajudar na construção da história de seus antes queridos dentro da mais pura verdade, assim estarão contribuindo com saúde psíquica deles.

   Quando não queremos encarar os fatos reais de nossa história,nos reduzimos,então nasce a insegurança e a sensação de desconforto.Nada mais insano do que habitar uma vida que não é sua. Nada mais doentio do que fingir ser alguém diferente do que se é. Pessoas assim criam um verdadeiro inferno mental. Um vulcão adormecido está guardado no peito e a qualquer momento poderá entrar em erupção.

     De onde vem a vontade de usar drogas? O alcoolismo? De onde vem a índole para o crime?Como se faz o mau caráter, os violentos,os mentirosos,os trapaceiros, e  muitos outros desequilíbrios? Além de uma possível carga hereditária, isso tudo também advém da falta de aceitação e pela vergonha de encarar a própria realidade. Muitos desejam ser outra pessoa ou simplesmente descartam o seu passado para ser aceito pela sociedade. Somos o que somos,não dá para mudar nenhuma vírgula, o passado é carregado nos ombros sim, e ele terá o peso dos seus atos e ponto final,fazer o que?
      No espelho refletimos o que somos de verdade e não o que imaginamos ser.Como querer ser aceito diante de todos se a base dessa afirmação é mentirosa?

    Nunca seremos iguais,cada um carrega nos ombros a sua verdadeira história.
      O indivíduo que se conhece e se aceita é capaz de responder tranquilamente a pergunta que deixa tantas pessoas desconcertadas.
                                   
Quem é você?
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*Gemária Sampaio é poeta e prosadora, seu blog http://gemariasampaio.blogspot.com é um dos melhores da internet, com muitas ilustrações, bons textos e música.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

AS MIL ESSÊNCIAS DO AMOR

Francisco Miguel de Moura*



Quantas essências há pra se aspirar
Depois da noite. Sinta sutilmente,
Pela glória e a graça de ser gente,
As belezas que o vento traz do mar.

Ponha o nariz adiante da janela,
Sinta a menina a rua atravessando,
Sinta mais, sinta a vida começando
Cheia de flores pelos cantos dela.

São as aves cantando em cada vão,
São as flores cheirosas, santas palmas,
Fortalecenndo as fibras onde estão

A saltarem pra vida sem vaidade.
Veja as essências todas, tagarelas
Como a enfeitarem nossas próprias almas.

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*Francisco Miguel de Moura, brasileiro de nascimento, porém poeta do mundo, sem carimbo, sem escolas, somente com a palavra que sai borbotando do seu peito.

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 *Francisco Miguel de Moura é um poeta do mundo inteiro, justo por que
  poeta não tem pátria, sua casa é a imaginação: poetas têm sonhos e versos.

 
NOTA IMPORTANTE: - A imagem que ilustra este quadro de é de Vanessa Marcil - ver www.sonhandocommaciel.com.br

quarta-feira, 1 de maio de 2013

RUI BARBOSA - SEMPRE ATUAL

Ruy Barbosa*

"De tanto ver triunfar as 
nulidades,
de tanto ver prosperar a
desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de ver agigantarem-se os 
poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar
da virtude,
a rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto".

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MINI-BIOGRAFIA
Ruy Barbosa de Oliveira (Salvador, 5 de novembro de 1849 — Petrópolis, 1 de março de 1923) foi um jurista, político, diplomata, escritor, filólogo, tradutor e orador brasileiro. Um dos intelectuais mais brilhantes do seu tempo, foi um dos organizadores da República e coautor da constituição da Primeira República juntamente com Prudente de Morais. Ruy Barbosa atuou na defesa do federalismo, do abolicionismo e na promoção dos direitos e garantias individuais. Primeiro Ministro da Fazenda do novo regime, sua breve e discutida gestão foi marcada pela crise do encilhamento sob a proposição de reformas modernizadoras da economia. Destacou-se, também, como jornalista e advogado.
Foi deputado, senador, ministro. Em duas ocasiões, foi candidato à Presidência da República. Empreendeu a Campanha Civilista contra o candidato militar Hermes da Fonseca. Notável orador e estudioso da língua portuguesa, foi membro fundador da Academia Brasileira de Letras, sendo presidente entre 1908 e 1919.
Como delegado do Brasil na II Conferência da Paz, em Haia (1907), notabilizou-se pela defesa do princípio da igualdade dos estados. Sua atuação nessa conferência lhe rendeu o apelido de "O Águia de Haia". Teve papel decisivo na entrada do Brasil na Primeira Guerra Mundial. Já no final de sua vida, foi indicado para ser juiz da Corte Internacional de Haia, um cargo de enorme prestígio, que recusou.
    "A liberdade não é um luxo dos tempos de bonança; é o maior elemento da estabilidade."






Postado por Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, residente em Teresina, Piauí, porque tem utilizado muitas vezes estas e ouras frases exemplares do grande orador, parlamentar, político e jornalis que foi Rui.


Rui Barbosa não ruirá nunca.










quinta-feira, 25 de abril de 2013

A QUINTA FORMA DO AMOR

Francisco Miguel de Moura*

Membro da Academia Piauiense de Letras
e da International Writers and Artists 
Association - IWA


Nunca almejei amor tão diferente
Das formas já pensadas pelos gregos
Filósofos e sábios - não labregos:
Pensei viver amor sem convenções.

Só queria a verdade, mas a mente,
No  olhar, no sorriso e na tristeza,
Na beleza do ser e na grandeza,
Não guarda vivamente os corações.

