terça-feira, 12 de novembro de 2013

EXAME DE CONSCIÊNCIA

Francisco Miguel de Moura*




Estrangulo as datas. E entre elas
A melhor vem das mães, se é o dia.
E se não tenho pai nem mãe, agora,
Ainda vivo. Mulher e coisas estão,
Desde o nascer ao nosso poente,
Diante de um bobo, sujo espelho
Velho, sem lua, para ver estrelas.

Antes de mim era o vermelho ou rosa,
Hoje impera o cinza, o cinza e o cobre.
O’ Deus, por que todas as cores existem,
E são dos outros, para mim não ficam? 
Só a cinzânia estes meus olhos vestem?

O tempo e o mundo que sabores têm?

Mas o que passa é o fumo e a história,
Quer eu vá mais distante ou fique ao lado.
Se o perto passa o longe também passa.
E tudo é o nada indefinido, ou mente?

E do eterno? Não me vem pergunta
Insistente, desde dentro até lá fora.
Por que ele também volve ao passado?

Por que tenho vergonha de mim mesmo,
E medo do divino, onde me ensimesmo?

__________________
*Francisco Miguel de Moura, poeta brasileiro, nascido piauiense e amante de todas as cidades onde vivi: Francisco Santos, Rodeador, Bocaina, Aroeiras do Itaim, Picos, Salvador, Rio e Teresina.

Um comentário:

Verinha Portella disse...

Admirável Chico Miguel!!!...Poeta
tão estimado,Mestre eu te reverencio.
Teus versos emocionam,me fazem pensar,meditar...
Obrigada por compartilhar .
Um fraternal abraço...bem apertado.
Bom final de semana.

veraportella

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