terça-feira, 17 de julho de 2018

CADA QUAL COM SEU IGUAL - ARTIGO


 Francisco Miguel de Moura
escritor brasileiro. 
Membro da  Academia Piauiense de Letras.

           Seria um bom título popular para uma crônica, se não fosse uma mentira, se avaliado cientificamente. Não confiemos muito nos ditos populares, eles precisam de interpretação e, às vezes, têm vários sentidos.
          Um dia, faz algum tempo, conversando com meu amigo Deusdeth Nunes (Garrincha), quando falei que “todos são iguais perante a lei”, segundo nossa Constituição vigente, ele logo replicou, contrapondo:
          - Aí é onde começa a desigualdade.
          Os humoristas tiram lições da coisas verdadeiras, para fazer gracinha e trocadilhos, mas eles têm uma sabedoria filosófica que nem imaginamos.
          Acontece o seguinte, não há nenhuma pessoa humana igual. Assim Deus nos criou, assim são as coisas que fazemos. Peço para prestarmos bem atenção ao modo como uma pessoa em casa arruma as coisas e vem outra da mesma família e muda, pode ser um filha ou marido. A empregada quando arruma tudo do mesmo jeito que a patroa manda, é por falta de liberdade, mesmo assim de vez em quando falha.
          Dessas pequenas coisas nascem as grandes.
          Mas mudando um pouco ou mesmo sem mudar, nunca deixo de exemplificar os regimes sociais de governo e produção: comunismo, capitalismo, socialismo. Há outros? Há as nações governadas pelas infames formas de opressão: as ditaduras.
          Diga-se de passagem que o comunismo aboliu todos os partidos e criou o Partido Comunista, que manda no governo e no povo, na produção e falta de produção. No regime comunista todos são funcionários do mesmo patrão, o governo, que representa o Partido. E ai! de quem desobedece o Partido e as ordens dos maiorais do Partido. Isto é DITADURA ou não é? Vai terminar nos calabouços, escondidos, onde os jornalista e a imprensa de modo geral não tem permissão para entrar.  Mas dizem e contradizem: É uma  UMA DITADURA DO POVO. Que povo?
          E voltamos à questão inicial: nos regimes comunistas todos são iguais perante a Ditadura. E cada um com sua liberdade de viver, criar, trabalha ou simplesmente ser malandro, onde fica? O povo traduz-se, em qualquer parte do mundo, pelo diversificação das pessoas, nunca pelo seu simples ajuntamento.
          Diz sabiamente o filósofo Olavo de Carvalho que “o comunismo é apenas uma construção hipotética destituída de materialidade, um nome sem coisa nenhuma dentro, um formalismo universal abstrato que não escapa ileso à navalha de Ockham, frade cientista inglês William Ockham (1288-1347).  Não existiu nem existirá jamais uma economia comunista, é apenas uma economia capitalista camuflada ou pervertida, boa somente para sustentar uma gangue de sanguessugas politicamente lindinhos”.
          Se pensarmos nos regimes da China e da Rússia, o que são:  simplesmente tem governos de Partido único, mas com a economia é capitalista. No frigir do ovos são ditaduras. Deixemos os nanicos Cuba e  Coreia do Norte, porque, além de não possuírem a densidade de grandes economias, estão patinando na mentira dos que criam a doutrina materialmente falsa, embora que idealmente (se pudesse existir). Seria como se transportassem o céu para a terra.
          Quanto ao socialismo é o mesmo, o filósofo Osvaldo de  Carvalho disse que é um nome falso do comunismo para encobrir ditaduras nos países pobres e enganar o povo.
          O único regime político que existe, e é “do povo, pelo povo e para o povo”, chama-se democracia. Ela resiste desde os gregos e, em alguns países, tem se aperfeiçoado, criando a fórmula parlamentarista. Neste particular, cite-se a Inglaterra, a França e a Alemanha como os primeiros e mais aperfeiçoados. Nesses países há liberdades especificadas em leis, assim como a fiscalização do cumprimento de tais leis. E essas leis são feitas para o povo, em sua liberdade de ir e vir, falar e calar, onde a defesa da vida e da economia são tratadas com cuidado e ciência. Nesses países há povo, aqui (Brasil) somos um arremedo disto. Errou D. Pedro II, quando disse: “Grande povo, grande povo!”
          Voltando ao social não político, é costume dizer-se hoje que os namorados, os casais que mais se parecem física e psicologicamente se dão bem no casamento. Não há nenhuma estatística nem comprovação disto. Da mesmo forma eu poderia dizer que os que menos são iguais têm maior possibilidade de um casamento duradouro. Mas nada disto está provado. Provado está que não ninguém é igual, justamente por isto é que somos chamados de indivíduos e depois de educados, pessoas.  As pessoas aprendem a conviver em sociedade, os indivíduos são sempre desajustados e se dão ao crime e a outras coisas não aceitas pela maioria.
          “Cada qual com seu igual” é coisa para as espécies. A espécie homem com a espécie homem; a espécie lobo com a espécie lobo. E mesmo assim conta-se como verdade a história das crianças criadas por lobas e, assim,  andavam de quatro e não sabiam falar.
          Cada qual com seu igual é uma das frases que não levarão a erros, quando tomadas como verdade absoluta.
          E por falar em “absoluta”: Será que existem verdades absolutas?
          Para o poeta Manuel Bandeira, que escreveu: “A vida é um milagre / Bendita a morte, que é o fim de todos os milagres”, então seria a morte a verdade absoluta. Bem, os poetas dizem coisas que até Deus duvida. Mas eu, que também sou poeta, e hoje não estou poetando, acredito que Deus é o absoluto. Porém, querido leitor, esta seria matéria para outro e outros artigos, que não sei se vou ter condições de desenvolver. Mas o assunto e o problema estão postos para a capacidade dos filósofos. Aguardemos. Talvez o Papa Francisco já tenha versado sobre isto, que infelizmente não ouvi nem li. Li muitas outras coisas importantíssimas de suas pregações. Minha dica é que nele vamos encontrar a solução do assunto proposto, pois melhor sábio não há na terra, nos dias de hoje.
           