Só desejei viver o amor amante,
Corpo e alma gozar sem tradição,
Porém caí num fosso... Ai, breve instante!

Eis que a aventura trouxe-me um deserto:
Não rompi as correntes, não deu certo
Levar tão longe a grande aspiração. 

                       Teresina,  20-4-2013

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 *Francisco Miguel de Moura é um poeta do mundo inteiro, justo por que
  poeta não tem pátria, sua casa é a imaginação: poetas têm sonhos e versos.

domingo, 24 de março de 2013

DEUS É DEUS, E NÓS SOMOS O QUÊ?

Francisco Miguel de Moura*

Vou empreender uma viagem à Terra Santa, com minha mulher, na companhia do Pe. Tony Batista, da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima. Alguém pode até admirar-se:

- “Lá vai você, metendo-se com Igreja, teologia, etc. quem até bem pouco tempo bancava o agnóstico, por ser escritor e poeta. Que heresia”!

Heresia, não senhor. Estudei durante quatro anos na Faculdade Católica de Filosofia do Piauí, onde a matéria Teologia era obrigatória. Se não aprendi mais foi por malandragem – que aqui quer dizer contestação. Vivíamos o final dos anos 1960 e começo de 1970, quando a chamada “Redentora”, ditada pelos generais, fazia e desfazia leis, eles que nunca estudaram uma linha de Tratados de Direito, fosse o romano ou o inglês. De “golpe” eles sabiam muito; de Democracia, nada. E naquela época os poetas e artistas foram os baluartes da derrubada da ditadura dos militares, haja vista um Geraldo Vandré, um Chico Buarque, um Caetano Veloso e os inúmeros jornalistas e escritores, atores e poetas que se inscreveram na linha de frente, eram tantos que não seria possível citá-los aqui, inclusive os que morreram e os que ainda estão sendo descobertos pela “Comissão da Verdade”. Eu também sofria com a perda de liberdade de falar e publicar. E por seguir os poetas, que também são profetas, assim estou agindo: Mudando. Camões,  poeta maior da língua, escreveu: “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, / Muda-se o ser, muda-se a confiança;/ Todo o Mundo é composto de mudanças, / Tomando sempre novas qualidades”. 

Assim, completo: Por que não mudo eu, se todas as coisas mudam constantemente, se o mundo é uma mudança sem fim?

A vida existe, a morte existe (esta, apenas como uma etapa da vida): Não há vida sem morte e vice-versa. E Deus existe. Não aquele Deus Sol, Estrelas, Planetas, Luas, Firmamento. Esses são deuses dos agnósticos, primitivos. Como é que o Universo existiria sem uma vontade para que ele existisse?  Essa vontade, esse poder é Deus. Quem, senão Deus, nos poderia dar um prêmio tão grande como o da liberdade?  Direta ou indiretamente, tudo que existe, vai existir ou deixou de existir é obra de Deus. Nós também, obra de Deus, por isto seus filhos.

Recentemente tenho lido e relido livros religiosos como a Bíblia, “Um homem só”, de Maria Helena Ventura (escritora portuguesa atual), “A vida de Jesus”, de Plínio Salgado, entre outros. E a conclusão a que venho chegando é que Jesus sempre existiu: Pai, Filho, Espírito Santo, partes de um só Deus – o mistério da Santíssima Trindade, que eu, ainda menino, lecionando primeiras letras e catecismo, ensinava para os alunos. Deus não é nada solitário, como pensei anteriormente. Mas, quem sou eu para dizer quem e como é Deus, se tantos filósofos no passado e no presente já pensaram isto e viram que é impossível: a parte não explica o todo.  Somos filhos de Deus, Jesus nos chama de irmãos o e Espírito sobre-paira sobre nós e sobre tudo, e sempre existiu. Jesus também.  Quem falava aos profetas do Velho Testamento?  Por ventura não seria Jesus não encarnado, em nome do Espírito? Quando o profeta Isaías, repreendendo a Acaz por desobedecer ao Senhor, anunciou: “Ouvi, casa de Davi: Não vos basta fatigar a paciência dos homens. Pretendeis cansar também o meu Deus? Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco. (Isaías, cap. 7, vs.10-14). 

Era o primeiro sinal bíblico de que Jesus se encarnaria (logo, Jesus já existia) e viria morar com os homens, seus irmãos, para confirmar a lei e enfatizar o mandamento do amor: “Amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei”.  As palavras do Anjo a Maria - um dos mais profundos mistérios da religião cristã, pela sua natureza simbólica e ao mesmo tempo poética - confirmam a existência de Jesus antes de Cristo e do Espírito Santo, ambos no trabalho divino sobre a humanidade. 

Aponto um texto da escritora Maria Helena Ventura, em “Um homem só”, para fechar este artigo: “Em vez de sono, o estranho sorve o milagre da madrugada a expandir-se, entre frases inspiradas como salmos. O chefe da caravana boceja tomado por um estranho torpor... Depois da excitação da erva, um abraço sonolento?... Procura não fechar as pálpebras, mais pesadas do que um coro de trigo bem medido. Olha para o perfil do homem a seu lado... sereno. Ainda consegue articular a palavra entalada na garganta:

- Afinal quem és tu, forasteiro?

- Um homem, nada mais do que um homem”.

Jesus poderia ser esse “forasteiro” nas palavras do chefe da caravana. E muitas caravanas ele acompanhou até Deus dispô-lo para o seu ministério.
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*Francisco Miguel de Moura, escritor, membro da APL- Academia Piauiense de Letras e da IWA- International Writers and Artists Association - Estados Unidos.

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