quinta-feira, 18 de outubro de 2012

POLÍTICA, DEMOCRACIA E EDUAÇÃO, O QUE É ISTO?

 *Francisco Miguel de Moura = Escritor, membro da Academia Piauiense de Letras

Ontem à noite, recebi a visita de um amigo escritor que voltava de sua terrinha para Brasília, onde reside.  Discutimos muitos assuntos, botando a conversa em dia. Na verdade, não somos exatamente da mesma linha política. A certa altura, com o meu modo franco de ser, disse:

- Eu já tive simpatia pelo PT, antes que ele dominasse o poder, pois houve virada muito grande entre o que pregava e o que fez e continua fazendo. Se você tem alguma simpatia pelo que está aí, respeito sua opinião, mas a minha é diversamente contrária.  Estamos vivendo uma nova espécie de ditadura, exatamente contrária àquela que eles combateram e que nós combatemos. Essa é a linha que adotam. Mas não descemos a detalhes, o tempo foi insuficiente.

No final, concordamos com muita coisa: a inflação hoje é muito superior à de ontem, a corrupção – Nossa Senhora! – passa dos limites e os ilícitos praticados pela gente do poder, que tem de ser combatidos, como já começamos a presenciar. O julgamento e condenação dos que fizeram “o mensalão”, pelo STF, é uma batalha em que o povo brasileiro saiu ganhando. Podiam ter condenado mais gente, muitos outros que participaram, mas não há provas suficientes nos autos, outros que sequer constam nos processos. Acompanhei boa parte da novela tragicômica, apelidada de “o mensalão”, centrada em problemas antiéticos e dos maus costumes (de corrupção ativa e passiva a formação de quadrilha, etc.) e, para mim, a melhor parte foi o final, o seu julgamento.

Indubitavelmente, houve um ganho para democracia brasileira: a afirmação da independência dos poderes, no caso, especificamente o Poder Judiciário.  Não importa que o “chefe” de tudo, o Lula, tenha dito e parece que continua a dizer que o “mensalão” não existiu. Notáveis são estas e outras frases como “não vi nada, não sei de nada”, repetindo, de outra forma, as palavras de Armando Falcão, ministro na “ditadura militar de 1964”: “Nada a declarar”, como resposta ao que sabia, mas não podia dizer.

Aqui para nós - depois de muita observação e leitura, depois de ouvir depoimentos e entrevistas com autoridades e intelectuais, escritores e poetas, administradores, eleitores, alunos e professores – não há saídas para a crise do mundo e periferia (Brasil também, pois continuamos periferia), salvo pelo caminho da democracia e da educação.

Fui jovem também, sonhei como tantos outros, lutei por um mundo mais justo, por aquele mundo que chamavam de socialista (e até de comunista), mas aprendi: só há um regime, que é o menos artificial porque combina com “o ser do homem” - é a democracia, com direitos e deveres iguais para todos, sem preconceito, sem a carga de leis de exceção que existe. Os bons políticos têm que ter bons costumes e mais: ter a ciência do bem dirigir, do bem administrar em harmonia; eles têm que ser sensatos e confiáveis. É bem verdade que vivemos uma época de tumultuada política, os partidos não são partidos, são áulicos do poder, não têm, portanto, nada ou quase nada a oferecer, salvo raríssimas exceções. E é difícil, num meio tão turvo, o eleitor enxergar em quem votar melhor. Por isto, em complemento ao meu arrazoado, repito, porque é sábio e sensato, as palavras da ministra do STF, Dra. Carmen Lúcia: “Eu não queria que o jovem desacreditasse da política. Nem toda política é corrupta. Ao contrário. A humanidade chegou aonde chegou porque é a política ou a guerra” (Veja 10.10.2012).

É sabido, Deus e o mundo já proclamou isto, que só há um caminho para chegar à democracia. É pela educação de qualidade, para todos, sem exceção nem distinção classe, cor, beleza, inteligência. A educação eleva e faz com que os homens, em sociedade, vivam ordeiramente, os diferentes tratando as diferenças como normalidade, sem apelo a misericórdia, pena, compaixão nem esmola, eis que aí chegaríamos ao humanismo.  Mas educação não é apenas levantar uma escola fisicamente, equipá-la com ventiladores, aparelhos de ar-condicionado, computadores; é muito mais que isto; é, antes, transformá-la num templo da ciência e do saber; é a própria ciência tornando-se consciência ao criar bens necessários para todos. E essa escola será pública e gratuita, equipada com professores bem pagos e reciclados periodicamente e alunos vencendo as dificuldades, instruídos a partir de sua comunidade para o mundo, trabalhando e amando a cultura e tradições do país e sua história, amando a leitura e a justiça nas leis de seu país. 

Mas democracia não é só isto. Educação é não só isto. Temos que lutar por elas, praticando-as a partir de você, sua família, sua comunidade, para aperfeiçoá-las.

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*Francisco Miguel de Moura, poeta e prosador, membro da Academia Piauiense de Letras (APL) e da International Writers and Artists Association (IWA)

2 comentários:

Verinha Portella disse...

Querido Chico!!
Estou aqui..para te aplaudir.
Adorei o texto.
Eu estive de férias...senti saudades.
Um abraço carinhoso de sua fã...
vera portella

CHIICO MIGUEL disse...

Verinha Portella,

você não me esquece, eu também não te esqueço, adorei sua apreciação e mensagem nesta página. Mas visite minhas outras duas pátinas:
http://cirandinhapiaui.blogspot.com
e
http://franciscomigueldemoura.blogspot.com
beijinhos e abrações
chico miguel de moura, poeta.
chico miguel

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