         

quinta-feira, 12 de julho de 2018


 
SENSUAL ALICE

     


 Francisco Miguel de Moura


Foi na queda da minha meninice,
desaguando na minha juventude,
que me veio à cabeça esta virtude
de te gravar no coração, Alice.

Tu brincavas na praia, ondas salgadas
vinham quebrar-se nos teus pés, sem pejo.
Aproveitar meu prematuro ensejo
seria um céu. Perdi nossas pegadas.

Sonho as curvas da praia, as curvas tuas,
como o seio nascente que guardavas.
De tanta coisa, desejei só duas.

Na noite, as mãos levíssimas de sondas...
E entre séria e risonha te afastavas,
levada docemente pelas ondas.                  
                                             

                           The. Dez. 1966



RESPOSTA DE ALICE
                       

 Francisco Miguel de Moura


Altas ondas do mar... Tu me encantaste
Mirando o verde-azul dos sonhos teus.
E eu que pensei ser ordem de meu Deus,
Me deixei ser a flor presa a tua haste.

Mas foi triste a ilusão! Eu, noutro plano,
Jamais despertaria os sonhos teus.
Se nos amamos tanto em tal engano,
Continuaste, enfim, sem meu adeus.

E assim, no longe e perto, e separados,
Não sou flor, nem o fruto que sonhamos:
Sou a linda sereia destas águas.

Nossos rastos são rastos apagados
Pelo tempo e a forma do que amamos:
Nossas saudades não se tornem mágoas
                                    

                  Teresina, junho/2018


quinta-feira, 28 de junho de 2018


A PARTIDA



Francisco Miguel de Moura*


Na partida, os adeuses, gume e corte
dos prazeres do  amor, quanto tormento!
Cada qual que demonstre quanto é forte,
lábios secos mordendo o sentimento.

Do ser brotam soluços a toda hora,
as faces no calor do perdimento,
olhos no chão, no ar, por dentro e fora,
pedem forças aos céus como alimento.

Ninguém vai, ninguém fica, e se reparte
no transporte que  liga e que desliga!
Confusão de saber quem fica ou parte.

Não se explica tamanha intensidade
amarga, e doce, e errante, que interliga
os corações perdidos de saudade.


_______________
*Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, mora em Teresina,PI

sexta-feira, 30 de março de 2018

DISSECANDO O AMOR - FMM


Francisco Miguel de Moura*

Para o poeta, amor calado é drama
Que produz arte em musical poesia.
O amor existe, é luz, força, alegria,
Mas na tristeza é que ele mais tem fama.

Bem no princípio, o amor é uma chama,
É segredo no nome. Oh, quanto o zelo!
O amor é olho, é boca, ouvido e pelo,
E é pelos olhos que eterniza a flama.

Amor é tudo que, esperando, avança
Amor são dois, e é um - pra não perder-se:
Duas almas, dois corpos numa dança.

O amor se dá, que amor nunca reclama,
Não pensa em nada, amor é não saber-se...
Amor-amor é um bem que se derrama.

*********
*Francisco Miguel de Moura, poeta e prosador brasileiro, filiado a várias instiuições culturais entre as quais cita: IWA (International Writers Association (USA), UBE (União Brasileira de Escritores), em São Paulo, e APL (Academia Piauiense de Letras), em Teresina, Piauí, onde reside atualmente.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

CONTRATENTOS

Francisco Miguel de Moura*


Seria uma manhã calma,
Feliz, absurdamente feliz,
Se não ouvisse palavras tropas,
Por trás das paredes
De sons matando gritos,
Uns de dentro, outros que se vão.

O vento uivava arrebentando os guizos.

Desconheço como o vento nasce e vive,
Quando entra, doido, pela janela,
Misturando papeis com versos e reversos,
Emoções e metáforas.
Metáforas que são minhas orações,
Para o gozo dos meus orgasmos
E inválidos espasmos literários.

E o vento rolando, arrebenta janelas.

Dai-me, paz, senhor do Infinito,
Abarca-me com a mão e o olhar,
Manda, pois, este vendaval parar
Enquanto cubro meu umbigo.



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